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Full text of "Morato Et Al 2018 Herpetofauna FLONA Saracá Taquera, Amazônia Central"

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Igtodlos na FLONA de Saracá-Taquera 


Sérgio Augusto Abrahão Morato 
Guilherme Nunes Ferreira 
Michela Rossane Cavilha Scupino 
( editores ) 






Herpetofauna da 
Amazônia Central 

Estudos na FLONA de Saracá-Taquera 


Sérgio Augusto Abrahão Morato 
Guilherme Nunes Ferreira 
Michela Rossane Cavilha Scupino 

( editores ) 


STCP Engenharia de Projetos Ltda. 

Curitiba, Paraná, Brasil 

MRN - Mineração Rio do Norte S.A. 

Porto Trombetas, Oriximiná, Pará, Brasil 




Curitiba, PR / Porto Trombetas, PA 
2018 




Ficha Catalográfica 


Herpetofauna da Amazônia Central: Estudos na FLONA 
de Saracá-Taquera / Sérgio Augusto Abrahão 
Morato, ed.; Guilherme Nunes Ferreira, ed.; Michela 
Rossane Cavilha Scupino, ed.; Curitiba, Pr: STCP 
Engenharia de Projetos Ltda.; Porto Trombetas, Pa: 
MRN - Mineração Rio do Norte S.A., 2018. 

210p. 

ISBN 978-85-68814-03-1 

1. Flerpetofauna - FLONA de Saracá-Taquera. I. 
Morato, Sérgio A.A., II. Ferreira, Guilherme N. III. 
Scupino, Michela R.C., IV. Título. 


Depósito Legal na Biblioteca Nacional 
conforme Decreto n° 1825, de 20 de dezembro de 1907. 

Dados Internacionais de Catalogação da Publicação 
(Câmara Brasileira do Livro, São Paulo, Brasil) 


Capa: Norops ortoni, Phyllomedusa bicolor, Corallus caninus, Podocnemis 
erythrocephala e Melanosuchus niger (fotos: Sérgio A.A. Morato). 


CITAÇÃO RECOMENDADA 

Morato, S.A.A.; Ferreira, G.N.; Scupino, M.R.C. (eds.), 2018. 

Herpetofauna da Amazônia Central: Estudos na FLONA de 
Saracá-Taquera. Curitiba: STCP Engenharia de Projetos Ltda.; 
Porto Trombetas: MRN - Mineração Rio do Norte S.A., vii + 210 p. 





Sumário 


Apresentação.i 

Agradecimentos.iv 

Autores e Vínculos Institucionais.vi 


Capítulo 1. Levantamento, Distribuição e Hábitats dos Répteis da 
FLONA de Saracá-Taquera, Amazônia Central, Estado do Pará, 
Brasil . 1 

SAA Morato, GN Ferreira, FL Trein, F Stender de Oliveira, ALC Prudente, 
GF Maschio, U Galatti, JFM Sarmento, PO Caiixto & LRLP Mendes 


Capítulo 2. Levantamento, Distribuição e Hábitats dos Anfíbios da 
FLONA de Saracá-Taquera, Amazônia Central, Estado do Pará, 
Brasil .20 

GN Ferreira, U Galatti, MV Segatta, F Stender de Oliveira, FL Trein, RN 
Feio, VA São-Pedro, EF Oliveira, JFM Sarmento, JAR Bernardi & SAA 
Morato 


Capítulo 3. Monitoramento da Herpetofauna das Áreas Florestais 
Adjacentes à Mineração de Bauxita na FLONA de Saracá-Taquera, 
Amazônia Central, Estado do Pará, Brasil.33 

SAA Morato, GN Ferreira, MR Cavilha Scupino, LRLP Mendes, MLS da 
Silva, PNS da Silva, GA Nogueira, PO Caiixto, UMS Suckow, VF Bueno 
Júnior, LM Ceolin & R Gomes 


Capítulo 4. Monitoramento da Herpetofauna de Áreas Mineradas 
em Processo de Recuperação Ambiental na FLONA de Saracá- 
Taquera, Amazônia Central, Estado do Pará, Brasil.76 

GN Ferreira, SAA Morato, MR Cavilha Scupino, LRLP Mendes, PO Caiixto, 
PNS da Silva, MLS da Silva, GA Nogueira, UMS Suckow, VF Bueno Júnior, 
LM Ceolin & R Gomes 










Capítulo 5. Avaliação Genética Comparada das Populações de 
Tartaruga da Amazônia, Podocnemis expansa (Schweigger, 
1812), dos Rios Trombetas, Tapajós, Nhamundá e Amazonas. 114 

KL Silva-Brandão, SAA Morato, N Seraphim, A Peruchi & LM Verdade 


Capítulo 6. Riqueza, Hábitats e Aspectos Ecológicos de Quelônios 
Aquáticos nos Igarapés da Área de Influência da Mineração do 
Platô Bacaba e Lago Sapucuá, FLONA de Saracá-Taquera, Pará, 
Brasil.140 

F Stender de Oliveira, GN Ferreira, RF Bressan, RS Ribeiro, I França e 
Souza & SAA Morato 


Capítulo 7. Distribuição, Abundância e Conservação de 
Crocodilianos do Lago Sapucuá, Amazônia Central, Estado do 
Pará, Brasil.187 


SAA Morato, VBGV Batista, AAV Martins, AP da Silva, LF Bastos, DCA 
Sodré, MM Tempo & DS Angelo Junior 





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Siphlophis compressus 

s" (Foto: SAA Morato) 






Apresentação 

A Floresta Nacional (FLONA) de Saracá-Taquera consiste 
em uma Unidade de Conservação de Uso Sustentável inserida no 
interflúvio dos rios Trombetas e Nhamundá, na porção Noroeste 
do Estado do Pará, abrangendo partes dos municípios de 
Oriximiná, Faro e Terra Santa. Localiza-se na transição entre a 
planície de terras baixas da Amazônia e a formação geológica 
conhecida como "Escudo das Guianas", região delimitada pelo 
oceano Atlântico a leste, pelo rio Orinoco a norte e a oeste, pelo 
rio Negro a sudoeste e pelo rio Amazonas ao sul. A herpetofauna 
de toda essa região é considerada como muito rica e portadora 
de diversos endemismos, alguns dos quais relacionados a 
formações vegetacionais que são estruturadas localmente de 
maneira exclusiva, entre as quais aquelas presentes em sistemas 
montanhosos isolados, em áreas campestres periodicamente 
inundadas e em campinaranas. 

Somente para a região da Amazônia brasileira estima-se 
a ocorrência de 240 répteis e 170 anfíbios. Esses valores 
possivelmente encontrem-se subestimados, uma vez que estudos 
recentes conduzidos na região têm revelado tanto a descoberta 
de novas espécies quanto ampliado a distribuição conhecida de 
outras. Todos os autores que atuaram na região ao longo das 
últimas duas décadas salientam a necessidade de realização 
constante de pesquisas locais. 

A MRN - Mineração Rio do Norte S.A. - é uma empresa 
que atua no ramo de mineração de bauxita, minério de base para 
a produção de alumínio. A empresa efetua suas atividades desde 
1976 na região abrangida pela FLONA, tendo participado 
ativamente na proposta e na consolidação da criação desta 
Unidade de Conservação. Desde o início da década de 1980, 
quando se iniciaram os primeiros projetos de recuperação 
ambiental das áreas de lavra, a empresa desenvolveu 
monitoramentos de tais projetos, tendo na herpetofauna um de 
seus indicadores. Já a partir do ano de 2007, a MRN, através da 
STCP Engenharia de Projetos Ltda., passou a desenvolver 
estudos de impactos ambientais e monitoramentos que incluíram 
avaliações de longa duração sobre a herpetofauna. 

A STCP Engenharia de Projetos Ltda., por sua vez, atua 
nas regiões da FLONA e da REBIO Trombetas desde o ano de 
2002, quando foi a empresa responsável pela elaboração dos 
Planos de Manejo de ambas as Unidades de Conservação. Os 



estudos consistiram nos primeiros inventários de grupos como 
anfíbios, lagartos e serpentes da bacia do rio Trombetas, além de 
complementar informações previamente existentes na literatura 
em relação a quelônios e crocodilianos. 

Intitulado "Herpetofauna da Amazônia Central: estudos 
na FLONA de Saracá-Taquera", este livro apresenta os resultados 
de mais de 10 anos de pesquisas sobre anfíbios e répteis da 
Unidade de Conservação e suas adjacências, conduzidos pela 
STCP Engenharia de Projetos Ltda. em atendimento às 
necessidades da Mineração Rio do Norte - MRN no cumprimento 
de seus processos de licenciamento e gestão ambiental. Os 
estudos contaram com a participação de pesquisadores e 
instituições de pesquisa de diversas regiões do país. Acreditamos 
que a apresentação dos resultados de tais estudos auxiliem tanto 
na ampliação do conhecimento de uma das regiões de maior 
biodiversidade do planeta quanto aumentem a visibilidade da 
responsabilidade ambiental e social da MRN e da STCP 
Engenharia de Projetos Ltda. perante a sociedade, na medida em 
que demonstram os resultados do processo de gestão ambiental 
das áreas afetadas pelo empreendimento minerário e concluem, 
sempre que cabível, com recomendações de ações necessárias 
para a melhoria desse processo. Esta condição é particularmente 
relevante na medida em que a herpetofauna é considerada como 
uma excelente indicadora de condições ambientais. 

Esperamos que este livro seja útil para a sociedade e 
para a conservação da biodiversidade tanto da FLONA quanto da 
Amazônia e do Brasil como um todo, na medida em que são 
apresentados métodos que entendemos serem replicáveis a 
estudos similares em diversas regiões do país. Esperamos 
também que todos aqueles que tenham acesso a esta obra a 
apreciem e, se pertinente, que façam suas críticas e 
considerações, sempre em prol da ampliação do conhecimento 
técnico e científico. Este é o objetivo máximo dos estudos aqui 
apresentados. 


Os Editores 







Agradecimentos 

Este livro e seus capítulos foram passíveis de serem 
elaborados graças à colaboração de diversas pessoas e 
instituições. Agradecemos especialmente ao Diretor Presidente 
da Mineração Rio do Norte, Dr. Guido Germani; ao Gerente de 
Saúde, Segurança e Meio Ambiente, Dr. Paulo Ayres Muselli de 
Mendonça; e ao Gerente do Departamento de Controle 
Ambiental, Eng. Marcelo Thomy Menezes Dultra, pelo apoio 
constante e sempre presente ao desenvolvimento dos trabalhos 
aqui apresentados. Da mesma forma, agradecemos de maneira 
especial à STCP Engenharia de Projetos Ltda., nas pessoas de 
seus Presidente e Vice-Presidente, Dr. Ivan Tomaselli e Dr. Joésio 
Deoclécio Pierin Siqueira, pelo constante apoio e motivação à 
publicação de resultados dos trabalhos desenvolvidos pela 
empresa. 

Agradecemos também ao ICMBIO Trombetas, na pessoa 
do Sr. Marcello Borges de Oliveira e Silva, e ao DILIC-IBAMA/DF, 
Sra. Kenya Carla Cardoso Simões e sua equipe, pelos apoios 
recebidos ao desenvolvimento dos trabalhos e emissões das 
licenças para tal. 

Outros agradecimentos especiais são os seguintes: 

- Às senhoras Maria do Socorro Amorim Bentes e Rute Oliveira 
Souza, secretárias das gerências da MRN, que sempre foram 
muito atenciosas e prontas a nos auxiliarem em todas as 
demandas dos trabalhos. Sem elas, certamente os estudos 
não seriam passíveis de serem desenvolvidos. 

- À equipe técnica da Unidade de Meio Ambiente da STCP 
Engenharia de Projetos Ltda., especialmente ao pessoal da 
área de Geoprocessamento (Juliana, Alisson, Francelino e 
Osmar), pelo apoio no desenvolvimento dos trabalhos. 

- A Julio Cesar de Moura-Leite, curador da coleção de 
herpetologia do Museu de História Natural Capão da Imbuia 
em Curitiba, pela sua pronta disposição para o tombamento e 
auxílio na identificação de espécimes provenientes dos 
estudos conduzidos. 

Por fim, agradecemos o apoio de todos os colaboradores 
e auxiliares, moradores das comunidades quilombolas ribeirinhas 
do rio Trombetas, que nos acompanharam nas fases de campo. 
Sem eles seria impossível obter os resultados aqui apresentados. 







Autores e Vínculos Institucionais 


Sérgio Augusto Abrahão Morato (Editor) 1 
Guilherme Nunes Ferreira (Editor) 2 
Michela Rossane Cavilha-Scupino (Editora) 1 

Adriano Augusto Vilhena Martins 3 
Aline Peruchi 4 

Ana Lúcia da Costa Prudente 5 
Anderson Paz da Silva 
Daniel Sebastião Angelo Junior 1 
Davidson Clayton Azevedo Sodré 
Eliana Faria de Oliveira 6 
Fabrício Locatelli Trein 
Fernanda Stender de Oliveira 
Gleomar Fabiano Maschio 3 
Gradeie Aparecida Nogueira 
Ivan França e Souza 
João Fabricio de Melo Sarmento 5 
José Antônio Renan Bernardi 7 
Karina Lucas Silva-Brandão 4 
Lilian Freitas Bastos 
Lucas Reinert Laufer Pereira Mendes 
Luciano Martins Verdade 4 
Luciano Moreira Ceolin 1 
Magno Vicente Segalla 8 
Marcela Mainardes Tempo 
Maria Lindalva Soares da Silva 
Noemy Seraphim 9 10 
Phablo Ney Souza da Silva 
Pedro de Oliveira Calixto 
Rafael Silveira Ribeiro 1 
Raissa Fries Bressan 
Ramon Gomes 
Renato Neves Feio 10 
Ulisses Galatti 5 

Urubatan Moura Skerrat Suckow 1 
Victor Botelho Graça Veras Batista 
Vilmar Fernando Bueno Júnior 1 
Vinícius de Avelar São Pedro 11 


1. STCP Engenharia de Projetos Ltda. Curitiba, PR 

2. MRN-Mineração Rio do Norte. Porto Trombetas, Oriximiná, PA 

3. UFPA-Universidade Federal do Pará. Campi Soure/Marajó e Belém, PA 

4. CENA/USP-Centro de Energia Nuclear na Agricultura, Universidade de São Paulo. Piracicaba, SP 

5. MPEG-Museu Paraense Emílio Goeldi. Belém, PA 

6. UFMS-Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Campo Grande, MS 

7. IFPA-Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará, Campus Bragança, PA 

8. MHNCI-Museu de História Natural Capão da Imbuia. Curitiba, PR 

9. IFSP-Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, Campus Campinas, SP 

10. UFV-Universidade Federal de Viçosa, MG 

11. UFSCAR-Universidade Federal de São Carlos, Campus Lagoa do Sino. Buri, SP 


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Capítulo 1 


Levantamento, Distribuição e Hábitats dos 
Répteis da FLONA de Saracá-Taquera, Amazônia 
Central, Estado do Pará, Brasil 


Sérgio Augusto Abrahão Morato 
Guilherme Nunes Ferreira 
Fabrício Locatelli Trein 
Fernanda Stender de Oliveira 
Ana Lúcia da Costa Prudente 
Gleomar Fabiano Maschio 
Ulisses Galatti 
João Fabricio de Melo Sarmento 
Pedro de Oliveira Calixto 
Lucas Reinert Laufer Pereira Mendes 


Resumo 

A Floresta Nacional de Saracá-Taquera é uma Unidade de Conservação de 
Uso Sustentável localizada na Amazônia central e ao norte do rio 
Amazonas, na região conhecida como Escudo das Guianas. Estudos sobre 
a herpetofauna local, realizados desde 2004 para o Plano de Manejo da 
Unidade e para diversos processos de licenciamento de atividades de 
mineração de bauxita para a Mineração Rio do Norte, permitiram o 
registro local de 126 espécies de répteis, sendo 13 quelônios, quatro 
crocodilianos, 35 lagartos, quatro anfisbenas e 70 serpentes. A riqueza 
de répteis local é considerada elevada e típica de sistemas florestais 
densos da Amazônia central. A continuidade do estudo pode revelar a 
ocorrência de outras espécies locais. 

Abstract 

The Saracá-Taquera National Forest is a sustainable use conservation 
unit located in the central Amazon and north of the Amazon River, in the 
Guiana Shield region. Studies on the local herpetofauna carried out since 
2004 for the Unit Management Plan and for various licensing processes 
for bauxite mining activities for Mineração Rio do Norte allowed local 
registration of 126 species of reptiles, 13 of which were chelonians, four 
crocodilians, 35 lizards, four amphibians and 70 snakes. The local reptile 
richness is considered high and typical of dense forest Systems of central 
Amazónia. The continuity of the study may reveal the occurrence of other 
local species. 


1 



Introdução 

A Amazônia é um dos grandes centros tropicais de 
biodiversidade do globo, abrigando elevado número de espécies 
endêmicas (Ab'Sáber, 1996), i.e., espécies cujos limites de 
distribuição são coincidentes com o da Floresta Amazônica e 
outros ecossistemas exclusivos do bioma. 

A grande diversidade de espécies da Amazônia está 
associada à sua elevada variabilidade fitofisionômica, hídrica e 
climática, bem como a aspectos históricos de estruturação dessas 
condições. A heterogeneidade do hábitat ou diversidade 
estrutural cria uma alta variedade de nichos (s. Kloper & 
MacArthur, 1960; Pianka, 1994), que é apontada como um dos 
fatores preponderantes para explicar a grande diversidade de 
anfíbios e répteis em áreas tropicais (Vitt, 1996) e pela alta 
proporção de táxons confinados ao dossel médio e superior da 
floresta (ver Martins & Oliveira, 1998). 

A diversidade de ambientes presentes na Amazônia é um 
reflexo da história geológica particular do bioma e, também, 
função da influência dos ecossistemas circundantes. Variações 
existentes nas comunidades florísticas e faunísticas de diferentes 
porções do território são largamente conhecidas na literatura. 
Diversos autores reconhecem que a Amazônia é subdividida em 
diversas regiões ou Centros de Endemismo, os quais apresentam 
maior ou menor similaridade entre si conforme as composições 
de espécies e de endemismos que compõem cada região (e.g., 
Müller, 1973; Cracraft, 1985; Haffer & Prance, 2001; Silva etal., 
2005). 

No caso da porção localizada ao norte do rio Amazonas, a 
maior parte do território insere-se no contexto do Centro de 
Endemismo das Guianas, o qual é delimitado pelo oceano 
Atlântico a leste, pelo rio Orinoco a norte e a oeste, pelo rio 
Negro a sudoeste e pelo rio Amazonas ao sul (Hollowell & 
Reynolds, 2005; Silva et at., 2005). A herpetofauna de toda essa 
grande região é considerada como muito rica e portadora de 
diversos endemismos, alguns dos quais relacionados às 
formações vegetacionais que são estruturadas localmente de 
maneira exclusiva, entre as quais aquelas presentes em sistemas 
montanhosos isolados, em áreas campestres periodicamente 
inundadas e em campinaranas (Hoogmoed, 1973; Hollowell & 
Reynolds, 2005; Ávila-Pires etal., 2010). Somente para a região 
brasileira do Centro das Guianas estima-se a ocorrência de cerca 


2 



de 200 répteis, alguns dos quais ainda sem descrição (Hollowell 
& Reynolds, 2005; Ávila-Pires et al., 2010; Morato et al., 2014). 

No geral, a fauna de toda a grande região do Centro das 
Guianas é considerada como ainda em bom estado de 
conservação, decorrente da baixa densidade populacional 
humana e acessos limitados a muitas regiões (Hollowell & 
Reynolds, 2005). Na porção brasileira, esta situação é 
particularmente observada em função também da existência de 
Unidades de Conservação de grandes dimensões, a exemplo do 
Parque Nacional Montanhas de Tumucumaque no Amapá e da 
Reserva Biológica do Rio Trombetas e da FLONA de Saracá- 
Taquera no Pará. Contudo, muito embora estudos recentes 
tenham sido conduzidos nestas unidades e em algumas outras 
porções do Centro das Guianas no Brasil, o estado de 
conhecimento sobre a herpetofauna pode ser ainda considerado 
como incipiente, em especial no que tange às relações entre as 
espécies com a complexidade de ecossistemas existentes na 
região (Ávila-Pires et a!., 2007, 2010; Morato et al., 2014). 

A Floresta Nacional (FLONA) de Saracá-Taquera consiste 
em uma Unidade de Conservação (UC) de Uso Sustentável 
inserida no interflúvio dos rios Trombetas e Nhamundá, na 
porção Noroeste do Estado do Pará (Figura 1). A UC insere-se 
ainda na transição entre a planície Amazônica e o Escudo das 
Guianas, pertencendo assim ao contexto do Centro de 
Endemismo das Guianas. Estudos sobre a herpetofauna local vêm 
sendo conduzidos desde o ano de 2004, quando foi elaborado o 
primeiro Plano de Manejo da FLONA (STCP Engenharia de 
Projetos Ltda., 2004). A partir de 2007, diversos outros estudos, 
destinados ao licenciamento de empreendimentos minerários e 
monitoramentos, foram e/ou vêm sendo também conduzidos, 
resultando em um conjunto significativo de informações sobre a 
composição herpetofaunística regional. Mais recentemente, uma 
lista de répteis e anfíbios da UC foi apresentada por Morato et al. 
(2014), porém sem um detalhamento sobre os ambientes de 
ocorrência das espécies. Desde tal publicação, ainda, novos 
registros foram obtidos em função da continuidade dos estudos. 

Este trabalho apresenta uma atualização da lista de 
répteis registrados para a FLONA de Saracá-Taquera 
apresentada por Morato et al. (2014), bem como informações 
sobre os ambientes de ocorrência de cada espécie na UC. 


3 



Figura 1 - Localização da FLONA de Saracá-Taquera no Estado do 
Pará, Brasil. 



Material e Métodos 

O presente estudo consiste em uma compilação de 
informações obtidas a partir do levantamento bibliográfico, de 
resultados de inventários, monitoramentos e resgates da 
herpetofauna conduzidos para os processos de licenciamento 
ambiental dos empreendimentos da Mineração Rio do Norte 
(e.g., MRN, 2007a, 2007b, 2012, 2017), assim como para o 
Plano de Manejo da FLONA de Saracá-Taquera (STCP Engenharia 
de Projetos Ltda., 2004). Tais estudos foram conduzidos, em sua 
maioria, pelos autores do presente capítulo entre os anos de 


4 











2003 e 2004 e ininterruptamente a partir do ano de 2007, 
perfazendo portanto 12 anos de amostragens locais. 

Os métodos de coleta e observação de espécimes foram 
diversos e com esforços diferenciados segundo cada estudo (ver, 
por exemplo, os capítulos 3, 4, 6 e 7 deste livro), não sendo aqui 
detalhados. Em geral, contaram com busca ativa em trilhas, 
coletas por terceiros e, na maioria dos casos, com uso de 
armadilhas de barreira e queda. Espécimes obtidos encontram-se 
depositados nas coleções herpetológicas do Museu Paraense 
Emílio Goeldi em Belém-PA, do Museu de História Natural Capão 
da Imbuia em Curitiba-PR e da Universidade de Brasília-DF. Este 
material foi reavaliado posteriormente ao estudo de Morato et at. 
(2014) com vistas à confirmação das espécies, sendo as 
eventuais modificações ou complementações apresentadas no 
presente estudo. 

Quanto à distribuição das espécies segundo diferentes 
ambientes, foram consideradas as fitofisionomias, tipos de cursos 
d'água e formações geomorfológicas presentes na FLONA. Para 
efeitos desse estudo, os ambientes foram categorizados em: 

a) Formações vegetacionais: i) Floresta de Terra Firme 
(FTF), incluindo as variações de Floresta Ombrófila Densa 
Submontana, Floresta Ombrófila Densa das Terras Baixas 
e Floresta Ombrófila Aberta; ii) Floresta Inundável (FIN), 
também denominada como Floresta Ombrófila Densa 
Aluvial ou Igapó; iii) Campinas e Campinaranas (CAM); e 
iv) Formações Pioneiras de Influência Fluvial (FPF), 
geralmente estabelecidas em planícies marginais a 
grandes rios e também denominadas na região como 
várzeas, banhados ou chavascais. 

b) Formações Geomorfológicas: na FLONA e seu entorno, as 
formações geomorfológicas existentes são as seguintes: 
i) Platôs (PLT), que consistem em áreas elevadas e 
planas com altitudes variando entre 130 a 180 metros; ii) 
Encostas (ENC), áreas íngremes margians aos platôs com 
declividades iguais ou superiores a 30%; iii) Baixios 
(BAX), que consistem em áreas planas localizadas em 
altitudes inferiores a 100 metros, em geral localizadas 
entre platôs e comportando igarapés e vegetação de 
terras baixas; e iv) Planícies Aluviais (PLN), que 
consistem em extensas áreas planas próximas aos 
grandes rios locais. 


5 



c) Tipos de ambientes aquáticos: i) Igarapés (IGR), que 
consistem em pequenos cursos d'água em meio a 
florestas; ii) Rios (RIO), que abrangem os grandes cursos 
d'água locais (rios Trombetas e Nhamundá); iii) Lagos 
(LAG), que abrangem grandes áreas marginais aos rios e 
apresentam águas predominantemente lênticas. 

Resultados e Discussão 

Por ocasião da publicação do "Guia Fotográfico de 
Identificação da Herpetofauna da Floresta Nacional de Saracá- 
Taquera, Estado do Pará" (Morato et ai, 2014), um total de 123 
espécies de répteis foi registrado para a Unidade de 
Conservação. Na época, os autores salientaram a possibilidade 
de ocorrência de outras espécies na região, tais como a serpente 
Oxyrhopus vanidicus, não apresentada no guia em si, porém 
computada no mesmo para a riqueza da FLONA. 

Passados pouco mais de três anos da publicação, pelo 
menos outras três espécies de répteis foram registradas na UC 
(média de uma nova espécie por ano), sendo duas serpentes e 
um lagarto. Desta forma, perfaz-se até o momento o registro de 
126 espécies de répteis para a FLONA, subdivididos em quatro 
crocodilianos da família Alligatoridae, 13 quelônios (sendo dois 
Testudinidae, um Geoemydidae, cinco Podocnemididae e cinco 
Chelidae), 35 lagartos (distribuídos em um Phyllodactylidae, 
cinco Sphaerodactylidae, um Gekkonidae, quatro Dactyloidae, 
um Iguanidae, um Polychrotidae, quatro Tropiduridae, um 
Mabuyidae, 11 Gymnophthalmidae e seis Teiidae), quatro 
anfisbenas (Amphisbaenidae) e 70 serpentes (sendo uma 
Anomalepididae, uma Leptotyphlopidae, uma Typhlopidae, uma 
Aniliidae, cinco Boidae, 17 Colubridae, 36 Dipsadidae, seis 
Elapidae e duas Viperidae). 

As novas ocorrências registradas para a FLONA consistem 
nas serpentes Thamnodynastes lanei (Dipsadidae) e Micrurus 
paraensis (Elapidae) e uma provável nova espécie de lagarto do 
gênero Gonatodes (Sphaerodactylidae), possivelmente 
pertencente ao grupo concinnatus (sensu Sturaro & Ávila-Pires, 
2011). O registro de T. lanei amplia a distribuição da espécie 
apresentada por Bailey et ai (2005) em mais de 120 km a oeste, 
tendo sido derivado de um único exemplar obtido a partir de 
atividades de resgates de fauna na FLONA. 


6 



Quanto a Gonatodes sp., dois espécimes foram obtidos 
também por operações de resgate de fauna (Figura 2). 
Entretanto, em função das licenças para o resgate exigirem a 
soltura de animais capturados que se encontrem em condições 
de sobrevivência, os técnicos que atuaram nas atividades 
acabaram por soltar os espécimes, efetuando apenas a tomada 
das fotografias que ilustram o presente trabalho. Desta forma, 
coletas são necessárias para que se possa realizar a descrição 
formal da espécie com base em exemplares-tipo. Recomenda-se 
fortemente que as ações de resgate de fauna, realizadas na 
FLONA e em todo o país, permitam o colecionamento de 
espécimes de difícil identificação em campo com vistas à 
ampliação do conhecimento científico sobre a biodiversidade 
brasileira (e.g., Rodrigues, 2006; Marini & Marinho-Filho, 2006). 


Figura 2 - Exemplar de espécie ainda não descrita do gênero 
Gonatodes (possivelmente pertencente ao grupo concinnatus) 
registrada na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 



Legenda: A) Vista dorso-lateral do espécime capturado; B) Vista ventral (Fotos: Equipe da FIT - 
Faculdades Integradas do Tapajós). 


A Tabela 1 apresenta a lista de répteis registrados para a 
FLONA de Saracá-Taquera, acompanhadas de informações sobre 
as formações vegetacionais, geomorfológicas e/ou tipos de 
recursos hídricos aonde cada espécie foi até o momento 
encontrada. Ilustrações das espécies podem ser verificadas em 
Morato et al. (2014). 


7 


Tabela 1 - Répteis registrados para a FLONA de Saracá-Taquera, 
Estado do Pará, Brasil, e respectivas formações vegetacionais, 
formações geomorfológicas e tipos de ambientes aquáticos com 
ocorrências registradas. 



8 




9 




TÁXON 

Formações 

Vegetacionais 

Formações 

Geomorfológicas 

Ambientes 

Aquáticos 

Boidae 

Boa constrictor 

FTF, FIN, CAM, FPF 

PLT, ENC, BAX, PLN 

- 

Corallus caninus 

FTF 

PLT, ENC 

- 

Corallus hortulanus 

FTF, FIN 

PLT, ENC, BAX 

- 

Epicrates cenchria 

FTF 

PLT, ENC, BAX 

- 

Eunectes mu ri nus 

FIN, FPF 

BAX, PLN 

IGR, RIO, LAG 


Colubridae 


Chironius carinatus 

FTF 

PLT, ENC, BAX 

- 

Chironius exoletus 

FTF 

PLT, ENC, BAX 

- 

Chironius fuscus 

FTF 

PLT, ENC, BAX 

- 

Chironius multiventris 

FTF 

PLT 

- 

Chironius scurrulus 

FTF 

PLT 

- 

Dendrophidion dendrophis 

FTF 

PLT, ENC 


Drymarchon corais 

FTF, FIN, CAM, FPF 

PLT, ENC, BAX, PLN 

- 

Drymoluber dichrous 

FTF 

PLT, BAX 

- 

Leptophis ahaetulla 

FTF, FIN 

PLT, BAX 

- 

Mastigodryas boddaerti 

FTF, CAM, FPF 

PLT, ENC, PLN 

- 

Oxybelis aeneus 

FTF 

PLT, ENC, BAX 

- 

Oxybelis fulgidus 

FTF 

PLT, ENC, BAX 

- 

Phrynonax poecilonotus 

FTF, FIN 

PLT, BAX 

- 

Rhynobothryum lentiginosum 

FTF 

PLT, BAX 

- 

Spilotes sulphureus 

FTF, FIN, CAM, FPF 

PLT, ENC, BAX, PLN 

- 

Spilotes pullatus 

FTF, FIN 

PLT, ENC, BAX 

- 

Tantila melanocephala 

FTF 

PLT, BAX 

- 


Dipsadidae 


Apostolepis nigrolineata 

FTF 

PLT 

- 

Atractus major 

FTF 

PLT 

- 

Atractus schach 

FTF 

PLT 

- 

Atractus snethlegeae 

FTF 

PLT, ENC 

- 

Atractus torquatus 

FTF 

PLT 

- 

Clelia delia 

FTF 

PLT 

- 

Dipsas catesbyi 

FTF 

PLT, ENC, BAX 

- 

Dipsas indica 

FTF 

PLT 

- 

Drepanoides anomalus 

FTF 

PLT 

- 

Erythrolamprus aesculapii 

FTF 

PLT, ENC, BAX 

- 

Erythrolamprus pygmaeus 

FTF, FIN 

PLT, BAX 

- 

Erythrolamprus reginae 

FTF, FIN, CAM, FPF 

PLT, ENC, BAX, PLN 

- 

Erythrolamprus taeniogaster 

FIN 

BAX, PLN 


Erythrolamprus typhlus 

FTF, FIN, FPF 

PLT, ENC, BAX, PLN 

- 

Helicops angulatus 

FIN, FPF 

BAX, PLN 

IGR, LAG 

Helicops leopardinus 

FIN, FPF 

BAX, PLN 

IGR, LAG 

Hydrodynastes gigas 

FPF 

PLN 

RIO, LAG 

Hydrops martii 

FIN, FPF 

BAX, PLN 

IGR, LAG 

Imantodes cenchoa 

FTF 

PLT, ENC, BAX 

- 

Leptodeira annulata 

FTF, CAM 

PLT, ENC, BAX 

- 

Oxyrhopus occipitalis 

FTF 

PLT 

- 


10 




Legenda: Formações vegetacionais: FTF - Florestas de Terra Firme; FIN - Florestas Inundáveis; 
CAM - Campinas e Campinaranas; FPF - Formações Pioneiras de Influência Fluvial; Formações 
Geomorfológicas: PLT - Platôs; ENC - Encostas; BAX - Baixios; PLN - Planície Aluvial; Cursos 
d'Água: IGR - Igarapés; RIO - Rios; LAG - Lagos. 


A análise da Tabela 1 demontra que, a partir dos dados 
obtidos ao longo dos estudos realizados, a maior riqueza de 
répteis da FLONA é associada à Floresta de Terra Firme (Figura 
3). Pelo menos 101 espécies (valor equivalente a 80,2% da 
riqueza total da UC) são encontradas nesta fitofisionomia. Esta 
condição se deve, em parte, ao fato de que o maior volume dos 
estudos conduzidos na FLONA foram realizados em locais aonde 
essa formação florestal é predominante, especialmente sobre os 
platôs aonde ocorre a exploração mineral. 

Após a Floresta de Terra Firme, as maiores riquezas de 
répteis são registradas, em ordem, nas Florestas Inundáveis (43 
espécies; 34,1% da riqueza da FLONA), Formações Pioneiras de 
Influência Fluvial (30 espécies; 23,8%) e Campinas e 
Campinaranas (15 espécies; 11,9%). É provável que esses 
valores sejam ampliados à medida em que novos estudos sejam 
conduzidos nessas fisionomias. Porém, a ordem dos valores 


ii 




segundo as tipologias deve refletir a distribuição da riqueza pelos 
diferentes ecossistemas locais. Deve-se considerar, por exemplo, 
a maior diversidade de substratos para espécies arborícolas e 
subterrâneas na Floresta de Terra Firme em relação às demais 
formações, que geralmente apresentam árvores mais finas e 
esparças, solos desprovidos de serapinheira e/ou são sujeitas a 
inundações periódicas, condições que limitam a disponibilidade 
de hábitats a tais espécies (e.g., Zimmerman & Rodrigues, 1990; 
Strussmann & Sazima, 1993; Martins & Oliveira, 1998). Além 
disso, deve-se considerar que a Floresta de Terra Firme abrange 
o sistema de maiores dimensões da região, denotando uma 
relação positiva entre área e riqueza. 

Figura 3 - Riqueza de répteis segundo diferentes formações 
vegetacionais presentes na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do 
Pará, Brasil. 



FTF FIN CAM FPF 


Legenda: FTF - Floresta de Terra Firme; FIN - Floresta Inundável; CAM - Campinas e 
Campinaranas; FPF - Formações Pioneiras de Influência Fluvial. 


Em relação às formações geomorfológicas, as maiores 
riquezas são registradas sobre os platôs da FLONA (98 espécies, 
valor equivalente a 77,8% do total registrado para a UC). 
Também nesse caso deve-se considerar que os platôs consistem 
nos locais com maior esforços de coletas na região. Essa unidade 
geomorfológica é seguida pelos baixios (com 83 espécies; 
65,9%), pelas encostas (58 espécies; 46%) e, finalmente, pelas 
planícies aluviais (32 espécies; 25,4%) (Figura 4). 


12 










Considerando haver uma continuidade fisionômica ao 
longo do gradiente ambiental entre o topo dos platôs, as 
encostas e os baixios da FLONA (em geral recobertos por Floresta 
de Terra Firme, muito embora nos baixios essa formação se 
mescle com as Florestas Inundáveis), é provável que muitas das 
espécies atualmente registradas apenas sobre os platôs ocorram 
também nessas outras duas formações geomorfológicas. 
Entretanto, observações de campo efetuadas nas encostas 
demonstram que estas apresentam em geral menor cobertura 
vegetal e alta incidência de áreas abertas, decorrentes de menor 
profundidade do solo (o que limita o desenvolvimento da 
vegetação) e de deslizamentos naturais decorrentes da 
declividade acentuada em diversos locais. Desta forma, a menor 
riqueza registrada nas encostas em relação aos baixios pode 
deter uma condição natural, não sendo necessariamente 
decorrende de falhas amostrais. Além disso, deve-se considerar 
que os baixios, ao contemplarem uma situação de transição entre 
as Florestas de Terra Firme e a Inundável, contempla espécies 
exclusivas e associadas a ambientes úmidos e alagáveis, a 
exemplo de quelônios aquáticos, do lagarto Neusticurus 
ecpteopus e das serpentes dos gêneros Heticops e Hydrops. 


Figura 4 - Riqueza de répteis segundo diferentes formações 
geomorfologicas presentes na FLONA de Saracá-Taquera, Estado 
do Pará, Brasil. 



Legenda: PLT - Platôs; ENC - Encostas; BAX - Baixios; PLN - Planícies aluviais. 


13 










Em relação às encostas, ainda, deve-se salientar que, 
embora estas encontrem-se em posição intermediária entre os 
baixios e o topo dos platôs, muitas espécies devem apenas 
transpor as mesmas durante deslocamentos, não chegando a se 
estabelecer localmente. Esse parece ser o caso das espécies de 
jacarés do gênero Pateosuchus e do quelônio Rhynoclemmys 
punctularia, os quais são encontrados em poças temporárias 
sobre os platôs durante a estação chuvosa, retornando aos 
igarapés por ocasião da estiagem (e.g., Morato et al., 2011). As 
encostas, por sua conformação íngreme, não permitem a 
formação desse tipo de ambiente, limitando portanto sua 
ocupação por essas espécies. Por sua vez, os registros dos 
lagartos aquáticos Neusticurus rudis e Crocodilurus amazonicus 
devem-se à presença de nascentes dos igarapés nas mesmas 
(ver Capítulo 3). 

Quanto às planícies aluviais, a maior parte da 
herpetofauna presente nas mesmas abrange espécies aquáticas 
(em especial aquelas associadas a lagos e a grandes rios), por 
espécies associadas a ambientes abertos periodicamente 
alagáveis e/ou a espécies com ampla distribuição pelos tipos de 
formações vegetacionais (ver Tabela 1). 

Quanto às espécies aquáticas, por fim, as mesmas 
perfazem um total de 24 espécies (19% da riqueza da FLONA), 
valor que indica a relevância dos ecossistemas aquáticos para a 
conservação da herpetofauna regional. Considerando os três 
tipos de ambientes aquáticos, verifica-se que os lagos agregam a 
maior riqueza (18 espécies; 75% do total de répteis aquáticos 
regionais e 14,3% da riqueza total de espécies). Dentre as 
espécies registradas para este tipo de ambiente, apenas uma 
(Podocnemis erythrocephata) é registrada exclusivamente para o 
mesmo; as demais espécies ocorrem também nos grandes rios 
locais e/ou nos igarapés, com destaque aos primeiros (Tabela 1). 

Segundo Rueda-Almonacid et al. (2007), o hábitat de 
Podocnemis erythrocephata consiste em geral em lagos marginais 
a grandes rios das bacias do Negro e do terço superior do 
Amazonas, muito embora possa ser também encontrada em 
pequenos tributários (ver Capítulo 6). A espécie apresenta 
populações disjuntas ao longo de sua distribuição, sendo possível 
que os indivíduos se desloquem pelos rios durante períodos 
reprodutivos. Esta condição ainda demanda estudos, porém, caso 
confirmada, determinará a presença da espécie em outros 
ambientes aquáticos distintos. 


14 



Já quanto aos grandes rios locais, os mesmos consistem 
no hábitat de 15 espécies (62,5% do total de espécies aquáticas 
e 11,9% do total geral da FLONA). Não há nenhuma espécie 
exclusiva desse tipo de ambiente, sendo que a maioria, conforme 
citado acima, habita também os lagos regionais. 

Quanto aos igarapés, por fim, os mesmos são habitados 
por 16 espécies (66,7% do total de espécies aquáticas e 12,7% 
do total geral da FLONA). Dentre estas, quatro ( Neusticurus 
ecpteopus, N. rudis, Crocodilurus amazonicus e Micrurus 
surinamensis) são até o momento registradas apenas para este 
tipo de ambiente. É possível que tal condição se deva a lacunas 
amostrais nas demais condições (especialmente considerando-se 
a ampla distribuição de C. amazonicus e M. surinamensis), sendo 
a mesma ainda sujeita a confirmação em estudos futuros. 

A Figura 5 apresenta a incidência das espécies aquáticas 
segundo as três categorias de ambientes presentes na FLONA e 
em seu entorno. 

Figura 5 - Riqueza de répteis segundo diferentes tipos de 
ambientes aquáticos presentes na FLONA de Saracá-Taquera e 
seu entorno. Estado do Pará, Brasil. 



RIO IGR LAG 


Legenda: RIO - Grandes rios; IGR - Igarapés; LAG - Lagos. 


15 










Conclusões 


Os estudos sobre a herpetofauna da FLONA de Saracá- 
Taquera, conduzidos ao longo de 12 anos de amostragem, 
indicam uma elevada diversidade de répteis, com 126 espécies 
registradas, perfazendo mais de 60% da riqueza total para a 
região Amazônica brasileira inserida no Centro das Guianas. 
Esses números possivelmente apresentarão acréscimos na 
medida em que mais estudos forem conduzidos na região, como 
bem expressam os registros recentes de espécies ao longo dos 
últimos anos. 

Considerando que os esforços de pesquisas conduzidos 
na região foram concentrados em áreas de Floresta de Terra 
Firme estabelecida sobre o topo dos platôs, é possível também 
que o número de espécies a serem registradas em demais 
formações vegetacionais e/ou geomorfológicas venham também 
a apresentar acréscimos. De fato, os monitoramentos realizados 
nas diferentes formações consistem em importantes fontes de 
informação, devendo os mesmos ser desenvolvidos de maneira 
continuada em longo prazo e sendo ainda ampliados em função 
de outras atividades que têm sido estabelecidas na FLONA, a 
exemplo da exploração florestal. 

Quanto à presença da nova espécie de lagarto do gênero 
Gonatodes, deve-se salientar que a região da FLONA 
possivelmente permitirá registrar também outras espécies ainda 
desconhecidas no futuro. Pode-se, por exemplo, citar descrições 
relativamente recentes de outros répteis para a região, a 
exemplo da anfisbena Mesobaena rachicephala (descrita por 
Hoogmoed et at., 2009); de uma nova espécie de Alopogtossus, 
desembrado de A. angutatus e em processo de descrição (M. 
Ribeiro-Junior, em prep.), além também de outros grupos, a 
exemplo de anfíbios (ver capitulo 2). Nesse sentido, faz-se 
necessário que as atividades de pesquisa e monitoramento 
locais, bem como as operações de resgate de fauna, sejam 
acompanhadas da coleta de material com vistas à ampliação do 
conhecimento regional. 

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18 




Capítulo 2 


Levantamento, Distribuição e Hábitats dos 
Anfíbios da FLONA de Saracá-Taquera, 
Amazônia Central, Estado do Pará, Brasil 

Guilherme Nunes Ferreira 
Ulisses Galatti 
Magno Vicente Segalla 
Fernanda Stender de Oliveira 
Fabrício Locatelli Trein 
Renato Neves Feio 
Vinícius de Avelar São-Pedro 
Eliana Faria de Oliveira 
João Fabricio de Melo Sarmento 
José Antônio Renan Bernardi 
Sérgio Augusto Abrahão Morato 


Resumo 

A Floresta Nacional de Saracá-Taquera é uma Unidade de Conservação de 
Uso Sustentável localizada na Amazônia central e ao norte do rio 
Amazonas, na região conhecida como Escudo das Guianas. Estudos sobre 
a herpetofauna local, realizados desde 2004 para o Plano de Manejo da 
Unidade e para diversos processos de licenciamento de atividades de 
mineração de bauxita para a Mineração Rio do Norte, permitiram o 
registro local de 54 espécies de anfíbios, sendo 48 pertencentes à ordem 
Anura e quatro a Gymnophiona. A riqueza de anfíbios local representa 
aproximadamente 10% da estimativa mais recente do total de anfíbios 
conhecidos para a Amazônia. Pelo menos dois anuros, embora comuns na 
Unidade, consistem em espécies ainda não descritas. 

Abstract 

The Saracá-Taquera National Forest is a Sustainable Use Conservation 
Unit located in the central Amazon and north of the Amazon River, in the 
Guiana Shield region. Studies on the local herpetofauna, carried out since 
2004 for the Management Plan of the Unit and for several licensing 
processes of bauxite mining activities for Mineração Rio do Norte, allowed 
the local registration of 54 species of amphibians, 48 belonging to the 
order Anura and four to Gymnophiona. The local amphibian richness 
represents approximately 10% of the most recent estimate of total 
amphibians known to the Amazon. At least two anurans, though common 
in Unity, consist species not yet described. 


20 



Introdução 

A Floresta Amazônica apresenta uma das maiores 
diversidades herpetofaunísticas de todo o planeta (Ávila-Pires et 
at., 2007). Essa diversidade existe como função da enorme 
variedade de ambientes e da história complexa da região, a qual 
esteve sujeita a diversos pulsos climáticos e eventos geológicos 
que acabaram por gerar diversificação nos hábitats ao longo do 
tempo. Além disso, em função das grandes dimensões do bioma, 
a Amazônia também experimenta influências de diferentes 
ambientes circundantes nas composições faunísticas e florísticas 
ao longo dos seus ecótonos (e.g., Ab'Saber, 2002). 

A riqueza herpetofaunística da Amazônia ainda não é 
totalmente conhecida. Especificamente em relação aos anfíbios, 
por exemplo, até o final da década passada tinha-se o 
conhecimento da ocorrência de aproximadamente 350 espécies 
para o bioma (Ávila-Pires et al., 2010). Entretanto, este número 
vem sendo ampliado a cada ano, haja vista a descoberta e a 
descrição constantes de novas espécies em diversas regiões 
(e.g., Maciel & Hoogmoed, 2011, 2013; Lima et a!., 2014; Ferrão 
et al., 2018) e/ou pelo advento da biologia molecular, a qual tem 
revelado a existência de conjuntos de espécies em táxons 
previamente considerados como únicos (e.g., Fouquet et al., 
2014; Ferrão et al., 2016; Vacher et al., 2017). A estimativa 
mais recente é de que pelo menos 577 espécies sejam presentes 
na Amazônia como um todo (Godinho & Silva, 2018). 

A Floresta Nacional (FLONA) de Saracá-Taquera insere-se 
na Amazônia Central, estando ainda localizada ao norte do rio 
Amazonas (para caracterização mais detalhada, ver Capítulo 1). 
Nessa condição, a mesma faz parte do contexto do Escudo das 
Guianas, o qual, em termos biogeográficos, consiste em uma 
região de ocorrência de espécies faunísticas exclusivas, sendo 
por isso denominada de Área de Endemismos das Guianas (e.g., 
Cracraft, 1985; Morrone, 1994). 

Segundo Silva et al. (2005), áreas de endemismo são 
importantes por serem consideradas como as menores unidades 
geográficas para análise de biogeografia histórica, sendo, 
portanto, a base para a formulação de hipóteses sobre os 
processos responsáveis pela formação da biota regional. Por sua 
vez, Silveira et al. (2010) salientam a importância da realização 
de inventários detalhados da flora e da fauna em locais bem 
definidos, de forma a ampararem os estudos em questão. 


21 



O presente estudo apresenta a lista de anfíbios até então 
conhecidos para a FLONA de Saracá-Taquera, bem como a 
correlação dessas espécies com diferentes tipos de ambientes 
ocorrentes nessa Unidade de Conservação. 

Material e Métodos 

O presente estudo consiste em uma revisão e atualização 
do levantamento de anfíbios apresentado para a FLONA por 
Morato et at. (2014). Conforme apresentado para répteis 
(Capítulo 1), este estudo apresenta uma compilação de 
informações oriundas de levantamento bibliográfico e de 
inventários, monitoramentos e resgates da herpetofauna 
conduzidos para os processos de licenciamento ambiental dos 
empreendimentos da Mineração Rio do Norte (e.g., MRN, 2007a, 
2007b, 2012, 2017) e, também, para o Plano de Manejo da 
FLONA de Saracá-Taquera (STCP Engenharia de Projetos Ltda., 
2004), perfazendo 12 anos de amostragens locais. 

Também conforme descrito no Capítulo 1, os métodos de 
coleta e observação de espécimes foram diversos e com esforços 
diferenciados segundo cada estudo, contando em geral com 
busca ativa em trilhas, coletas por terceiros e uso de armadilhas 
de barreira e queda. Espécimes obtidos encontram-se 
depositados nas coleções herpetológicas do Museu Paraense 
Emílio Goeldi em Belém-PA, do Museu de História Natural Capão 
da Imbuia em Curitiba-PR e da Universidade de Brasília-DF. 

Quanto à distribuição das espécies segundo diferentes 
ambientes, foram consideradas as tipologias vegetacionais e 
formações geomorfológicas presentes na FLONA. As categorias 
de ambientes definidas, similares ao estabelecido para répteis, 
são as seguintes: 

a) Formações vegetacionais: i) Floresta de Terra Firme 
(FTF), a qual inclui as variações de Floresta Ombrófila 
Densa Submontana, Floresta Ombrófila Densa das Terras 
Baixas e Floresta Ombrófila Aberta; ii) Floresta Inundável 
(FIN), também denominada como Floresta Ombrófila 
Densa Aluvial ou Igapó; iii) Campinas e Campinaranas 
(CAM); e iv) Formações Pioneiras de Influência Fluvial 
(FPF), geralmente estabelecidas em planícies marginais a 
grandes rios e também denominadas na região como 
várzeas, banhados ou chavascais. 


22 



b) Formações Geomorfológicas: na FLONA e seu entorno, as 
formações geomorfológicas existentes são as seguintes: 
i) Platôs (PLT), que consistem em áreas elevadas e 
planas com altitudes variando entre 130 a 180 metros; ii) 
Encostas (ENC), áreas íngremes marginais aos platôs 
com declividades iguais ou superiores a 30%; iii) Baixios 
(BAX), que consistem em áreas planas localizadas em 
altitudes inferiores a 100 metros, em geral localizadas 
entre platôs e comportando igarapés e vegetação de 
terras baixas; e iv) Planícies Aluviais (PLN), que 
consistem em extensas áreas planas próximas aos 
grandes rios locais. 

c) Tipos de ambientes aquáticos: i) Igarapés (IGR), que 
consistem em pequenos cursos d'água de classes 1 a 3 
em meio a florestas; ii) Rios (RIO), que abrangem cursos 
d'água a partir da classe 4 até os grandes rios locais 
(Trombetas e Nhamundá); iii) Lagos (LAG), que 
abrangem grandes áreas marginais aos rios e 
apresentam águas predominantemente lênticas. 

Resultados e Discussão 

Segundo Morato et al. (2014), um total de 52 espécies de 
anfíbios contava até aquela publicação com registros para a 
FLONA de Saracá-Taquera. Passados pouco mais de três anos, 
pelo menos outras duas espécies foram registradas (Rhinetta 
castaneotica e Leptodactytus paraensis), perfazendo portanto 
uma riqueza atual conhecida de 54 espécies. Este valor 
corresponde a 9,4% da riqueza de anfíbios conhecida para a 
Amazônia (Godinho & Silva, 2018). 

Segundo diferentes grupos, os anfíbios registrados para a 
FLONA subdividem-se em 50 espécies de 11 diferentes famílias 
de Anura e 4 espécies de 4 diferentes famílias de Gymnophiona. 
A ordem Caudata permanece sem representantes na região. 

A Tabela 1 apresenta a lista de espécies até então 
registradas para a Unidade de Conservação, correlacionando as 
mesmas às respectivas formações vegetacionais e 
geomorfológicas e tipos de ambientes aquáticos locais. 


23 



Tabela 1 - Anfíbios registrados na FLONA de Saracá-Taquera, 
Estado do Pará, Brasil, e respectivas formações vegetacionais, 
formações geomorfológicas e tipos de ambientes aquáticos com 
ocorrências de formas adultas. 



24 



TÁXON 

Formações 

Vegetacionais 

Formações 

Geomorfológicas 

Ambientes 

Aquáticos 

Adenomera hylaedactyla 

FTF, FIN 

PLT, ENC, BAX 

— 

Leptodactylus fuscus 

FTF, CAM, FPF 

PLT, BAX, PLN 

— 

Leptodactylus knudseni 

FTF, FIN 

PLT, ENC, BAX 

— 

Leptodactylus lineatus 

FTF, FIN 

PLT, ENC, BAX 

— 

Leptodactylus mystaceus 

FTF, FIN 

ENC, BAX 

— 

Leptodactylus paraensis 

FTF, FIN 

PLT, ENC, BAX 

— 

Leptodactylus pentadactylus 

FTF, FIN, FPF 

PLT, ENC, BAX, PLN 

— 

Leptodactylus leptodactyloides 

FTF, FIN, CAM, FPF 

PLT, ENC, BAX, PLN 

— 

Leptodactylus rhodomystax 

FTF, FIN 

PLT, ENC, BAX 

— 

Leptodactylus stenodema 

FTF, FIN 

PLT, ENC, BAX 

— 

Microhylidae 

Chiasmocleis shudikarensis 

FTF, FIN 

PLT, ENC, BAX 

— 

Synapturanus mirandaribeiroi 

FTF, FIN 

PLT, BAX 

— 

Pipidae 

Pipa pipa 

FIN, FPF 

BAX, PLN 

IGR, LAG 

Ranidae 

Lithobates palmipes 

FIN, FPF 

PLN 

RIO, LAG 

Strabomantidae 

Pristimantis sp. 

FTF 

PLT, ENC, BAX 

— 

Pristimantis zimmermanae 

FTF 

PLT, ENC, BAX 

— 

Gymnophiona 

Caeciliidae 

Caecilia tentaculata 

FIN 

BAX 

— 

Rhinatrematidae 

Rhinatrema ron 

FTF 

PLT, BAX 

— 

Siphonopidae 

Microcaecilia marvaleewakeae 

FTF 

PLT 

— 

Typhlonectidae 

Typhlonectes compressicauda 

FPF 

PLN 

LAG 


Legenda: Formações vegetacionais: FTF - Florestas de Terra Firme; FIN - Florestas Inundáveis; 
CAM - Campinas e Campinaranas; FPF - Formações Pioneiras de Influência Fluvial; Formações 
Geomorfológicas: PLT - Platôs; ENC - Encostas; BAX - Baixios; PLN - Planície Aluvial; Cursos 
d'Água: IGR - Igarapés; RIO - Rios; LAG - Lagos. 

Em relação à lista apresentada no guia de Morato et at. 
(2014), três espécies merecem correções quanto à identificação: 
a espécie Amazophrynella minuta corresponde a A. manaos 
(Figura 1), descrita por Rojas et al. (2014). Este registro amplia 
a distribuição conhecida da espécie em pouco mais de 200 km a 
leste. Já Vitreorana oyampiensis corresponde a V. ritae, 
conforme revisão apresentada por Cisneros-Heredia (2013). Por 
fim, Microcaecilia trombetas consiste na verdade a M. 
marvaleewakeae, descrita em período próximo à publicação do 
guia a partir de espécimes provenientes da FLONA de Saracá- 
Taquera (Maciel & Floogmoed, 2013). Microcaecilia trombetas, 
por sua vez, foi descrita a partir de um único espécime 
procedente da Floresta Estadual (FLOTA) Trombetas, localizada 

25 



no município de Óbidos a norte do rio Trombetas. Uma vez que a 
FLONA de Saracá-Taquera localiza-se ao sul deste rio, não se 
descarta a possibilidade do mesmo consistir em uma barreira 
geográfica entre as duas espécies. Esta condição denota a 
necessidade de estudos mais aprofundados. 


Figura 1 - Exemplar de Amazophrynella manaos registrado na 
FLONA de Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 



Legenda: A) Vista dorso-lateral; B) Vista ventral (Fotos: SAA Morato). 


Além das espécies acima, Morato et al. (2014) citam 
Pristimantis cf. zeuctotylus para a FLONA. Entretanto, uma 
análise comparada de espécimes coletados e de exemplares 
típicos da espécie nominal indicam que este Pristimantis consiste 
em uma espécie ainda não descrita, condição também 
sustentada por M. Floogmoed (inf.pess.). Assim, em conjunto 
com Allobates sp. (Figura 2), a espécie requer descrição formal. 


Figura 2 - Espécies não descritas de anfíbios registradas na 
FLONA de Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 



Legenda: A) Allobates sp.; B) Pristimantis sp. (Fotos: SAA Morato). 


26 











Em relação à distribuição segundo diferentes ambientes 
da FLONA, observa-se que a grande maioria das espécies ocorre 
em sistemas florestais. Das 54 espécies registradas, 42 (77,8%) 
ocorrem em Florestas de Terra Firme, enquanto 41 (75,9%) 
ocorrem em Florestas Inundáveis. Entretanto, embora com 
valores próximos, há diferenças na composição de cada um 
desses ambientes, com algumas espécies sendo exclusivas de 
cada um. Rhinella castaneotica, R. margaritifera, Dendrobates 
tinctorius, Pristimantis zimmermanae, Pristimatis sp., Rhinatrema 
ron e Microcaecilia marvaleewakeae foram até o momento 
registradas apenas na primeira tipologia, enquanto 
Dendropsophus marmoratus e Caecilia tentacutata foram 
restritas à segunda. Não se descarta a possibilidade de ocorrer 
ainda lacunas amostrais em relação a cada tipo de ambiente 
considerado. Entretanto, a ausência de registros na Floresta 
Inundável de algumas espécies bastante frequentes em 
amostragens, como Rhinella margaritifera e Pristimantis sp., 
sugere haver certa especificidade na ocupação dos hábitats. 

Quanto aos demais ambientes, os mesmos mostram-se 
menos ricos quanto à anurofauna. As áreas de Campinas e 
Campinaranas, por exemplo, contam com registros de apenas 
seis espécies (11,1%), enquanto as Formações Pioneiras de 
Influência Fluvial contam com 22 (40,7%). No primeiro caso, as 
ocorrências devem-se apenas a espécies de ampla distribuição 
geográfica e/ou com ocorrência em vários tipos de ambientes, 
sendo portanto um ecossistema de pequena relevância para a 
anurofauna. Já o segundo representa um ambiente com espécies 
exclusivas registradas ( Hypsiboas ornatissimus, H. raniceps, 
Lysapsus taevis e Typhionectes compressicauda ) ou de espécies 
compartilhadas apenas com a Floresta Inundável 
(Dendropsophus leucophyllatus, Hypsiboas tanciformis, 
Sphaenorhynchus lacteus, Pipa pipa e Lithobates paimipes). 

Em relação às diferentes formações geomorfológicas, 
observa-se que a maioria das espécies ocorre nas áreas de 
baixios (48 espécies; 88,9%). Esta é uma condição esperada, 
haja vista a concentração de recursos hídricos nesse local. A este 
ambiente seguem-se as áreas de topo dos platôs (com 37 
espécies; 68,5%) e de encostas (36 espécies; 66,7%). 

Por fim, a área das Planícies Aluviais contemplam 22 
espécies (40,7%), sendo estas as mesmas registradas para as 
Formações Pioneiras de Influência Fluvial, as quais são 
estabelecidas exatamente nesta formação geomorfológica. 


27 



As Figuras 3 e 4 apresentam a riqueza de anfíbios em 
diferentes formações vegetacionais e geomorfológicas na FLONA. 


Figura 3 - Riqueza de anfíbios segundo diferentes formações 
vegetacionais presentes na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do 
Pará, Brasil. 



Legenda: FTF - Floresta de Terra Firme; FIN - Floresta Inundável; CAM - Campinas e 
Campinaranas; FPF - Formações Pioneiras de Influência Fluvial. 


Figura 4 - Riqueza de anfíbios segundo diferentes formações 
geomorfológicas presentes na FLONA de Saracá-Taquera, Estado 
do Pará, Brasil. 


48 



PTL ENC BAX PLN 


Legenda: PLT - Platôs; ENC - Encostas; BAX - Baixios; PLN - Planícies aluviais. 


28 


















Em relação aos ambientes aquáticos, apenas quatro 
espécies habitam especificamente estes ambientes durante sua 
forma adulta ( Lysapsus laevis. Pipa pipa, Lithobates palmipes e 
Typhionectes compressicauda). As demais espécies, embora 
apresentem forte associação com os ambientes aquáticos 
durante eventos reprodutivos (especialmente aquelas associadas 
às Planícies Aluviais e às Fomações Pioneiras de Influência 
Fluvial), passam a maior parte de seu tempo associadas ao solo 
ou à vegetação, tendo em função disso sido aqui 
desconsideradas. 

Todas as quatro espécies aquáticas registradas são 
encontradas nos lagos da região. Por sua vez, apenas Lysapsus 
laevis e Lithobates palmipes foram até o momento encontradas 
também nas margens dos grandes rios locais, encontrando-se 
em geral junto a bancos de macrófitas flutuantes. Já nos 
igarapés, apenas Pipa pipa foi encontrada. 

Quanto a Typhionectes compressicauda, esta espécie 
contempla até o momento apenas um registro para FLONA. É 
possível que esta espécie, assim como Pipa pipa, possa ser 
também encontrada em outros ambientes. Ressalta-se a 
importância da continuidade do presente inventário para a 
elucidação dessas questões. 

Conclusões 

Assim como informado no estudo referente a répteis 
(Capitulo 1), os 12 anos de estudos sobre os anfíbios da FLONA 
de Saracá-Taquera indicam que esta Unidade de Conservação 
apresenta uma riqueza elevada de espécies, condizente com o 
padrão esperado para ambientes florestados da Amazônia 
Central. A continuidade dos estudos certamente deverá ampliar 
ainda mais esta riqueza, possivelmente permitindo inclusive a 
descoberta de outras novas espécies. 

Diferentemente do observado para répteis, cujo estudo 
demonstrou uma maior riqueza de espécies para o topo dos 
platôs e para os sistemas de Floresta de Terra Firme, os anfíbios 
mostraram valores mais significativos para as áreas de baixios, 
contemplando ainda valores bastante próximos entre este 
sistema florestal e a Floresta Inundável. Esta condição é 
esperada, haja vista a maior disponibilidade de recursos hídricos 
nos baixios, em especial durante períodos de estiagem. 
Recomenda-se, nesse sentido, que os futuros estudos sobre o 


29 



grupo avaliem, de maneira comparativa, a disponibilidade de 

sítios reprodutivos ao longo dos gradientes ambientais regionais. 

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30 



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31 







Capítulo 3 


Monitoramento da Herpetofauna das Áreas 
Florestais Adjacentes à Mineração de Bauxita 
na FLONA de Saracá-Taquera, Amazônia 
Central, Estado do Pará, Brasil 


Sérgio Augusto Abrahão Morato 
Guilherme Nunes Ferreira 
Michela Rossane Cavilha Scupino 
Lucas Reinert Laufer Pereira Mendes 
Maria Lindalva Soares da Silva 
Phablo Ney Souza da Silva 
Greciele Aparecida Nogueira 
Pedro de Oliveira Calixto 
Urubatan Moura Skerrat Suckow 
Vilmar Fernando Bueno Júnior 
Luciano Moreira Ceolin 
Ramon Gomes 


Resumo 

A bauxita é um minério encontrado em áreas elevadas, denominadas 
platôs, dentro da FLONA de Saracá-Taquera. No processo de extração 
desse mineral, toda a floresta ombrófila densa primária que recobre os 
platôs é removida, ficando apenas a vegetação existente nas encostas e 
baixios, áreas onde naturalmente ocorre o escoamento da água para os 
grandes rios regionais. Em larga escala espacial, observa-se então a 
formação de extensas clareiras abertas inseridas em uma matriz contínua 
de floresta nativa, uma nova realidade paisagística que carreia alteração 
ambiental em nível local (e.g. efeito de borda, riscos de erosão e de 
assoreamento de recursos hídricos). Esses impactos podem afetar a flora 
e fauna remanescente, exigindo, portanto, avaliações sistemáticas para a 
adoção de medidas de controle e mitigação. Entre 2015 e 2016 foram 
realizadas buscas ativas por anfíbios e répteis em 18 transectos de 4 km 
cada, instalados em áreas florestadas presentes em topo, encosta e 
baixio localizadas em cinco diferentes platôs. Os dados foram analisados 
tendo por base os valores de riqueza de espécies considerando diferentes 


33 



realidades: platôs com atividades de lavra, em recuperação e em 
condição primitiva. No final do estudo, foram amostrados 9.150 
indivíduos de 34 espécies de anfíbios (63% das 54 espécies registradas 
na FLONA) e 3.966 indivíduos de 72 espécies de répteis (57,1% das 126 
espécies). À primeira vista, os resultados sugerem que os impactos 
derivados da mineração pouco afetam a comunidade de anfíbios e répteis 
nos sistemas florestais adjacentes à área de lavra. As comunidades, 
quando da análise da separação das espécies por platô, condição 
topográfica ou nível de pressão, não expressaram qualquer diferença 
estatística significativa, indicando uma similaridade entre as 
comunidades. A única variação observada refere-se à composição de 
anfíbios nas parcelas de baixio, desigualdade que parece relacionada à 
maior amostragem de algumas espécies durante os seus períodos 
reprodutivos. 

Abstract 

Bauxite is an ore found on plateaus of the Saracá-Taquera National 
Forest. During mining activities, the primary dense ombrophilous forest 
that covers the piateaus is removed, leaving only existing vegetation on 
slopes and shallows, areas where naturally the water flows to the great 
regional rivers. At large spatial scale, it's possible to observe the 
formation of extensive open gaps embedded in a continuous matrix of 
native forest, a new landscape reality that generates environmental 
change at local levei {e.g. edge effects, erosion risks and silting of water 
resources). These impacts can affect the remaining flora and fauna, 
requiring, therefore, systematic evaluations for the adoption of control 
and mitigation measures. Between 2015 and 2016, amphibians and 
reptiles were actively searched in 18 transects of 4 km each, located in 
forests remnants present on top areas, slopes and shallows in five 
different plateaus. The data were analyzed based on the richness of 
species considering different realities: plateaus with mining activities, in 
recovery and in primitive condition. A total of 9,150 individuais from 34 
species of amphibians (63% of the 54 species registered in FLONA) and 
3,966 individuais from 72 reptile species (57.1% of 126 species) were 
sampled. The results suggest that the impacts derived from mining little 
affect the community of amphibians and reptiles in the forest Systems 
adjacent to the mining areas. The communities, when analyzing the 
separation of the species' composition by plateau, topographic condition 
or levei of pressure, did not express any significant statistical difference, 
indicating a similarity between the communities. The only variation 
observed is the composition of amphibians are in the lowland plots, an 
inequality that seems to be related to natural conditions due to the 
greater water availability in these environments. 


34 



Introdução 

Os impactos mais relevantes sobre a flora e a fauna de 
áreas afetadas por empreendimentos que requerem a supressão 
da cobertura vegetal, para sua instalação e operação, consistem 
na redução de habitats da área diretamente afetada e em seu 
entorno imediato (Sanchez, 2013). Pelas suas características 
técnicas, minerações em superfície e subsuperfície requerem 
inevitavelmente esta supressão, gerando, portanto, tais impactos 
de maneira também inevitável (Marini & Marinho-Filho, 2006). 

O licenciamento das atividades de mineração de bauxita 
na FLONA de Saracá-Taquera têm estabelecido a obrigatoriedade 
de realização de monitoramentos dos impactos do 
empreendimento sobre a fauna presente nos ecossistemas 
marginais às áreas de lavra. Ao se considerar que as áreas 
mineradas consistem em amplas clareiras artificiais dentro de 
uma matriz florestal, fenômenos como efeito de borda e riscos de 
processos erosivos e assoreamento de recursos hídricos são 
condições que podem interferir nas comunidades animais. Tais 
aspectos requerem avaliações sistemáticas, de forma a se 
estabelecer as medidas de controle de impactos e ações 
conservacionistas necessárias. 

As atividades de mineração de bauxita ocorrem 
exclusivamente em áreas mais elevadas da FLONA de Saracá- 
Taquera, denominadas de platôs. Tais áreas são naturalmente 
recobertas por florestas ombrófilas densas primárias, com pouca 
ou nenhuma alteração. Tais platôs são circunscritos em suas 
encostas também por florestas densas até as áreas de baixios, 
nos quais ocorrem recursos hídricos (igarapés) de primeira a 
terceira ordens, os quais desaguam em grandes rios regionais 
como o Trombetas ao norte e o Nhamundá ao sul. Nesses 
baixios, por sua vez, ocorrem mosaicos entre florestas densas e 
florestas aluviais, estas últimas geralmente estabelecidas em 
áreas mais úmidas e com alta densidade de palmeiras (Morato et 
at., 2014). A variação altitudinal entre os platôs e os baixios pode 
ultrapassar 150 metros. 

A variabilidade de ecossistemas existente ao longo do 
gradiente ambiental estabelecido desde o topo dos platôs até os 
baixios determina que a distribuição da herpetofauna não seja 
homogênea no contexto da FLONA, com espécies habitando 
apenas um ou outro ambiente. Ainda assim, tendências são 


35 



verificadas para determinadas espécies ou grupos (ver capítulos 
1 e 2). 

Este estudo apresenta os resultados de dois anos de 
monitoramento da herpetofauna presente em áreas florestadas 
adjacenses à mineração de bauxita na FLONA de Saracá- 
Taquera, Pará. O objetivo principal do projeto consistiu em 
avaliar o alcance dos impactos das atividades de mineração nas 
áreas de lavra sobre os anfíbios e répteis locais, tendo-se por 
base uma perspectiva da riqueza das comunidades de ambos os 
grupos nas diferentes condições da paisagem local (platôs 
íntegros, platôs sob exploração e platôs em recuperação em 
diferentes condições geomorfológicas, a saber, bordas de platôs, 
encostas de platôs e baixios). Tal avaliação, por sua vez, visa 
propor, se necessário, medidas de manejo com vistas à redução 
do impacto ambiental decorrente da mineração. 

Material e Métodos 

Considerando as possíveis variações naturais existentes 
nas composições herpetofaunísticas entre áreas de topo de 
platôs, suas encostas e baixios e de forma a se ter uma 
perspectiva de como as atividades minerárias podem afetar as 
composições faunísticas em cada um desses ambientes, a 
principal premissa adotada no presente estudo é que o mesmo 
fosse desenvolvido em uma região específica dentro da FLONA 
que contemple a diversidade de ambientes naturais de forma 
contígua, porém sujeitos a diferentes níveis de pressões (a 
saber, áreas marginais à lavra, áreas íntegras e áreas marginais 
a platôs em recuperação ambiental). Os trabalhos foram 
desenvolvidos de forma a avaliar, de maneira comparativa, a 
composição das comunidades herpetofaunísticas em cada uma 
dessas condições. 

Assim, para o desenvolvimento do estudo foi selecionada 
a região da microbacia do igarapé Saracá, contemplando platôs 
ainda íntegros (definidos como área controle), em operação e em 
recuperação. Tal área foi composta pelos platôs Monte Branco, 
Periquito, Papagaio, Saracá-Oeste e Cipó (Figura 1). 

O sistema de amostragem para a determinação das 
composições herpetofaunísticas da área em estudo valeu-se de 
unidades amostrais alocadas sistematicamente ao longo de 
transectos estabelecidos em áreas naturais dos platôs em 
questão, sendo dois conjuntos de três transectos adjacentes a 


36 



áreas em processo de lavra (dos quais dois estabelecidos sobre o 
topo dos platôs, dois em encostas e dois em baixios), dois 
conjuntos de três transectos adjacentes a áreas em recuperação 
e dois conjuntos em áreas naturais. No total, a área amostrai 
contemplou 18 transectos de 4km cada (perfazendo 72km de 
trilhas), com a seguinte disposição: 

Platô Cipó (CIP): 1 transecto sobre o platô, 1 na encosta 
e 1 no baixio adjacentes a áreas íntegras (controle); 

Platô Monte Branco (MB): 2 transectos no topo, 2 nas 
encostas e 2 em baixios, sendo um conjunto de três 
transectos adjacentes a áreas em lavra (MB1) e um em 
áreas íntegras (controle) (MB2); 

Platô Papagaio: 1 transecto no topo, 1 na encosta e 1 no 
baixio adjacentes a áreas em recuperação (PAP); 

Platô Periquito: 1 transecto no topo, 1 na encosta e 1 no 
baixio adjacentes a áreas em recuperação (PER); 

Platô Saracá-Oeste (SAC): 1 transecto no topo, 1 na 
encosta e 1 no baixio adjacentes a áreas em lavra. 

A coleta e observação de anfíbios e répteis ocorreu ao 
longo dos transectos de amostragem mediante o procedimento 
de busca ativa limitada por tempo. No total, quatro campanhas 
foram desenvolvidas ao longo de dois anos de estudo, sendo 
duas durante os períodos chuvosos e duas durante a estiagem. 
Em cada campanha percorreu-se a totalidade dos transectos em 
dois dias e duas noites, efetuando-se a busca por espécimes em 
todos os ambientes visivelmente acessíveis (Heyer et at., 1994; 
Franco & Salomão, 2002). A cada 500 metros, a busca foi 
intensificada durante 10 minutos, nos quais efetuou-se a busca 
sob troncos e pedras, sob a serapilheira e sobre a vegetação 
(Heyer et a!., 1994; Franco & Salomão, 2002). Os horários de 
coleta ocorreram entre as 8:00h e 14:00h e entre as 16:00h e 
22:00h. Todos os registros de espécies foram anotados em 
conjunto com dados referentes à hora, ambiente, substrato e 
coordenadas (tomadas com auxílio de aparelho GPS). 

Os dados obtidos foram avaliados quanto à riqueza e à 
diversidade presentes em cada área, além da similaridade entre 
as mesmas. Nos casos de riqueza e diversidade, as análises 
foram realizadas mediante o emprego de curvas de acumulação 
de espécies (curvas de rarefação), de estimadores de riqueza 
não métricos como o Chao 2, Jackknife 2 e Bootstrap e utilização 


37 



do índice de Shannon. Já para a similaridade, foram utilizadas 
análises de Cluster e de "Nonmetric Multidimensional Scaling" 
(NMDS) para revelar a ordenação das parcelas diante da 
composição de espécies. A ordenação foi feita utilizando-se uma 
matriz de dados de presença e ausência, resultado do cálculo do 
índice de Similaridade de Jaccard. 

As possíveis similaridades na composição de espécies 
entre os ambientes foram estatisticamente avaliadas mediante o 
teste de similaridade ANOSIM (Clarke & Warwick, 2001) que, a 
partir de um valor de correlação, permite observar diferenças nos 
ambientes em função da composição de espécies. A análise 
NMDS e o teste ANOSIM foram realizados com auxílio do 
software PAST® (Hammer etal., 2001). 


Figura 1 - Platôs e transectos de amostragem definidos para o 
monitoramento de impactos da mineração na FLONA de Saracá- 
Taquera, Estado do Pará, Brasil. 



38 













Resultados e Discussão 

Os estudos desenvolvidos com a herpetofauna durante o 
monitoramento de impactos da mineração, considerando dois 
anos de monitoramento, contabilizaram um total de 9150 
indivíduos de 34 espécies de anfíbios (riqueza esta equivalente a 
63% do total das 54 espécies do grupo registrado para a FLONA; 
ver capítulo 2) e 3966 indivíduos de 72 espécies de répteis 
(57,1% da riqueza da unidade; 126 espécies - ver capítulo 1). 
Todos os anfíbios registrados pertencem à ordem Anura, 
enquanto os répteis subdividem-se em três quelônios, três 
crocodilianos, uma anfisbena, 24 lagartos e 41 serpentes. As 
espécies registradas e as abundâncias obtidas para cada uma 
(total) encontram-se expressas nas Tabelas 1 e 2. 

A Tabela 3 apresenta uma síntese dos valores de riqueza, 
abundância, diversidade e equitabilidade obtidos para anfíbios e 
répteis em cada uma das campanhas, para os dois anos 
individualmente e consolidados para todo o período amostrai. 

Com base na riqueza e abundância por espécie ao longo 
de todo o período amostrai, os índices de Diversidade de 
Shannon (H) são iguais a 2,613 para anfíbios e 1,502 para 
répteis. Quanto à Equitabilidade (J), para anfíbios o valor obtido 
foi 0,741 (indicando certa homogeneidade dos dados referentes 
às diferentes espécies), enquanto para répteis o valor foi 0,3513 
(denotando alta heterogeneidade, derivada especialmente do alto 
valor para poucas espécies de répteis em contraposição a uma 
elevada riqueza de espécies raras) (Melo, 2008). 

Em relação aos dois anos de monitoramento realizados, 
no primeiro obteve-se o registro de 6174 indivíduos de 31 
espécies de anfíbios (67,5% da abundância e 91,2% da riqueza 
verificada para o grupo ao longo de todo o período de estudo) e 
1855 indivíduos de 56 espécies de répteis (46,8% da abundância 
e 77,7% da riqueza, respectivamente), enquanto no segundo 
obteve-se 2976 indivíduos também de 31 espécies de anfíbios 
(32,5% da abundância e 91,2% da riqueza) e 2111 indivíduos de 
55 espécies de répteis (53,2% da abundância e 76,4% da 
riqueza, respectivamente) (Figura 2). Desta forma, verifica-se 
que, embora a abundância tenha sido variável segundo os dois 
grupos entre os dois anos de monitoramento, a riqueza 
permaneceu similar, embora tenha contemplado espécies 
diferentes em cada ano. 


39 



Tabela 1 - Riqueza e abundância de anfíbios registradas por transecto e total durante as quatro 
campanhas de monitoramento do impacto da mineração na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do Pará, 
Brasil. 











CIP 

B 

CIP 

E 

CIP 

T 

MB1 

B 

MB1 

E 

MB1 

T 

MB2 

B 

ANURA 








Aromobatidae 








Allobates femoralis 

2 

4 

0 

0 

2 

12 

2 

Allobates sp. 

48 

31 

7 

87 

18 

15 

22 

Anomaloglossus cf. 

43 

o 

3 

43 

9 

3 

o 

baeobatrachus 








Bufonidae 

Amazophrynella manaos 

11 

3 

0 

40 

2 

1 

0 

Rhinella castaneotica 

10 

2 

0 

10 

20 

10 

11 

Rhinella margaritifera 

20 

5 

9 

211 

70 

9 

39 

Rhinella marina 

4 

7 

0 

0 

2 

0 

0 

Centrolenidae 

Vitreorana ritae 

13 

0 

0 

2 

1 

0 

16 

Dendrobatidae 

Dendrobates tinctorius 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

Hylidae 

Dendropsophus minutus 

0 

0 

0 

84 

0 

0 

0 

Hypsiboas boans 

0 

0 

0 

3 

0 

0 

0 

Hypsiboas cinerascens 

35 

0 

0 

123 

0 

0 

15 

Hypsiboas geographicus 

0 

0 

0 

40 

2 

0 

6 

Osteocephalus oophagus 

Al 

57 

67 

69 

58 

90 

137 

Osteocephalus ta uri nus 

11 

7 

52 

18 

2 

15 

31 

Scinax ruber 

0 

0 

0 

13 

0 

2 

0 

Trachycephalus resinifictrix 

11 

11 

21 

9 

10 

13 

7 

Leptodactylidae 

Adenomera andreae 

132 

84 

88 

110 

191 

154 

41 

Adenomera hylaedactyla 

19 

16 

6 

79 

54 

22 

37 

Leptodactylus knudseni 

4 

3 

2 

14 

4 

11 

3 

Leptodactylus lineatus 

0 

2 

3 

2 

0 

6 

0 

Leptodactylus mystaceus 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 


TRANSECTOS 

MB2 PAP PAP PAP PER PER PER SAC SAC SAC 
TBETBETBET 


22 

3 

1 

1 

2 

0 

1 

4 

2 

2 

64 

11 

31 

0 

4 

77 

8 

3 

43 

9 

6 

432 

0 

5 

0 

1 

58 

9 

1 

27 

5 

4 

211 


0 

9 

3 

0 

166 

1 

3 

96 

0 

0 

335 

0 

1 

4 

0 

44 

20 

5 

7 

2 

0 

146 

13 

68 

30 

21 

100 

30 

10 

65 

27 

17 

753 

0 

0 

2 

8 

2 

1 

0 

2 

2 

4 

34 


0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

41 

0 

0 

73 


0 

38 

0 

5 

0 

0 

33 

0 

2 

1 

80 


5 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

89 

3 

0 

0 

0 

1 

1 

0 

0 

0 

0 

8 

0 

148 

10 

45 

180 

0 

0 

61 

0 

0 

617 

0 

0 

1 

11 

6 

0 

0 

3 

0 

0 

69 

205 

204 

133 

176 

137 

34 

32 

76 

100 

166 

1931 

42 

33 

0 

30 

14 

7 

15 

12 

6 

39 

353 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

15 

8 

7 

15 

12 

5 

0 

0 

4 

2 

4 

153 


108 

221 

97 

79 

73 

53 

46 

42 

62 

154 

1749 

38 

71 

5 

15 

39 

11 

17 

33 

27 

78 

610 

12 

9 

7 

11 

1 

0 

22 

2 

0 

10 

115 

1 

0 

0 

3 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

18 

0 

5 

0 

0 

1 

4 

0 

1 

2 

0 

13 


4 

12 

0 

0 

0 

9 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

143 

19 

0 

14 

14 

43 

0 

0 

0 


40 




TRANSECTOS 


TÁXON N 


/ U/Y 

CIP 

B 

CIP 

E 

CIP 

T 

MB1 

B 

MB1 

E 

MB1 

T 

MB2 

B 

MB2 

E 

MB2 

T 

PAP 

B 

PAP 

E 

PAP 

T 

PER 

B 

PER 

E 

PER 

T 

SAC 

B 

SAC 

E 

SAC 

T 

IV 

Leptodactylus leptodactyloides 

0 

2 

2 

13 

0 

0 

2 

0 

1 

0 

0 

2 

2 

0 

0 

0 

0 

0 

24 

Leptodactylus paraensis 

0 

0 

1 

1 

0 

0 

2 

0 

0 

3 

0 

0 

0 

2 

0 

0 

0 

0 

9 

Leptodactylus pentadactylus 

62 

16 

32 

7 

29 

98 

31 

88 

162 

66 

38 

84 

13 

9 

12 

7 

8 

9 

771 

Leptodactylus rhodomystax 

0 

0 

0 

4 

2 

2 

2 

0 

0 

5 

0 

12 

4 

4 

9 

1 

1 

0 

46 

Leptodactylus fuscus 

3 

0 

0 

2 

1 

3 

1 

2 

2 

0 

0 

0 

1 

1 

2 

2 

1 

1 

22 

Leptodactylus stenodema 

3 

2 

0 

1 

2 

3 

0 

1 

4 

3 

1 

2 

2 

0 

5 

0 

1 

2 

32 

Phyllomedusidae 

Phyllomedusa bicolor 

6 

1 

3 

11 

0 

25 

6 

2 

24 

3 

0 

1 

3 

0 

0 

4 

0 

1 

90 

Phyllomedusa tomopterna 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

3 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

4 

Phyllomedusa vaillantii 

0 

0 

0 

0 

4 

0 

2 

0 

0 

8 

0 

0 

9 

0 

0 

2 

0 

0 

25 

Strabomantidae 

Pristimantis sp. 

8 

12 

2 

17 

10 

6 

7 

5 

13 

7 

2 

10 

4 

3 

1 

2 

6 

6 

121 

Pristimantis zimmermannae 

0 

8 

12 

13 

13 

3 

12 

4 

8 

15 

11 

12 

8 

5 

0 

1 

7 

5 

137 

Microhylildae 

Synapturanus mirandaribeiroi 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

RIQUEZA TOTAL 

20 

19 

16 

27 

22 

22 

22 

15 

20 

24 

16 

22 

26 

18 

17 

24 

19 

19 

34 

ABUNDÂNCIA TOTAL 

492 

273 

310 

1026 

506 

504 

432 

361 

685 

964 

360 

545 

952 

203 

217 

538 

272 

510 

9150 

DIVERSIDADE (S) 

2,436 

2,226 

2,046 

2,62 

2,114 

2,196 

2,402 

1,826 

2,094 

2,302 

1,837 

2,252 

2,388 

2,297 

2,357 

2,48 

1,995 

1,829 

2,613 

EQUABILIDADE (J) 

0,813 

0,756 

0,738 

0,795 

0,684 

0,710 

0,777 

0,674 

0,699 

0,724 

0,662 

0,728 

0,733 

0,795 

0,832 

0,780 

0,677 

0,621 

0,741 


Legenda: CIP: Platô Cipó; MB1: Platô Monte Branco, transecto 1; MB2: Platô Monte Branco, transecto 2; PAP: Platô Papagaio; PER: Platô Periquito; SAC: Platô Saracá; B: Transecto 
de Baixio; E: Transecto de Encosta; T: Transecto de Topo. 


41 




Tabela 2 - Riqueza e abundância de répteis registradas por transecto e total durante as quatro campanhas 
de monitoramento do impacto da mineração na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 











TRANSECTOS 











CIP 

B 

CIP 

E 

CIP 

T 

MB1 

B 

MB1 

E 

MB1 

T 

MB2 

B 

MB2 

E 

MB2 

T 

PAP 

B 

PAP 

E 

PAP 

T 

PER 

B 

PER 

E 

PER 

T 

SAC 

B 

SAC 

E 

SAC 

T 


TESTUDINES 




















Testudinidae 




















Chelonoidis carbonarius 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

2 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

4 

Chelonoidis denticulatus 

0 

1 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

2 

0 

6 

Geoemydidae 

Rhinoclemmys punctularia 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

2 

0 

0 

0 

0 

0 

2 

CROCODYLIA 




















Alligatoridae 




















Caimart crocodilus 

1 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

4 

0 

0 

0 

0 

0 

6 

Paleosuchus palpebrosus 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

Paleosuchus trigonatus 

2 

0 

0 

4 

0 

0 

0 

0 

0 

7 

0 

1 

0 

0 

0 

8 

0 

0 

22 

SQUAMATA 




















Amphisbaenia 




















Amphisbaenidae 




















Amphisbaena vanzolinii 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

Lagartos 




















Dactyloidae 




















Dactyloa punctata 

1 

0 

1 

0 

2 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

5 

1 

0 

0 

10 

Norops fuscoauratus 

27 

8 

20 

24 

19 

35 

12 

14 

31 

31 

23 

23 

9 

26 

26 

6 

9 

7 

350 

Norops chrysolepis 

4 

3 

3 

4 

4 

6 

8 

9 

3 

7 

3 

2 

0 

2 

4 

2 

1 

1 

66 

Norops ortonii 

2 

0 

1 

0 

0 

5 

3 

0 

1 

0 

4 

4 

0 

0 

2 

0 

0 

0 

22 

Tropiduridae 

Plica plica 

5 

1 

3 

0 

1 

8 

2 

2 

7 

7 

6 

1 

3 

4 

4 

0 

3 

4 

61 

Plica umbra 

4 

1 

1 

0 

1 

3 

2 

1 

2 

1 

2 

9 

4 

4 

6 

4 

2 

1 

48 

Uranoscodon superciliosus 

2 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

4 

Gymnophthalmidae 

Alopoglossus angulatus 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

1 

0 

0 

2 

Arthrosaura reticulata 

0 

1 

1 

0 

4 

0 

0 

2 

1 

2 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

1 

0 

13 

Leposoma guianense 

0 

2 

7 

1 

3 

5 

2 

1 

1 

13 

1 

0 

1 

2 

3 

0 

4 

3 

49 

Neusticurus ecpleopus 

0 

0 

0 

4 

0 

0 

1 

0 

0 

2 

0 

0 

0 

0 

0 

13 

0 

0 

20 

Neusticurus rudis 

0 

0 

0 

3 

0 

0 

0 

0 

0 

4 

2 

0 

0 

0 

0 

3 

0 

0 

12 

Tretioscincus agilis 

0 

0 

0 

3 

1 

0 

1 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

2 

1 

0 

9 


42 




TRANSECTOS 


rÁYO/v 



















N 


CIP 

B 

CIP 

E 

CIP 

T 

MB1 

B 

MB1 

E 

MB1 

T 

MB2 

B 

MB2 

E 

MB2 

T 

PAP 

B 

PAP 

E 

PAP 

T 

PER 

B 

PER 

E 

PER 

T 

SAC 

B 

SAC 

E 

SAC 

T 


Phyllodactylidae 

Thecadactylus rapicauda 

1 

2 

3 

1 

2 

1 

0 

0 

4 

4 

1 

12 

2 

2 

4 

2 

3 

0 

44 

Mabuydae 

Copeoglossum 

0 

0 

0 

2 

1 

1 

1 

0 

2 

0 

3 

3 

1 

6 

0 

0 

5 

0 

25 

nigropunctatum 




















Sphaerodactylidae 

Chatogekko amazonicus 

1 

0 

4 

1 

2 

2 

2 

1 

0 

3 

1 

2 

4 

1 

0 

1 

5 

8 

38 

Gonatodes annularis 

0 

0 

0 

1 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

2 

Gonatodes humeralis 

172 

133 

121 

121 

129 

236 

81 

159 

150 

168 

212 

309 

111 

234 

217 

55 

103 

69 

2780 

Pseudogonatodes guianensis 

0 

3 

9 

2 

0 

2 

0 

1 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

19 

Teiidae 

Ameiva ameiva 

1 

1 

14 

2 

1 

2 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

6 

1 

30 

Cnemidophorus cryptus 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

1 

0 

2 

Crocodilurus amazonicus 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

2 

Kentropyx ca Içara ta 

16 

5 

14 

22 

4 

3 

5 

9 

3 

3 

11 

2 

6 

5 

6 

6 

4 

3 

127 

Tupinambis teguixin 

0 

0 

0 

2 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

3 

0 

6 

Serpentes 




















Leptotyphlopidae 




















Epictia tenella 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

3 

Anyliidae 

Anylius scytale 

0 

0 

1 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

2 

Boidae 

Boa constrictor 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

2 

Corallus caninus 

0 

0 

2 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

1 

0 

5 

Corallus hortullanus 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

1 

1 

0 

0 

0 

2 

1 

0 

0 

0 

0 

6 

Colubridae 

Chironius fuscus 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

1 

1 

0 

0 

0 

1 

1 

1 

1 

0 

1 

0 

8 

Dendrophidion dendrophis 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

2 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

4 

Drymarchon corais 

0 

0 

1 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

2 

Drymoluber dichrous 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

2 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

2 

Mastigodryas boddaerti 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

2 

0 

0 

0 

2 

6 

Rhynobothryum 

0 

0 

2 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

4 

lentiginosum 




















Tantilla melanocephala 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

Dipsadidae 

Atractus snethiegeae 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 


43 





TRANSECTOS 


TÁXON N 


/ MA U/V 

CIP 

B 

CIP 

E 

CIP 

T 

MB1 

B 

MB1 

E 

MB1 

T 

MB2 

B 

MB2 

E 

MB2 

T 

PAP 

B 

PAP 

E 

PAP 

T 

PER 

B 

PER 

E 

PER 

T 

SAC 

B 

SAC 

E 

SAC 

T 

IV 

Dipsas catesbyi 

0 

0 

1 

0 

0 

1 

0 

0 

1 

1 

0 

3 

0 

0 

2 

0 

0 

2 

11 

Erythrolamprus pygmaeus 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

Erythrolamprus reginae 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

Drepanoides anomalus 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

1 

Helicops angulatus 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

2 

Helicops sp. 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

Hydrops martii 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

Hydrodynastes gigas 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

2 

Imantodes cenchoa 

1 

1 

2 

1 

7 

3 

0 

1 

3 

2 

3 

4 

4 

3 

2 

1 

1 

6 

45 

Leptodeira annulata 

1 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

3 

Oxyrhopus melanogenys 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

1 

Oxyrhopus occipitalis 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

Oxyrhopus vanidicus 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

Oxyrhopus sp. 

1 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

2 

Philodryas argentea 

1 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

3 

0 

0 

6 

Pseudo boa coro na ta 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

1 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

3 

Pseudoboa neuwiedi 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

2 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

3 

Siphlophis compressus 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

1 

Siphlophis cervinus 

0 

0 

1 

1 

1 

0 

0 

1 

0 

1 

0 

0 

5 

1 

1 

0 

0 

0 

12 

Taeniophallus nicagus 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

Elapidae 

Micrurus averyi 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

2 

Micrurus lemniscatus 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

3 

Micrurus hemprichii 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

3 

Micrurus paraensis 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

2 

Micrurus sp. 

0 

0 

0 

1 

0 

0 

1 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

2 

Viperidae 

Bothrops atrox 

2 

2 

0 

1 

0 

0 

1 

1 

0 

0 

0 

4 

0 

0 

0 

3 

3 

0 

17 

Lachesis muta 

0 

0 

0 

0 

0 

2 

0 

1 

2 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

0 

5 

RIQUEZA TOTAL 

21 

15 

25 

26 

21 

23 

22 

19 

20 

22 

16 

22 

23 

19 

16 

22 

23 

14 

72 

ABUNDÂNCIA TOTAL 

247 

165 

216 

207 

187 

322 

131 

209 

217 

263 

276 

387 

167 

298 

285 

117 

162 

110 

3966 

DIVERSIDADE (H) 

1,285 

0,949 

1,824 

1,693 

1,378 

1,201 

1,664 

1,1 

1,273 

1,498 

1,039 

0,995 

1,579 

0,999 

1,071 

2,1 

1,686 

1,524 

1,502 

EQUABILIDADE (J) 

0,422 

0,350 

0,567 

0,520 

0,452 

0,383 

0,538 

0,374 

0,425 

0,487 

0,375 

0,322 

0,504 

0,339 

0,386 

0,679 

0,538 

0,577 

0,351 


Legenda: CIP: Platô Cipó; MB1: Platô Monte Branco, transecto 1; MB2: Platô Monte Branco, transecto 2; PAP: Platô Papagaio; PER: Platô Periquito; SAC: Platô Saracá; B: Transecto 
de Baixio; E: Transecto de Encosta; T: Transecto de Topo. 


44 





Tabela 3 - Síntese dos valores de riqueza, abundância, 

diversidade (H) e equitabilidade (J) de anfíbios e répteis segundo 
diferentes períodos do monitoramento de impactos da mineração 
na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 



Quanto à diversidade segundo Shannon, para anfíbios o 
primeiro ano mostrou-se inferior (H = 2,366) em relação ao 
segundo (H = 2,547), não obstante a riqueza ser similar e a 
abundância ser mais de duas vezes superior. O menor valor 
deve-se essencialmente à maior heterogeneidade dos dados no 
primeiro ano, expressos pelo valor inferior de equitabilidade (J = 
0,6889 no primeiro ano e J = 0,7417 no segundo). Já para 
répteis, a condição se inverte, com a maior diversidade e maior 
valor de equitabilidade ocorrendo no primeiro ano (H = 1,643; J 
= 0,4080) em relação ao segundo (H = 1,289; J = 0,3217). 

Em relação às quatro campanhas de monitoramento 
(Figura 3), as condições observadas foram as seguintes. 

Para anfíbios, a primeira campanha foi responsável pelo 
registro de 4969 indivíduos (54,3% da abundância total), sendo 
seguida pela terceira campanha (1606 indivíduos; 17,6%), pela 
quarta (1370 indivíduos; 15%) e finalmente pela segunda (1205 
indivíduos; 13,2%). Já em relação à riqueza, a primeira e a 
terceira campanhas apresentaram 30 espécies ambas (valor 
equivalente a 88,2% da riqueza total ao longo do estudo), sendo 
seguidas pela segunda campanha (com 26 espécies; 76,5% da 
riqueza) e finalmente pela quarta (20 espécies; 58,8%). Desta 
forma, considerando-se que a primeira e a terceira campanhas 


45 







referem-se a períodos chuvosos, verifica-se que o grupo atende 
bem à sazonalidade da região, com as maiores riquezas e 
abundâncias nesse período sendo uma resposta direta à maior 
incidência de sítios reprodutivos (especialmente poças 
temporárias). Entretanto, em relação à diversidade, a segunda 
campanha apresentou o maior valor (H = 2,390) decorrente da 
maior homogeneidade dos dados (condição muitas vezes 
verificada em menores amostragens), sendo seguida pelas 
campanhas 3 (H = 2,351), 1 (H = 2,247) e 4 (H = 1,945). 


Figura 2 - Riqueza e abundância de anfíbios e répteis nos dois 
anos de monitoramento de impactos da mineração na FLONA de 
Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 



Para répteis, as campanhas apresentaram condições 
variáveis e distintas daquelas verificadas para anfíbios. As 
campanhas com maiores abundâncias foram, em ordem, as 
seguintes: quarta campanha (com 1216 indivíduos; 30,7% do 
total), segunda (1130 indivíduos; 28,5%), terceira (895, 22,6%) 
e finalmente a primeira (com 725 indivíduos; 18,2% do total). 
Desta forma, verifica-se que, em relação à abundância, os 
répteis prevaleceram nos períodos de estiagem, condição esta 
devida essencialmente à alta incidência de espécies de lagartos 
heliófilos. Já em relação à riqueza, entretanto, a primeira 
campanha foi a mais rica, com 44 espécies (valor equivalente a 
61,1% do total de espécies registradas para todo o período de 


46 





estudo), sendo seguida pela terceira campanha (com 42 
espécies; 58,3%) e em conjunto pela segunda e pela quarta 
campanhas (ambas com 39 espécies; 54,2%). Em relação à 
diversidade, por fim, os maiores valores foram verificados da 
primeira para a quarta campanha em sequência, sendo 
decorrentes da maior heterogeneidade dos dados ao longo das 
mesmas. 


Figura 3 - Riqueza e abundância de anfíbios e répteis nas quatro 
campanhas de monitoramento de impactos da mineração na 
FLONA de Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 


Riqueza - Anfíbios 


L ) k 


Riqueza - Répteis 


Abundância - Anfíbios 


LL 


■ Campanha 1 

■ Campanha 2 

■ Campanha 3 

■ Campanha 4 


Abundância - Répteis 



■ Campanha 1 

■ Campanha 2 

■ Campanha 3 

■ Campanha 4 



■ Campanha 1 

■ Campanha 2 

■ Campanha 3 

■ Campanha 4 


Pelos dados apresentados, observa-se uma condição 
inversa entre a riqueza e abundância dos répteis, explicada pela 
maior incidência de espécies de serpentes nos períodos 
chuvosos, naturalmente menos abundantes do que lagartos 
porém de maior facilidade amostrai nesses períodos (Martins & 
Oliveira, 1988), além de quelônios e crocodilianos que, nessa 
fase, se estabelecem em poças temporárias nos platôs, sendo 
assim facilmente registrados (Morato et al., 2011). No geral, 
portanto, a comunidade herpetofaunística analisada encontra-se 
em conformidade com os padrões sazonais da Amazônia {e.g., 
Colli et al., 1997; Watling & Donnelly, 2002; Bernarde & Abe, 
2006). 


47 





Estimativas de Riqueza 


As Figuras 4 e 5 apresentam as estimativas de riqueza de 
anfíbios e répteis mediante curvas de rarefação e avaliação de 
estimadores. A análise dos dados obtidos pelos estimadores de 
riqueza demonstram que as amostragens realizadas para anfíbios 
foram consistentes, uma vez que a riqueza observada é similar 
aos valores estimados e encontram-se dentro dos respectivos 
desvios-padrão. Tal condição deve-se à baixa incidência de 
espécies raras na comunidade (uniques ou dupiicates), o que 
tende a tornar a estimativa de riqueza mais próxima à observada 
(Magurran, 1988). Já em relação a répteis, a alta incidência de 
espécies mais raras e/ou de baixa amostragem (especialmente 
serpentes) tende a elevar a estimativa de riqueza, denotando a 
possibilidade de encontro de outras espécies na área de estudo 
(Magurran, 1988). Esta condição é também expressa pelos 
elevados valores dos desvios-padrão. Entretanto, considerando 
os dados aleatorizados, a riqueza obtida mostra-se mais 
aproximada e dentro do intervalo dos desvios. 

Quanto à avaliação das amostragens por meio de curvas 
de rarefação, verifica-se assim que, para anfíbios, as 
amostragens ao longo de todo o período de estudo já permitiram 
o registro da quase totalidade das espécies ocorrentes na área de 
estudo (condição expressa pela estabilização da curva) (Figura 
4). Já para répteis, a curva ainda mantem-se em ascenção, 
indicando que outras espécies são esperadas para a região 
(Figura 5). 

A estabilização da curva amostrai de anfíbios não 
determina que o grupo possa ter suas amostragens 
interrompidas (uma vez que o objetivo do presente trabalho não 
consiste em um levantamento de espécies em si), mas sim que o 
mesmo pode ser utilizado com maior precisão para a avaliação 
continuada dos impactos da mineração. Nesse sentido, 
corrobora-se a informação de que o grupo constitui em um dos 
melhores indicadores ambientais dentre os vertebrados. 


48 



Figura 4 - Curva de rarefação e estimadores de riqueza 
quadrática total (dois anos em conjunto) para anfíbios no 
monitoramento de impactos da mineração na FLONA de Saracá- 
Taquera, Estado do Pará, Brasil. 


40 

35 

CO 

£ 30 
•a> 

£25 

Ui 

« 20 

1 15 

2 10 

£ 

5 

0 


Anfíbios 


3001 4501 6001 

Número de indivíduos 


Dados em Bases Primárias 


Dados Aleatorizados (Média) 


Período 

Obtida 

Chao 2 

Jackknife 

1 

Bootstrap 

Chao 2 

Jackknife 

1 

Bootstrap 

Total 

34 

34 

DP=0,12 

34,94 

DP=0,94 

34,74 

33,67 

DP=1,34 

34,51 

DP=1,38 

33,99 

DP=0,97 


Figura 5 - Curva de rarefação e estimadores de riqueza 
quadrática total (dois anos em conjunto) para répteis no 
monitoramento de impactos da mineração na FLONA de Saracá- 
Taquera, Estado do Pará, Brasil. 


Répteis 

80 
70 

(0 

.£ 60 

0) 

&50 

Lil 

« 40 

| 30 

2 20 

cc 

10 
0 

1 501 1001 1501 2001 2501 3001 3501 

Número de Indivíduos 


Período 

Riqueza 

Obtida 

Dados em Bases Primárias 

_ Jackknife _ . , 

Chao 2 j Bootstrap 

Dados Aleatorizados (Média) 

_. _ I Jackknife _ . . 

Chao 2 j Bootstrap 

Total 

72 

79,56 

DP=5,13 

87,11 

DP=4,74 

79,95 

70,49 

DP=7,22 

75,04 

DP=6,22 

69,85 

DP=4,55 



49 















Em relação aos dois anos de monitoramento, as Figuras 6 
e 7 apresentam as estimativas de riqueza de anfíbios e répteis 
mediante curvas de rarefação e avaliação de estimadores, 
respectivamente. Para anfíbios, verifica-se que as curvas de 
rarefação acompanham o padrão geral dos dois anos de estudos 
em conjunto, uma vez que, em ambos os anos, há tendência à 
estabilização das curvas, com o início da flexão das mesmas 
ocorrendo em menos de 500 indivíduos em valor próximo a 25 
espécies e com pequena elevação para tendência à estabilização 
em valor próximo a 30 espécies. Por sua vez, os estimadores de 
riqueza em bases originais indicam que, para o segundo ano, 
duas outras espécies seriam passíveis de registro, enquanto os 
dados aleatorizados (valores médios) indicam que o número de 
espécies registrado é similar ao esperado. 

Quanto aos répteis, as curvas dos dois anos mantêm-se 
em ascenção sem um ponto de flexão definido, não permitindo a 
estimativa do número de espécies locais. As análises mediante 
estimadores em bases originais indicam também que um número 
mais elevado de espécies é esperado, uma vez que a riqueza 
observada é distante da estimada ou inclusive do intervalo dos 
desvios-padrão. Já quanto aos dados aleatorizados, os resultados 
indicam que a riqueza observada é próxima à esperada. 

Figura 6 - Curva de rarefação e estimadores de riqueza 
quadrática por ano para anfíbios no monitoramento de impactos 
da mineração na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do Pará, 
Brasil. 



35 i 

2 30 

<o X 

w 20 / 

f 15 / 

! 10 f 

2 d _ 


Anfíbios 












1 

1501 

3001 

Número de Indivíduos 

4501 

6001 



Primeiro Ano 

Segundo Ano 



Ano 

Riqueza 

Obtida 

Dados em Bases Primárias 

_ Jackknife 1 _ . , 

Chao 2 j Bootstrap 

Dados Aleatorizados (Média) 

_ I Jackknife _ . . 

Chao 2 ^ Bootstrap 

Primeiro 

31 

31 

DP=0,12 

31,94 

DP=0,94 

31,79 

30,78 

DP=1,75 

31,69 

DP=1,60 

31,12 

DP=1,10 

Segundo 

31 

32,13 

DP=1,76 

34,78 

DP=1,71 

33 

30,40 

DP=2,67 

31,80 

DP=2,29 

30,51 

DP=1,66 


50 

















Figura 7 - Curva de rarefação e estimadores de riqueza 
quadrática por ano para répteis no monitoramento de impactos da 
mineração na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 


Répteis 

60 -| 

8 50 

w 40 
LU 

S 30 

(0 

8 20 

D 
O" 

E 10 



1 

501 

1001 

1501 

2001 





Número de Indivíduos 






Primeiro Ano 

Segundo Ano 




Riqueza 

Obtida 

Dados em Bases Primárias 

Dados Aleatorizados (Média) 

Ano 

Chao 2 

Jackknife 

1 

Bootstrap 

Chao 2 

Jackknife 

1 

Bootstrap 

Primeiro 

56 

70,45 

73 

63,80 

55,39 

57,89 

53,08 

DP=9,08 

DP=4,96 

— 

DP=8,61 

DP=6,34 

DP=4,56 

Segundo 

55 

63,03 

71,06 

63,11 

53,53 

57,32 

52,21 

DP=5,28 

DP=3,22 

— 

DP=7,20 

DP=5,62 

DP=3,90 



Em relação às quatro campanhas realizadas, as curvas de 
rarefação obtidas e as estimativas de riqueza são apresentadas 
nas Figuras 8 e 9. 

Para anfíbios, a curva referente à primeira campanha 
apresentou-se estabilizada, indicando que as amostragens 
permitiram registrar a totalidade das espécies passíveis de 
encontro no período em questão, ao passo em que as demais 
curvas demonstram tendência à estabilização. Observa-se que, 
no geral, as curvas referentes aos períodos chuvosos indicam 
uma maior riqueza de espécies do grupo, o que concorda com os 
dados de riqueza levantados. Já as estimativas de riqueza 
aproximam-se dos valores obtidos para a maioria dos 
estimadores (à exceção de Jackknife 1 em base de dados 
primários, que indica a ocorrência de 2 a 5 outras espécies por 
campanha), denotando que as amostragens foram significativas. 


51 


















Figura 8 - Curva de rarefação e estimadores de riqueza 
quadrática por campanha para anfíbios no monitoramento de 
impactos da mineração na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do 
Pará, Brasil. 


Anfíbios 



Número de Individuos 


Primeira Campanha Segunda Campanha 

Terceira Campanha Quarta Campanha 




Dados em Bases Primárias 

Dados Aleatorizados 

'Média) 

Campanha 

Obtida 

Chao 2 

Jackknife 

1 

Bootstrap 

Chao 2 

Jackknife 

1 

Bootstrap 

1 

30 

31,31 

DP=0,88 

31,89 

DP=1,30 

31,06 

29,53 

DP=1,61 

30,61 

DP=1,76 

29,96 

DP=1,31 

2 

26 

28,36 

DP=3,01 

30,72 

DP=2,30 

28,25 

25,63 

DP=3,92 

26,64 

DP=2,74 

25,26 

DP=2,02 

3 

30 

32,36 

DP=2,76 

35,67 

DP=1,94 

32,90 

29,18 

DP=3,57 

31 

DP=2,72 

29,14 

DP=1,94 

4 

20 

21,89 

DP=2,75 

23,78 

DP=1,71 

21,82 

19,39 

DP=2,40 

20,63 

DP=2,11 

19,52 

DP=1,45 


Para répteis, todas as curvas encontram-se ainda em 
elevação, demonstrando que outras espécies poderão ser 
futuramente registradas na área de estudo. Da mesma forma, os 
estimadores em bases primárias indicam valores superiores ao 
obtido. Esta é uma condição típica do grupo, uma vez que o 
mesmo contempla várias espécies com um único registro 
(singletons; principalmente serpentes, seg. Martins & Oliveira, 
1998; Franco & Salomão, 2002), fator que define a tendência de 
ampliação da riqueza (Magurran, 1988). Entretanto, 
considerando-se os estimadores com base em dados médios 
(aleatorizados), os mesmos indicam que as riquezas observadas 
encontram-se dentro dos intervalos esperados, condição que 
sugere que, para o universo amostrai, os dados são consistentes. 


52 






















Figura 9 - Curva de rarefação e estimadores de riqueza 
quadrática por campanha para répteis no monitoramento de 
impactos da mineração na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do 
Pará, Brasil. 


Répteis 



Número de Indivíduos 


Prmeira Campanha Segunda Campanha 

Terceira Campanha —Quarta Campanha 


Campanha 

Riqueza 

Obtida 

Dados em Bases Primárias 

_ Jackknife _ . , 

Chao 2 j Bootstrap 

Dados Aleatorizados 
_ Jackknife 

Chao 2 t 

(Média) 

Bootstrap 

1 

44 

61,89 

DP=12,79 

59,11 

DP=4,93 

49,58 

43,05 

DP=8,89 

44,64 

DP=5,52 

40,58 

DP=3,88 

2 

39 

51,28 

DP=8,79 

52,22 

DP=3,52 

44,93 

38,51 

DP=7,49 

40,16 

DP=4,83 

36,51 

DP=3,53 

3 

42 

59,06 

DP=11,43 

58 

DP=4,12 

48,47 

40,25 

DP=7,83 

42,59 

DP=5,52 

38,06 

DP=3,92 

4 

39 

46,81 

DP=5,63 

52,22 

DP=3,52 

45,36 

38,77 

DP=6,96 

41,08 

DP=4,92 

36,90 

DP=3,47 


Composição, Riqueza, Abundância e Diversidade por 
Transecto 

Quanto à riqueza e abundância de espécies em relação 
aos 18 transectos de amostragem, os dados obtidos para o total 
de dois anos de monitoramento são os seguintes. 

Para anfíbios, a riqueza para os dois anos em conjunto 
variou entre 15 (transecto MB2-E) e 27 espécies (MB1-B) 
(amplitude = 12; média = 20,4), enquanto a abundância variou 
entre 203 (PER-E) e 1026 indivíduos (MB1-B) (amplitude = 823; 
média = 508,3). Já quanto à diversidade, a mesma variou entre 
1,826 no transecto MB2-E e 2,480 no transecto SAC-B (Figura 
10; Tabela 4). 


53 





















Figura 10 - Riqueza e abundância de anfíbios observadas em 
conjunto para os dois anos de monitoramento de impactos da 
mineração na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 


Riqueza de Anfíbios por Transecto - Todas as Campanhas 


ui 20 
a> 

T3 

«o 15 
<2 

. 2 " 10 
V. 





<t) <j. A A. ^ 5 \ ^ a 

Transectos 


Abundância de Anfíbios por Transecto - Todas as Campanhas 



<h <C, ^ ^ ^ ^ ^ \ \ 

é ê é 4? w # o* v <,<*■ > çjp > 

Transectos 


Legenda: CIP: Platô Cipó; MB1: Platô Monte Branco, transecto 1; MB2: Platô Monte Branco, transecto 2; 
PAP: Platô Papagaio; PER: Platô Periquito; SAC: Platô Saracá; B: Transecto de Baixio; E: Transecto de 
Encosta; T: Transecto de Topo. 


54 






















































Tabela 4 - Riqueza, abundância, diversidade e equitabilidade de anfíbios por transecto registrados 
durante os dois anos de monitoramento do impacto da mineração na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do 
Pará, Brasil. 



Legenda: CIP: Platô Cipó; MB1: Platô Monte Branco, transecto 1; MB2: Platô Monte Branco, transecto 2; PAP: Platô Papagaio; PER: Platô Periquito; SAC: Platô Saracá; B: 
Transecto de Baixio; E: Transecto de Encosta; T: Transecto de Topo. 


55 









Comparando-se os resultados obtidos para anfíbios em 
cada ano de estudo (Figura 11), verifica-se que, no geral, o 
segundo ano apresentou valores inferiores de riqueza e 
abundância para a maioria dos transectos. Entretanto, de 
maneira oposta ao esperado, no segundo ano foram observados 
maiores valores de riqueza para as áreas de topo e encosta do 
platô Monte Branco 1 (MB1-T e MB1-E), o qual encontra-se em 
processo de lavra sendo, consequentemente, sujeito a impactos 
do empreendimento. Além disso, este platô apresentou também 
as maiores riquezas e abundâncias em relação aos demais (salvo 
em relação ao baixio do platô Periquito - PER-B). Tais condições 
sugerem que os impactos da mineração foram pouco incidentes 
sobre a matriz florestal adjacente no período considerado. 


Figura 11 - Riqueza e abundância de anfíbios comparadas entre 
os dois anos de monitoramento de impactos da mineração na 
FLONA de Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 



Legenda: CIP: Platô Cipó; MB1: Platô Monte Branco, transecto 1; MB2: Platô Monte Branco, transecto 
2; PAP: Platô Papagaio; PER: Platô Periquito; SAC: Platô Saracá; B: Transecto de Baixio; E: Transecto 
de Encosta; T: Transecto de Topo. 


56 




















































Quanto aos répteis, a riqueza, considerando os dados 
consolidados para os dois anos de monitoramento, variou entre 
14 (transecto SAC-T) e 26 espécies (MB1-B) (amplitude = 12; 
média = 20,5), enquanto a abundância variou entre 110 (SAC-T) 
e 387 indivíduos (PAP-T) (amplitude = 277; média = 220,3) 
(Figura 4.12). Quanto à diversidade, a mesma variou entre 
0,9493 no transecto CIP-E e 2,100 no transecto SAC-B (Figura 
13; Tabela 5). 


Figura 12 - Riqueza e abundância de répteis observadas em 
conjunto para os dois anos de monitoramento de impactos da 
mineração na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 


Riqueza de Répteis por Transecto - Todas as Campanhas 


■8 40 


lllllllllllllllll 


I 


\ <o 


>vvvvvvvv 


Transectos 


Abundância de Répteis por Transecto - Todas as Campanhas 



Transectos 


Legenda: CIP: Platô Cipó; MB1: Platô Monte Branco, transecto 1; MB2: Platô Monte Branco, transecto 
2; PAP: Platô Papagaio; PER: Platô Periquito; SAC: Platô Saracá; B: Transecto de Baixio; E: Transecto 
de Encosta; T: Transecto de Topo. 


57 



























Tabela 5 - Riqueza, abundância, diversidade e equitabilidade de répteis por transecto registrados durante 
os dois anos de monitoramento do impacto da mineração na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do Pará, 
Brasil. 



Legenda: CIP: Platô Cipó; MB1: Platô Monte Branco, transecto 1; MB2: Platô Monte Branco, transecto 2; PAP: Platô Papagaio; PER: Platô Periquito; SAC: Platô Saracá; B: 
Transecto de Baixio; E: Transecto de Encosta; T: Transecto de Topo. 


58 









Figura 13 - Riqueza e abundância de répteis comparadas entre os 
dois anos de monitoramento de impactos da mineração na FLONA 
de Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 


Riqueza de Répteis por Transecto - Comparação entre Anos 



■ Primeiro Ano 
-Segundo Ano 


Abundância de Répteis por Transecto - Comparação entre Anos 



Legenda: CIP: Platô Cipó; MB1: Platô Monte Branco, transecto 1; MB2: Platô Monte Branco, transecto 
2; PAP: Platô Papagaio; PER: Platô Periquito; SAC: Platô Saracá; B: Transecto de Baixio; E: Transecto 
de Encosta; T: Transecto de Topo. 


Comparando-se os dois anos de estudo, verifica-se que, 
no geral, o segundo apresentou valores também inferiores de 
riqueza de répteis para a maioria dos transectos, salvo a encosta 
do Monte Branco 1 (MB1-E), que foi o único a apresentar 
incremento, e os transectos MB2-B, SAC-B e SAC-T, os quais 
apresentaram os mesmos valores nos dois anos (Figura 13). Já 
para a abundância, os valores foram bastante variáveis, sendo 
relevante destacar incrementos nos transectos MB1-E e SAC-T, 
ambos marginais a áreas de lavra. Novamente, portanto, pode- 
se inferir pequeno impacto das operações minerárias sobre a 
matriz florestal adjacente, especialmente considerando-se a 
baixa incidência de espécies tolerantes a condições de alteração 
nas áreas sujeitas a impactos, tais como lagartos heliófilos {e.g., 

59 



































Cnemidophorus e Ameiva ) (Vitt & Colli, 1997). Entretanto, deve- 
se considerar que, para répteis, as curvas de rarefação 
demonstram a possibilidade de registro de outras espécies. 


Similaridades entre Transectos 

Em relação à análise de similaridade de anfíbios entre os 
transectos amostrais, considerando a totalidade das campanhas 
realizadas, a mesma é expressa na Figura 14 e na Tabela 6. As 
cores representam os platôs com atividades de lavra (vermelho), 
em recuperação (azul) e primitivos ou áreas-controle (verde). 


Figura 14 - Análise de Cluster de anfíbios por transecto 
considerando a totalidade das campanhas de monitoramento de 
impactos da mineração na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do 
Pará, Brasil. 


LUUJH-.CÜLUCÜCÜ rn CQ CD UJ ^ 

cfc w w ' cnj A Ó cc ■ oLttÒcC' -4-0 0.0- 

111 CQ m íi CQCO<CLU_ <CO<CLU_ CQ <c <c 

Q-22oSScOQ.OQ_2cOQ_o2coa.Q_ 



Legenda: Em vermelho: platôs com atividades de lavra; em azul: platôs em recuperação; em 
verde: platôs íntegros (controle); CIP: Platô Cipó; MB1: Platô Monte Branco, transecto 1; 
MB2: Platô Monte Branco, transecto 2; PAP: Platô Papagaio; PER: Platô Periquito; SAC: 
Platô Saracá; B: Transecto de Baixio; E: Transecto de Encosta; T: Transecto de Topo. 


A análise da matriz e do gráfico de Cluster indica que, no 
geral, a similaridade entre os transectos é superior a 50%, fator 
que sugere pequena diferença entre os mesmos. Verificam-se 
maiores similaridades entre os transectos de topo dos platôs 


60 










































Saracá (SAC-T), Monte Branco 1 (MB1-T) (ambos sob efeito de 
lavra) e Papagaio (PAP-T) e um conjunto formado por todos os 
transectos de baixos, aos quais agrega-se ainda o transecto de 
encosta do Monte Branco 1 (MB1-E). Por sua vez, os transectos 
de topo de áreas controle (MB2-T e CIP-T), em conjunto ainda 
com MB2-E, formam outro grupamento. Tal condição sugere 
alguma diferença nas composições entre áreas primitivas e áreas 
íntegras, condição que poderia ser atribuída a impactos do 
empreendimento sobre a composição da anurofauna. Entretanto, 
deve-se considerar que as distâncias verificadas entre os 
transectos em cada um dos ramos do Cluster ultrapassam 
aquelas existentes entre os grupos indicados, sugerindo 
diferenças pouco significativas entre os mesmos. 

Em relação aos répteis, a análise de similaridade entre os 
transectos amostrais é expressa na Figura 15 e na Tabela 7. 


Figura 15 - Análise de Cluster de répteis por transecto 
considerando a totalidade das campanhas de monitoramento de 
impactos da mineração na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do 
Pará, Brasil. 


COLUI — LU LU LU _ |— | — |— LU CO I— CO CO 

rr r\i ■ r 5 T— rr" rr" t— r 5 n' n c\j n r— f 5 



Legenda: Em vermelho: platôs com atividades de lavra; em azul: platôs em recuperação; 
em verde: platôs íntegros (controle); CIP: Platô Cipó; MB1: Platô Monte Branco, 
transecto 1; MB2: Platô Monte Branco, transecto 2; PAP: Platô Papagaio; PER: Platô 
Periquito; SAC: Platô Saracá; B: Transecto de Baixio; E: Transecto de Encosta; T: 
Transecto de Topo.. 


61 































Tabela 6 - Similaridades de anfíbios entre transectos considerando a totalidade das campanhas de 
monitoramento de impactos da mineração na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 


CIP CIP CIP MBl MBl MB1 MB2 MB2 MB2 PAP PAP PAP PER PER PER SAC SAC SAC 
BETB E T B E TBETBETBET 


CIP-B 

1,00 

0,70 

0,50 

0,62 

0,75 

0,68 

CIP-E 

— 

1,00 

0,67 

0,59 

0,64 

0,71 

CIP-T 

— 

— 

1,00 

0,59 

0,46 

0,58 

MB1-B 

— 

— 

— 

1,00 

0,63 

0,69 

MB1-E 





1,00 

0,69 

MB1-T 






1,00 

MB2-B 

MB2-E 

;; 

;; 


;; 

;; 

;; 

MB2-T 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

PAP-B 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

PAP-E 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

PAP-T 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

PER-B 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

PER-E 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

PER-T 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

SAC-B 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

SAC-E 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

SAC-T 

— 

— 

— 

— 

— 

— 


0,62 

0,59 

0,54 

0,63 

0,64 

0,62 

0,58 

0,62 

0,70 

0,59 

0,67 

0,71 

0,58 

0,55 

0,64 

0,54 

0,39 

0,65 

0,69 

0,45 

0,62 

0,59 

0,48 

0,63 

0,69 

0,54 

0,50 

0,64 

0,65 

0,63 

0,57 

0,61 

0,62 

0,70 

0,52 

0,69 

1,00 

0,54 

0,56 

0,64 

0,52 

0,63 

— 

1,00 

0,75 

0,50 

0,48 

0,54 

— 

— 

1,00 

0,47 

0,44 

0,62 

— 

— 

— 

1,00 

0,54 

0,64 

— 

— 

— 

— 

1,00 

0,58 

-- 

— 

— 

- 

— 

1,00 


0,70 

0,52 

0,68 

0,76 

0,63 

0,70 

0,67 

0,48 

0,57 

0,59 

0,58 

0,73 

0,50 

0,48 

0,43 

0,48 

0,46 

0,67 

0,71 

0,55 

0,52 

0,65 

0,48 

0,53 

0,78 

0,60 

0,70 

0,84 

0,71 

0,64 

0,66 

0,54 

0,77 

0,64 

0,71 

0,78 

0,71 

0,48 

0,50 

0,77 

0,52 

0,52 

0,52 

0,43 

0,52 

0,50 

0,62 

0,70 

0,59 

0,41 

0,48 

0,47 

0,50 

0,70 

0,72 

0,56 

0,64 

0,71 

0,65 

0,59 

0,62 

0,42 

0,50 

0,60 

0,52 

0,52 

0,71 

0,43 

0,56 

0,64 

0,64 

0,78 

1,00 

0,63 

0,59 

0,85 

0,67 

0,61 

— 

1,00 

0,59 

0,62 

0,68 

0,48 

— 

— 

1,00 

0,58 

0,71 

0,64 

— 

— 

— 

1,00 

0,65 

0,59 

— 

— 

— 

— 

1,00 

0,73 

— 

- 

— 

- 

- 

1,00 


Legenda: CIP: Platô Cipó; MBl: Platô Monte Branco, transecto 1; MB2: Platô Monte Branco, transecto 2; PAP: Platô Papagaio; PER: Platô Periquito; SAC: Platô Saracá; B: 
Transecto de Baixio; E: Transecto de Encosta; T: Transecto de Topo. 


62 







Tabela 7 - Similaridades de répteis entre transectos considerando a totalidade das campanhas de 
monitoramento de impactos da mineração na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 



CIP 

B 

CIP 

E 

CIP 

T 

MB1 

B 

MB1 

E 

MBl 

T 

MB2 

B 

MB2 

E 

MB2 

T 

PAP 

B 

PAP 

E 

PAP 

T 

PER 

B 

PER 

E 

PER 

T 

SAC 

B 

SAC 

E 

SAC 

T 

CIP-B 

1,00 

0,38 

0,39 

0,26 

0,29 

0,32 

0,31 

0,35 

0,42 

0,48 

0,33 

0,35 

0,39 

0,37 

0,39 

0,33 

0,33 

0,37 

CIP-E 

— 

1,00 

0,48 

0,28 

0,48 

0,52 

0,32 

0,44 

0,41 

0,32 

0,58 

0,45 

0,48 

0,48 

0,32 

0,27 

0,42 

0,48 

CIP-T 

— 

— 

1,00 

0,31 

0,42 

0,45 

0,28 

0,48 

0,45 

0,27 

0,50 

0,39 

0,42 

0,46 

0,34 

0,26 

0,42 

0,52 

MB1-B 

— 

— 

— 

1,00 

0,37 

0,40 

0,41 

0,34 

0,32 

0,26 

0,41 

0,33 

0,26 

0,36 

0,42 

0,29 

0,41 

0,31 

MB1-E 

— 

— 

— 

— 

1,00 

0,39 

0,32 

0,38 

0,40 

0,28 

0,45 

0,38 

0,37 

0,46 

0,32 

0,35 

0,46 

0,40 

MB1-T 

— 

— 

— 

— 

— 

1,00 

0,31 

0,46 

0,48 

0,27 

0,48 

0,42 

0,40 

0,44 

0,35 

0,30 

0,50 

0,44 

MB2-B 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

1,00 

0,38 

0,29 

0,33 

0,44 

0,25 

0,33 

0,35 

0,33 

0,32 

0,36 

0,27 

MB2-E 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

1,00 

0,38 

0,39 

0,47 

0,40 

0,39 

0,42 

0,30 

0,38 

0,54 

0,42 

MB2-T 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

1,00 

0,25 

0,39 

0,54 

0,36 

0,50 

0,41 

0,31 

0,45 

0,39 

PAP-B 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

1,00 

0,36 

0,24 

0,38 

0,31 

0,33 

0,22 

0,28 

0,27 

PAP-E 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

1,00 

0,37 

0,36 

0,44 

0,36 

0,35 

0,50 

0,39 

PAP-T 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

1,00 

0,38 

0,43 

0,38 

0,28 

0,50 

0,43 

PER-B 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

1,00 

0,41 

0,33 

0,32 

0,37 

0,46 

PER-E 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

1,00 

0,41 

0,39 

0,46 

0,45 

PER-T 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

1,00 

0,29 

0,41 

0,41 

SAC-B 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

1,00 

0,45 

0,34 

SAC-E 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

1,00 

0,46 

SAC-T 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

— 

1,00 


Legenda: CIP: Platô Cipó; MB1: Platô Monte Branco, transecto 1; MB2: Platô Monte Branco, transecto 2; PAP: Platô Papagaio; PER: Platô Periquito; SAC: Platô Saracá; B: 
Transecto de Baixio; E: Transecto de Encosta; T: Transecto de Topo. 


63 







Diferentemente de anfíbios, a análise da matriz e do 
gráfico de Cluster para répteis não indica, no geral, a formação 
de grupamentos entre áreas com diferentes condições de 
conservação, salvo para o par de transectos localizados nas áreas 
de topo dos platôs sob lavra (SAC-T e MB1-T). Há, ainda, pares 
formados em transectos que, embora em platôs sob diferentes 
estágios de conservação, inserem-se em condições topográficas 
similares, como é o caso dos pares de transectos SAC-B/CIP-B; 
CIP-T/PER-T; e CIP-E/SAC-E. Ressalta-se que, em todos esses 
casos, um dos transectos se refere à área-controle do platô Cipó. 

A análise da significância das similaridades ou 
dissimilaridades entre os pontos amostrados pode ser também 
efetuada confrontando-se os dados obtidos para cada platô em 
uma análise mediante Escalonamento Multidimensional Não- 
Métrico (NMDS), método que toma por base a proximidade de 
objetos utilizados para produzir uma representação espacial dos 
mesmos (seg. Hârdle & Simar, 2007). Tal análise é aqui realizada 
em três perspectivas: uma efetuando a seleção dos dados 
agrupando-se os transectos relativos a cada platô avaliado, outra 
agrupando-se os mesmos em relação à sua posição topográfica 
(transectos de topo, de encostas e de baixios) e, por fim, 
agrupando-se os transectos em relação a áreas sob diferentes 
níveis de pressão, quais sejam: efeito de lavra (platôs Saracá e 
Monte Branco 1 em conjunto), áreas primitivas (controle - platôs 
Cipó e Monte Branco 2) e áreas em recuperação (platôs Papagaio 
e Periquito). 

As possíveis similaridades na composição de espécies 
entre cada uma dessas composições foram estatisticamente 
avaliadas posteriormente mediante o teste de similaridade 
ANOSIM (Clarke & Warwick, 2001) que, a partir de um valor de 
correlação, permite observar diferenças nos ambientes em 
função da composição de espécies. Segundo Clarke (1993), o 
ANOSIM (Análise de Similaridades) é um teste não paramétrico 
de diferença significativa entre dois ou mais grupos com base em 
uma medida qualquer de distância. Os valores de R positivos (até 
1) significam dissimilaridades entre os grupos, sendo que 
comparações significativas são aquelas em que p<0.05 
(indicando nesses casos elevada dissimilaridade). A significância 
unicaudal é calculada por permutação de amostras em grupos 
(9.999 réplicas). 


64 



Conforme citado, a análise NMDS e o teste ANOSIM 
foram realizados com auxílio do software PAST® (Hammer et at., 
2001). Os resultados de cada uma das análises são apresentados 
a seguir em separado para cada um dos grupos 
herpetofaunísticos (anfíbios e répteis). 

Análise Segundo Diferentes Ptatôs 

A análise de MDS realizada segundo cada um dos platôs 
indica que, para anfíbios, há tendência na segregação da 
anurofauna dos platôs Periquito e Saracá em relação aos demais 
platôs, condição esta expressa pelo gráfico da Figura 16. 
Entretanto, a análise dos dados pelo teste de ANOSIM demonstra 
que esta separação não é significativa (Tabela 8), denotando 
similaridade entre os platôs. 

Figura 16 - Análise MDS para anfíbios em relação a diferentes 
platôs no monitoramento de impactos da mineração na FLONA de 
Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 



Legenda: Em Vermelho: Platô Cipó; Azul: Platô Monte Branco 1; Amarelo: Platô Monte 
Branco 2; Verde Claro: Platô Papagaio; Verde Escuro: Platô Periquito; Marrom: Platô 
Saracá. 


65 


































Tabela 8 - Valores de "p" Obtidos no Teste ANOSIM para anfíbios 
em relação a diferentes platôs no monitoramento de impactos da 
mineração na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 



Legenda: CIP: Platô Cipó; MB1: Platô Monte Branco 1; MB2: Platô Monte Branco 2; 
PAP: Platô Papagaio; PER: Platô Periquito; SAC: Platô Saracá. 


Em relação a répteis, a análise gráfica permite inferir 
diferenças nas composições entre os platôs Saracá, Monte Branco 
1, Periquito e Cipó, com pequena sobreposição entre os mesmos 
(Figura 17). As possíveis dissimilaridades podem ser explicadas 
pelo registro de diferentes espécies de serpentes em cada platô, 
considerando que, para a maioria das espécies, foram 
amostrados poucos indivíduos até o momento. Novamente, 
entretanto, o teste de ANOSIM demonstra que estas diferenças 
não são significativas (Tabela 9). 

Tabela 9 - Valores de "p" Obtidos no Teste ANOSIM para répteis 
em relação a diferentes platôs no monitoramento de impactos da 
mineração na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 



Legenda: CIP: Platô Cipó; MB1: Platô Monte Branco 1; MB2: Platô Monte Branco 2; 
PAP: Platô Papagaio; PER: Platô Periquito; SAC: Platô Saracá. 


66 






Figura 17 - Análise MDS para répteis em relação a diferentes 
platôs no monitoramento de impactos da mineração na FLONA de 
Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 



Legenda: Em Vermelho: Platô Cipó; Azul: Platô Monte Branco 1; Amarelo: Platô 
Monte Branco 2; Verde Claro: Platô Papagaio; Verde Escuro: Platô Periquito; 
Marrom: Platô Saracá. 


Análise Segundo Diferentes Condições Topográficas 

A análise de MDS realizada segundo cada uma das 
diferentes condições topográficas (baixios, encostas e topos de 
platôs) indica que, para anfíbios, há segregação entre as áreas 
de topos e baixios (Figura 18). Por sua vez, a análise dos dados 
pelo teste de ANOSIM sustenta a dissimilaridade entre ambas as 
áreas, demonstrando ainda haver dissimilaridade também entre 
os baixios e as encostas (Tabela 10). Entre encostas e topos de 
platô, a dissimilaridade não foi significativa. 


67 
































































Figura 18 - Análise MDS para anfíbios em relação a diferentes 
condições topográficas no monitoramento de impactos da 
mineração na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 



Legenda: Em Vermelho: Áreas de Topo dos Platôs; Azul: Encostas; Verde: Baixios. 


Tabela 10 - Valores de "p" Obtidos no Teste ANOSIM para 
anfíbios em relação a diferentes condições topográficas no 
monitoramento de impactos da mineração na FLONA de Saracá- 
Taquera, Estado do Pará, Brasil. 



Em relação a répteis, a análise de MDS realizada indica 
haver pequena sobreposição entre as áreas de topos e encostas, 


68 











































mas não destas com as áreas de baixios (Figura 19). Entretanto, 
a análise dos dados pelo teste de ANOSIM demonstra que as 
dissimilaridades não são significativas (Tabela 11). 

Figura 19 - Análise MDS para répteis em relação a diferentes 
condições topográficas no monitoramento de impactos da 
mineração na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 



Legenda: Em Vermelho: Areas de Topo dos Platôs; Azul: Encostas; Verde: Baixios. 


Tabela 11 - Valores de "p" Obtidos no Teste ANOSIM para répteis 
em relação a diferentes condições topográficas no monitoramento 
de impactos da mineração na FLONA de Saracá-Taquera, Estado 
do Pará, Brasil. 



69 

































Análise Segundo Diferentes Níveis de Pressão 

A análise de MDS realizada para platôs com diferentes 
níveis de pressão indica que, para anfíbios, há sobreposição nas 
composições entre áreas distintas (Figura 20). Por sua vez, a 
análise pelo teste de ANOSIM indica que as dissimilaridades entre 
tais áreas não são significativas (Tabela 12). 

Figura 20 - Análise MDS para anfíbios em relação a diferentes 
níveis de pressão incidentes na paisagem no monitoramento de 
impactos da mineração na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do 
Pará, Brasil. 



Legenda: Em Vermelho: Platôs sob Efeito de Lavra; Azul: Platôs em Recuperação; 
Verde: Platôs Primitivos (Controle). 


Em relação a répteis, por fim, a análise de MDS indica 
haver sobreposição nas composições entre todas as áreas 
distintas (Figura 21). A análise dos dados pelo teste de ANOSIM 
(Tabela 13) indica que, também para este grupo, as 
dissimilaridades entre tais áreas não são significativas. 


70 





































Tabela 12 - Valores de "p" obtidos no Teste ANOSIM para anfíbios 
em relação a diferentes níveis de pressão incidentes na paisagem 
no monitoramento de impactos da mineração na FLONA DE 
Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 



Figura 21 - Análise MDS para Répteis em relação a diferentes 
níveis de pressão incidentes na paisagem no monitoramento de 
impactos da mineração na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do 
Pará, Brasil. 



Legenda: Em Vermelho: Platôs sob Efeito de Lavra; Azul: Platôs em Recuperação; 
Verde: Platôs Primitivos (Controle). 


71 












































Tabela 13 - Valores de "p" obtidos no Teste ANOSIM para répteis 
em relação a diferentes níveis de pressão incidentes na paisagem 
no monitoramento de impactos da mineração na FLOIMA deSaracá- 
Taquera, Estado do Pará, Brasil. 



Conclusões 

Os resultados obtidos no presente estudo indicam que a 
herpetofauna ocorrente na microbacia do igarapé Saracá abrange 
uma parcela significativa da totalidade dos grupos de anfíbios e 
répteis registrados para a FLONA de Saracá-Taquera como um 
todo. Os dois anos de estudos foram bastante significativos para 
a amostragem da anurofauna (condição esta expressa pelas 
curvas de rarefação), mas ainda demandam a continuidade de 
estudos pela possibilidade de registros deste grupo e, 
especialmente, de répteis. 

As análises realizadas permitem inferir que os impactos 
derivados da mineração interferem pouco na composição da 
herpetofauna presente nos sistemas florestais adjacentes à lavra, 
muito embora ainda sejam necessárias mais amostragens para 
cada um dos transectos. Por sua vez, as análises de similaridade 
obtidas demonstram que, não obstante existam diferenças nas 
composições da herpetofauna entre diferentes platôs, condições 
topográficas e/ou áreas submetidas a diferentes níveis de 
pressões, tais diferenças não são significativas, denotando uma 
fauna similar para todos os cenários estudados. A única e 
principal diferença observada refere-se à anurofauna das áreas 
de baixios, cuja composição se mostra específica em relação às 
demais áreas. Tal condição é explicada pela maior disponibilidade 
hídrica nesses locais, o que gera maiores e melhores sítios de 
reprodução para grande parte das espécies. De fato, algumas 
espécies de anfíbios são encontradas, na FLONA, exclusivamente 
associadas a igarapés {e.g., Vitreorana ritae), enquanto outras 
apresentam maiores concentrações em tais áreas (e.g., 
Anomatogtossus cf. baeobatrachus, Hypsiboas cinerascens). Os 
registros de tais espécies possivelmente determinam o resultado 
obtido na presente análise. 


72 




Referências Bibliográficas 


Bernarde, P.S.; & Abe, A.S., 2006. A snake community at Espigão do 
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74 




Capítulo 4 


Monitoramento da Herpetofauna de Áreas 
Mineradas em Processo de Recuperação 
Ambiental na FLONA de Saracá-Taquera, 
Amazônia Central, Estado do Pará, Brasil 


Guilherme Nunes Ferreira 
Sérgio Augusto Abrahão Morato 
Michela Rossane Cavilha Scupino 
Lucas Reinert Laufer Pereira Mendes 
Pedro de Oliveira Calixto 
Phablo Ney Souza da Silva 
Maria Lindalva Soares da Silva 
Greciele Aparecida Nogueira 
Urubatan Moura Skerrat Suckow 
Vilmar Fernando Bueno Júnior 
Luciano Moreira Ceolin 
Ramon Gomes 


Resumo 

Para extrair a bauxita na FLONA de Saracá-Taquera, é necessária a 
completa remoção da floresta ombrófila densa primária existente nos 
platôs que ocorrem na região. Nesse processo, formam-se extensas 
clareiras abertas em uma matriz contínua de floresta nativa. Após o 
término da lavra, são realizados plantios de espécies nativas da flora 
amazônica com vistas à recuperação da paisagem e das funções 
ecológicas locais. Os procedimentos adotados na recuperação passaram 
por diversas mudanças conceituais e metodológicas ao longo dos anos. A 
avaliação da riqueza de espécies da fauna e flora é, nesse caso, uma 
maneira de controlar o processo de sucessão ecológica e observar o 
comportamento da fauna local frente ao ambiente em regeneração. Entre 
2015 e 2016 foram realizadas buscas ativas por anfíbios e répteis em 
transectos retilíneos paralelamente instalados nas áreas em processo de 
recuperação em cinco diferentes platôs. Os dados foram analisados tendo 
por base a riqueza e abundância de espécies considerando as diferenças 


76 



entre os platôs. No final, foram registrados 2.296 indivíduos de 62 
espécies anfíbios e répteis. Os dados sugerem haver tendência de 
aumento da riqueza de espécies conforme o estabelecimento de estágios 
de sucessão avançados, condições essas que foram mais evidentes nos 
platôs Papagaio e Periquito. Embora tenha uma cobertura da vegetação 
pouco similar às florestas primitivas, os resultados indicam que as áreas 
em recuperação cumprem um importante papel na estrutura da 
comunidade de anfíbios e répteis regionais. Entretanto, deve-se 
considerar que o novo ecossistema que será formado representará algo 
distinto das condições originais, com comunidades bióticas que, embora 
possam contemplar riquezas similares, terão comunidades estruturadas 
de maneira também distinta. 

Abstract 

In order to extract the bauxite in the Saracá-Taquera National Forest, it 
is necessary the complete removal of the primary dense ombrophilous 
forest existing in the tops of the local plateaus. In this process, extensive 
clearings are formed in a continuous matrix of native forest. After the 
harvest, plantations of native species of the Amazonian flora are made 
aiming the recovery of the landscape and the local ecological functions. 
The procedures adopted in the recovery have undergone several 
conceptual and methodological changes over the years. The evaluation of 
the species richness of the fauna and flora is, in this case, a way to 
control the process of ecological succession and observe the behavior of 
the local fauna regarding the regenerating environment. Between 2015 
and 2016, amphibians and reptiles were actively searched on straight-line 
transects in the recovery areas of five different plateaus. The data were 
analyzed based on the richness and abundance of species considering the 
differences of the recovery procedures between the plateaus. At the end, 
2,296 individuais from 62 amphibian and reptile species were registered. 
The data suggest a tendency to increase the species richness according 
to the establishment of advanced stages of succession. Although 
recovered areas have vegetation coverage that isn't very similar to 
primitive forests, the results indicate that recovered areas play an 
important role in the structure of the regional amphibian and reptile 
community. However, it must be considered that the new ecosystem that 
will be formed will represent something different from the original 
conditions. Although it can contemplate similar richness, the biotic 
communities will have communities structured in a different way. 


77 



Introdução 

Programas de monitoramento ambiental destinam-se a 
avaliar os efeitos de determinado empreendimento, atividade ou 
procedimento de manejo atuante sobre os ecossistemas e/ou 
sobre as espécies. Tratam-se de atividades de pesquisa aplicada 
cujos resultados devem servir à aplicação de atividades 
corretivas e/ou compensatórias dos fenômenos adversos a 
incidirem sobre os elementos naturais (Goldsmith, 1991). 

A FLONA de Saracá-Taquera é uma unidade de uso 
sustentável que prevê o desenvolvimento de projetos de 
exploração dos recursos florestais e do minério de bauxita. A 
biomassa da floresta tropical local é das mais altas já 
encontradas, além de possuir altos índices de diversidade de 
fauna e flora (STCP Engenharia de Projetos Ltda., 2004). 

A produção de bauxita da FLONA é desenvolvida pela 
MRN, que explora o minério presente nos platôs da FLONA desde 
1979. De forma a minimizar os impactos ambientais derivados do 
empreendimento minerário, desde o início de suas atividades até 
o presente a empresa desenvolve procedimentos de recuperação 
ambiental dos platôs minerados. Tais procedimentos passaram 
por mudanças conceituais e metodológicas ao longo do tempo 
com vistas à sua melhoria, observada a própria evolução do 
conhecimento na temática da recuperação ambiental. Também 
foram desenvolvidos, desde meados da década de 1980, diversos 
projetos de avaliação do sucesso da recuperação, tendo por base 
elementos da biodiversidade como a vegetação e alguns grupos 
faunísticos selecionados (e.g., aves e anfíbios). 

A mineração de bauxita da FLONA de Saracá-Taquera é 
desenvolvida a céu aberto, sendo que as áreas mineradas podem 
ser recuperadas assim que a lavra é concluída. Nessa condição, 
as áreas mineradas podem ser entendidas como grandes 
clareiras dentro de uma densa matriz florestal. Entretanto, uma 
vez que a lavra (e consequentemente a recuperação ambiental 
das áreas mineradas) ocorre em diferentes momentos dentro de 
cada platô, estabelece-se uma heterogeneidade de paisagens 
nestes, imposta pela existência de áreas em diferentes estágios 
de desenvolvimento vegetal. 

Este estudo apresenta os resultados de dois anos de 
monitoramento da herpetofauna em áreas em recuperação 
ambiental presentes em cinco platôs da FLONA de Saracá- 
Taquera com diferentes idades e estágios de desenvolvimento da 


78 



vegetação, a saber, platôs Saracá, Papagaio, Periquito, Almeidas 
e Aviso. O Saracá contempla desde as áreas de recuperação mais 
antigas (datadas da década de 1980) até algumas das mais 
recentes, mas sendo o único platô aonde a fisionomia florestal já 
se mostra desenvolvida. Os platôs Papagaio e Periquito 
contemplam áreas com recuperação iniciadas principalmente 
entre os anos de 1999 e 2004 (embora algumas áreas tenham 
sido recuperadas posteriormente a esses períodos). Por fim, os 
demais platôs contemplam projetos datados principalmente a 
partir do ano de 2004, mas com a maioria das áreas recuperadas 
a partir de 2008. 

Uma vez que a heterogeneidade de paisagens pode ser 
considerada como um fator chave da recolonização das áreas 
pelas espécies, uma análise da eficiência da recuperação 
ambiental deve ser efetuada avaliando-se a totalidade das áreas 
em recuperação presentes em cada platô, e não apenas pontos 
amostrais selecionados nestes (e.g., Cullen-Jr. & Rudran, 2004). 
Esta é a condição avaliada neste estudo. 

Material e Métodos 

O monitoramento da herpetofauna das áreas em 
recuperação ambiental da MRN foram desenvolvidos nos cinco 
platôs acima citados, a saber: Saracá (SAC), Papagaio (PAP), 
Periquito (PER), Almeidas (ALM) e Aviso (AVS) (Figura 1). O 
monitoramento foi desenvolvido somente após cessada a 
atividade minerária e estabelecida a recuperação ambiental. 

O estudo foi desenvolvido mediante o estabelecimento de 
linhas de amostragem que transpõem a totalidade da área dos 
platôs, de forma a acessar a heterogeneidade ambiental presente 
(Cullen-Jr. & Rudran, 2004) e, também, contribuições da matriz 
florestal adjacente no processo de recuperação. Para tanto, 
transectos foram dispostos em linhas paralelas com sentido 
Norte-Sul, distantes 1 km um do outro, de forma a abrangerem 
áreas em recuperação em diferentes condições e locais (Figuras 
2 a 6). A premissa do estabelecimento desse desenho amostrai 
foi o da sistematização da informação, a partir do qual um 
primeiro transecto é estabelecido e os demais dispostos mediante 
uma disposição fixa (seg. Fleyer et al., 1994; Cullen-Jr. & 
Rudran, 2004; Sutherland, 2006). 


79 



Figura 1 - Localização dos platôs Papagaio, Periquito, Saracá, 
Aviso e Almeidas, definidos para o monitoramento da 
herpetofauna nas áreas em recuperação ambiental da FLONA de 
Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 



Assim como no estudo de monitoramento da 
herpetofauna das áreas florestais adjacentes à mineração de 
bauxita (ver Capítulo 3 deste livro), a coleta e observação de 
anfíbios e répteis ocorreu ao longo dos transectos de 
amostragem mediante o procedimento de busca ativa limitada 
por tempo. No total, quatro campanhas foram desenvolvidas ao 
longo de dois anos de estudo, sendo duas durante os períodos 


80 













chuvosos e duas durante a estiagem. Em cada campanha 
percorreu-se a totalidade dos transectos em dois dias e duas 
noites, efetuando-se a busca por espécimes em todos os 
ambientes visivelmente acessíveis. A cada 500 metros, a busca 
foi intensificada durante 10 minutos, nos quais efetuou-se a 
busca sob troncos e pedras, sob a serapilheira e sobre a 
vegetação (Heyer et at., 1994; Franco & Salomão, 2002). Os 
horários de coleta ocorreram entre as 8:00h e 14:00h e entre as 
16:00h e 22:00h. Todos os registros de espécies foram anotados 
em conjunto com dados referentes à hora, condições da 
recuperação ambiental local, substrato e coordenadas (tomadas 
com auxílio de aparelho GPS). 

Também de maneira similar ao estudo anterior (Capítulo 
3), os dados obtidos foram avaliados quanto à riqueza e à 
diversidade presentes em cada platô, além da similaridade entre 
os mesmos. Nos casos de riqueza e diversidade, as análises 
foram realizadas mediante o emprego de curvas de acumulação 
de espécies (curvas de rarefação), de estimadores de riqueza 
não métricos como o Chao 2, Jackknife 2 e Bootstrap e utilização 
do índice de Shannon. Já para a similaridade, foram utilizadas 
análises de Cluster e de "Nonmetric Multidimensional Scaling" 
(NMDS) para revelar a ordenação das parcelas diante da 
composição de espécies. A ordenação foi feita utilizando-se uma 
matriz de dados de presença e ausência, resultado do cálculo do 
índice de Similaridade de Jaccard. 

As possíveis similaridades na composição de espécies 
entre os ambientes foram estatisticamente avaliadas mediante o 
teste de similaridade ANOSIM (Clarke & Warwick, 2001) que, a 
partir de um valor de correlação, permite observar diferenças nos 
ambientes em função da composição de espécies. A análise 
NMDS e o teste ANOSIM foram realizados com auxílio do 
software PAST® (Hammer et a!., 2001). 


81 



Figura 2 - Sistema amostrai em transectos nas áreas do Projeto 
de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) do Platô Saracá e 
respectivos anos de início da recuperação. 



Figura 3 - Sistema amostrai em transectos nas áreas do Projeto 
de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) do Platô Almeidas e 
respectivos anos de início da recuperação. 



82 















Figura 4 - Sistema amostrai em transectos nas áreas do Projeto 
de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) do Platô Aviso e 
respectivos anos de início da recuperação. 



Figura 5 - Sistema amostrai em transectos nas áreas do Projeto 
de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) do Platô Papagaio e 
respectivos anos de início da recuperação. 



83 


















Figura 6 - Sistema amostrai em transectos nas áreas do Projeto 
de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) do Platô Periquito e 
respectivos anos de início da recuperação. 



Resultados e Discussão 

Os estudos com a herpetofauna nas áreas em 
recuperação ambiental contabilizaram, para o conjunto de quatro 
campanhas, um total de 2296 indivíduos de 62 espécies 
herpetofaunísticas, sendo 806 indivíduos de 22 espécies de 
anfíbios e 1490 indivíduos de 40 espécies de répteis. Em relação 
à riqueza, os valores obtidos representam 40,7% e 31,7% do 
número total de espécies de anfíbios e répteis conhecidas para a 
FLONA (54 e 126 espécies, respectivamente - ver capítulos 1 e 2 
deste livro). 

A Tabela 1 apresenta uma síntese dos valores de riqueza, 
abundância, diversidade e equitabilidade obtidos para anfíbios e 
répteis em cada uma das campanhas, para os dois anos 
individualmente e agrupados para todo o período amostrai. 
Segundo a referida tabela, 456 indivíduos de 18 espécies de 
anfíbios (56,6% da abundância e 81,8% da riqueza totais) e 353 
indivíduos de 24 répteis (23,7% da abundância e 60% da 
riqueza) foram obtidos durante o primeiro ano de estudos, 
enquanto 350 indivíduos de 19 anfíbios (43,4% da abundância e 
86,4% da riqueza) e 1137 indivíduos de 33 répteis (76,3% da 


84 






abundância e 82,5% da riqueza) foram registrados no segundo 
ano (Figura 7). Tais diferenças podem ser devidas a 
microvariações climáticas observadas ao longo dos dois anos, 
uma vez que maiores concentrações de anfíbios, por exemplo, 
podem ser decorrentes de pequenos períodos chuvosos (os quais 
parecem tender a gerar estímulos reprodutivos rápidos), ao 
passo em que períodos mais secos podem permitir um maior 
encontro de espécies heliófilas de lagartos, especialmente em 
áreas com vegetação mais aberta, como é o caso dos platôs em 
recuperação. 

As variações anteriormente descritas são mais evidentes 
em relação à abundância. Já quanto à riqueza, verifica-se 
pequena alteração entre os dois anos para anfíbios. Para répteis, 
entretanto, as variações são mais incidentes, sendo devidas à 
maior taxa de encontro de serpentes no segundo ano (25 
espécies) em relação ao primeiro (11). Ressalta-se, nesse 
sentido, que períodos chuvosos foram mais propensos ao registro 
de espécies desse grupo em comparação a períodos de estiagem, 
uma vez que muitas espécies de serpentes se valem dos 
primeiros períodos para a busca de suas presas (especialmente 
nos casos de espécies anurófagas ou malacófagas; ver Martins & 
Oliveira, 1998). 


Tabela 1 - Riqueza, abundância, diversidade (H) e equitabilidade 
(J) de anfíbios e répteis segundo diferentes períodos do 
monitoramento da recuperação ambiental na FLONA de Saracá- 
Taquera, Estado do Pará, Brasil. 


Grupo/Período 

Riqueza 

Abundância 

Diversidade(H) 

Equitabilidade(J) 

Anfíbios 

Dados Totais 

22 

806 

2,331 

0,7542 

Primeiro Ano 

18 

456 

2,223 

0,7692 

Segundo Ano 

19 

350 

2,263 

0,7685 

Campanha 1 

15 

402 

2,080 

0,7680 

Campanha 2 

8 

54 

1,954 

0,9396 

Campanha 3 

17 

246 

2,271 

0,8016 

Campanha 4 

10 

104 

1,668 

0,7245 

Répteis 

Dados Totais 

40 

1490 

1,533 

0,4156 

Primeiro Ano 

24 

353 

1,262 

0,3972 

Segundo Ano 

33 

1137 

1,462 

0,4183 

Campanha 1 

15 

163 

1,267 

0,468 

Campanha 2 

14 

190 

1,109 

0,4203 

Campanha 3 

28 

537 

1,697 

0,5093 

Campanha 4 

17 

600 

1,157 

0,4085 


85 







Figura 7 - Riqueza e abundância de anfíbios e répteis nos dois 
anos de monitoramento da recuperação ambiental na FLONA de 
Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 


a 

s« 

kl 

Riqueza - 

18 19 

J 

Anfíbios 

■ Primeiro Ano 

■ Segundo Ano 

t 7 

s 500 ! 

Õ400 

ui 300 \ 

« 200 

hl 

Abundância - Anfíbios 

456 

350 

■ Primeiro Ano 

■ Segundo Ano 

* 35 i 

* 30 

5 25 
í 20 

| 15 

• 10 \ 

Riqueza - 

33 

Ê 

Répteis 

■ Primeiro Ano 

■ Segundo Ano 

t 7 

Riqueza de Espécies 

Cl O oi 

O § 8 8 

k -'- 1 - 1 

Abundância - Répteis 

1137 

■ Primeiro Ano 

353 ■ Segundo Ano 

/^7 


Quanto aos índices de Diversidade de Shannon (H) para 
todo o período amostrai, os mesmos foram 2,331 para anfíbios e 
1,533 para répteis. Quanto à Equitabilidade (J), para anfíbios o 
valor obtido foi 0,7542 (indicando certa homogeneidade dos 
dados referentes às diferentes espécies), enquanto para répteis o 
valor foi 0,4156 (denotando alta heterogeneidade, derivada 
especialmente do alto valor para poucas espécies de répteis em 
contraposição a uma elevada riqueza de espécies raras) (Melo, 
2008). Tais valores indicam comunidades ainda com riqueza 
mediana, condição esta distinta da região florestada da Amazônia 
setentrional porém esperada para áreas alteradas. 

Para cada um dos anos de estudo, os índices de 
diversidade de Shannon apresentam valores inferiores ao total 
acumulado, condição esta que indica que cada ano apresentou 
características peculiares em relação à riqueza e à abundância. 

Em relação às quatro campanhas de monitoramento 
(Figura 8), as condições observadas foram as seguintes. 

Para anfíbios, a primeira campanha foi responsável pelo 
maior número de registros (402, equivalentes a 49,9% da 


86 





abundância total), sendo seguida pela terceira campanha (246 
indivíduos; 30,5%), pela quarta (104 indivíduos; 12,9%) e 
finalmente pela segunda (54 indivíduos; 6,7%). Tais valores 
sugerem influência da sazonalidade sobre a anurofauna das 
áreas em recuperação, sendo que os maiores valores referem-se 
a períodos chuvosos. Já em relação à riqueza, a terceira e a 
primeira campanhas apresentaram também os maiores valores 
(17 e 15 espécies, valores equivalentes a 77,3% e 68,2% da 
riqueza total, respectivamente), sendo seguidas pela quarta 
campanha (10 espécies; 45,5% da riqueza) e finalmente pela 
segunda (8 espécies; 36,4%%). Desta forma, também em 
relação à riqueza observa-se correspondência entre maiores 
valores de registro de anfíbios com períodos chuvosos. 

Para répteis, as campanhas apresentaram condições 
distintas das verificadas para anfíbios. Em cada ano 
individualmente, as campanhas com maiores abundâncias foram 
as dos períodos de estiagem. Entretanto, considerando as quatro 
campanhas, a do período de estiagem do primeiro ano foi quase 
três vezes inferior à do período chuvoso do ano seguinte. Os 
motivos para tal variação não podem ser ainda entendidos, 
porém podem deter relação com condições climáticas regionais 
(uma vez que o esforço amostrai foi similar). 

Em ordem, as campanhas para répteis com maiores 
abundâncias foram as seguintes: quarta campanha (com 600 
indivíduos; 40,3% do total), terceira (537 indivíduos; 36%), 
segunda (190, 12,8%) e finalmente a primeira (163 indivíduos; 
10,9% do total). Já em relação à riqueza, a terceira campanha 
foi a mais rica, com 28 espécies (70% do total de espécies 
registradas para todo o período de estudo). As demais 
campanhas apresentaram valores bastante próximos entre si, 
sendo em ordem decrescente as seguintes: quarta campanha (17 
espécies; 42,5%), primeira campanha (15 espécies; 37,5%) e 
segunda campanha (14 espécies; 35%). 

Observa-se uma condição inversa entre a abundância dos 
répteis e anfíbios na primeira e na quarta campanhas (o que 
concorda com os aspectos sazonais regionais), ao passo em que, 
da segunda para a terceira, ambos os grupos apresentaram 
incrementos nos números de registros. Em parte, as variações 
entre estas duas últimas campanhas devem-se a um incremento 
no número de serpentes na amostragem (4 na segunda 
campanha e 18 na terceira). Entretanto, tais valores são baixos 
em relação ao total de répteis amostrados em cada período, não 


87 



devendo este ser considerado um valor explicativo das variações 
registradas na abundância (embora o sejam para a riqueza). Os 
motivos para as variações na abundância podem ser, portanto, 
relacionados a microcondições climáticas dos dias de 
amostragem, as quais permitem o registro de maiores 
concentrações de anfíbios (que se agregam em atividade 
reprodutiva junto a lagoas temporárias em dias chuvosos) ou 
lagartos heliófilos (encontrados em maior atividade em dias 
secos), conforme cada condição. Deve-se destacar, nesse 
sentido, que as áreas em recuperação dos platôs agregam 
diversas espécies que apresentam tais características e que 
predominam em cada taxocenose, a exemplo dos anuros Rhinella 
marina, Leptodactylus fuscus e Scinax ruber e dos lagartos 
Cnemidophorus spp. e Ameiva ameiva. 


Figura 8 - Riqueza e abundância de anfíbios e répteis nas quatro 
campanhas de monitoramento da recuperação ambiental na 
FLONA de Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 


Riqueza - Anfíbios 


Abundância - Anfíbios 



Riqueza - Répteis 


■ Campanha 1 

■ Campanha 2 

■ Campanha 3 

■ Campanha 4 



■ Campanha 1 

■ Campanha 2 

■ Campanha 3 

■ Campanha 4 


Abundância - Répteis 



■ Campanha 1 

■ Campanha 2 

■ Campanha 3 

■ Campanha 4 



■ Campanha 1 

■ Campanha 2 

■ Campanha 3 

■ Campanha 4 


Estimativas de Riqueza 

Dispondo-se os dados obtidos para avaliação mediante 
curvas de rarefação, verifica-se que, tanto para anfíbios quanto 
para répteis, as curvas mantêm-se em elevação, não obstante 
haja uma maior tendência à estabilização para o primeiro grupo 
(Figuras 9 e 10). Já em relação aos estimadores de riqueza, para 


88 





anfíbios os mesmos indicam que as amostragens atingiram o 
total de espécies presentes nas áreas como um todo (salvo no 
caso dos estimadores Jackknife 1 e Bootstrap com base em 
dados primários, que indicam a possibilidade de ocorrência de 
uma a cinco outras espécies). Em relação aos répteis, por sua 
vez, todos os estimadores com base em dados primários indicam 
a ocorrência de outras espécies na área, em valores que variam 
entre duas a 16 (considerando o limite máximo dos desvios- 
padrão). Já com base em dados médios (aleatorizados), os 
estimadores indicam que a riqueza observada corresponde 
àquela já registrada nas áreas. 

A possibilidade de ocorrência de outros répteis em valor 
que pode chegar a 40% acima do total ora observado deve-se à 
alta incidência de espécies mais raras na amostragem (singtetons 
ou doubtetons), condição que tende a elevar os valores dos 
estimadores, especialmente Jackknife 1 (Magurran, 1988; 
Santos, 2004). 

Em relação aos dois anos de monitoramento, as Figuras 
11 e 12 apresentam as estimativas de riqueza de anfíbios e 
répteis mediante curvas de rarefação e avaliação de estimadores, 
respectivamente. 

Figura 9 - Curva de rarefação e estimadores de riqueza 
quadrática total (dois anos em conjunto) para anfíbios no 
monitoramento da recuperação ambiental na FLONA de Saracá- 
Taquera, Estado do Pará, Brasil. 


Anfíbios 

25 1 

«o 20 \ - _ 

■4) 

1 15 1 

4) 

TJ 

55 io / 

4) / 

3 

cr / 

“ 5 / 


1 101 201 301 401 501 601 701 801 

Número de Indivíduos 


Dados em Bases Primárias Dados Aleatorizados (Média) 


Período 

Obtida 

Chao 2 

Jackknife 

1 

Bootstrap 

Chao 2 

Jackknife 

1 

Bootstrap 

Total 

22 

22,8 

DP=0,33 

25,2 

DP=2,33 

23,72 

21,75 

DP=3,08 

22,71 

DP=2,97 

21,51 

DP=2,26 


89 








Figura 10 - Curva de rarefação e estimadores de riqueza 
quadrática total (dois anos em conjunto) para répteis no 
monitoramento da recuperação ambiental na FLONA de Saracá- 
Taquera, Estado do Pará, Brasil. 


Répteis 

45 
40 
8 35 

f 30 

(0 

w 25 

a> 

« 20 
§ 15 

CT 

E 10 
5 
0 

1 201 401 601 801 1001 1201 1401 

Número de Indivíduos 


Período 

Riqueza 

Obtida 

Dados em Bases Primárias 

Chao 2 Jackknife Bootstrap 

Dados Aleatorizados (Média) 

Chao 2 Jackknife Bootstrap 

Total 

40 

46,4 

DP=4,46 

52,8 

DP=4,27 

46,36 

42,88 

DP=13,5 

42,32 

DP=7,66 

38,05 

DP=5,73 



Figura 11 - Curva de rarefação e estimadores de riqueza 
quadrática por ano para anfíbios no monitoramento da 
recuperação ambiental na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do 
Pará, Brasil. 


Anfíbios 




Riqueza 

Obtida 

Dados em Bases Primárias 

Dados Aleatorizados (Média) 

Ano 

Chao 2 

Jackknife 

1 

Bootstrap 

Chao 2 

Jackknife 

1 

Bootstrap 

Primeiro 

18 

19,6 

21,2 

19,52 

17,94 

18,53 

17,57 

DP=2,38 

DP=2,33 

— 

DP=3,06 

DP=2,80 

DP=2,03 

Segundo 

19 

24,6 

24,6 

21,48 

18,96 

19,40 

17,94 

DP=5,80 

DP=2,99 

— 

DP=4,06 

DP=3,76 

DP=2,86 


90 


























Figura 12 - Curva de rarefação e estimadores de riqueza 
quadrática por ano para répteis no monitoramento da 
recuperação ambiental na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do 
Pará, Brasil. 


35 



Répteis 




30 








25 

20 

15 

10 

5 - 

0 








1 101 201 301 

401 501 

601 701 

801 901 

1001 1101 





-Primeiro Ano 

Segundo Ano 








Ano 

Riqueza 

Obtida 

Dados em Bases Primárias 

_ Jackknife _ . 

Chao 2 j Bootstrap 

Dados Aleatorizados (Média) 

_. _ 1 Jackknife _ . , 

Chao 2 j Bootstrap 

Primeiro 

24 

38 

DP=9,86 

36 

DP=2,83 

29,31 

25,52 

DP=10,21 

24,26 

DP=6,03 

21,27 

DP=4,32 

Segundo 

33 

42,6 

DP=6,52 

45,8 

DP=3,88 

38,99 

35,78 

DP=13,47 

34,11 

DP=7,45 

30,46 

DP=5,44 


Para anfíbios, verifica-se que a curva de rarefação do 
segundo ano apresenta tendência a uma maior riqueza, não 
obstante a menor abundância obtida. Por sua vez, a curva 
referente ao primeiro ano apresenta maior tendência à 
estabilização. Estas condições são evidentes também nos 
estimadores avaliados, que indicam que as amostragens do 
primeiro ano apresentam maior correspondência entre a riqueza 
observada e a estimada. Para o segundo ano, os estimadores 
Jackknife 1 e Bootstrap em bases primárias indicam a 
possibilidade de ocorrência local de outras duas a oito espécies. 

Em relação aos répteis, as curvas referentes aos dois 
anos de monitoramento indicam a possibilidade de ocorrência de 
outras espécies, uma vez que ambas apresentam-se em 
elevação. Não obstante a menor abundância verificada no 
primeiro ano, a curva obtida sugere uma riqueza maior em 
relação ao segundo. Entretanto, tal condição não é corroborada 
pelos estimadores avaliados, os quais indicam uma maior riqueza 
no segundo ano amostrai. Em relação aos estimadores, ainda, 
em bases primárias todos demonstram que outras espécies 
seriam passíveis de registro na região, condição esta evidenciada 
tanto pelos valores mais altos estimados quanto pelos desvios- 


91 



















padrão elevados. Em relação aos dados médios, os valores 
estimados se aproximam dos observados, porém também 
apresentando desvios-padrão elevados. 

Em relação às quatro campanhas realizadas, as curvas de 
rarefação obtidas e as estimativas de riqueza são apresentadas 
nas Figura 13 e 14. Para répteis, as curvas não apresentam 
nenhuma tendência à estabilizam, indicando que em todas as 
campanhas o número de espécies locais poderia apresentar 
acréscimos. Ainda assim, no geral verifica-se que as campanhas 
referentes às estações secas (segunda e quarta) tenderam a 
riquezas menores, embora a quarta campanha apresente uma 
abundância superior às demais. Esta é uma condição esperada, 
haja vista a maior facilidade de encontro de serpentes (grupo 
mais rico dentre os répteis regionais) durante as estações 
chuvosas, conforme já anteriormente discutido. 

Figura 13 - Curva de rarefação e estimadores de riqueza 
quadrática por campanha para anfíbios no monitoramento da 
recuperação ambiental na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do 
Pará, Brasil. 


18 

16 

14 

12 

10 

8 

6 

i| 

^_ ^AnfibÉO^___ 

1 

51 101 151 201 251 301 351 401 

Primeira Campanha Segunda Campanha 

Terceira Campanha Quarta Campanha 

Campanha 

Riqueza 

Obtida 

Dados em Bases Primárias 

_ Jackknife 1 _ . , 

Chao 2 ! Bootstrap 

Dados Aleatorizados 

_ Jackknife 

Chao 2 j 

Média) 

Bootstrap 

1 

15 

15,27 

DP=0,78 

16,6 

DP=0,98 

15,85 

14,74 

DP=1,75 

15,46 

DP=1,68 

14,88 

DP=1,16 

2 

8 

9,2 

DP=2,14 

10,4 

DP=1,6 

9,08 

7,61 

DP=1,62 

8,35 

DP=1,79 

7,68 

DP=1,30 

3 

17 

21 

DP=4,52 

21,8 

DP=1,96 

19,14 

16,53 

DP=3,19 

17,23 

DP=2,92 

15,98 

DP=2,21 

4 

10 

12 

DP=2,61 

14 

DP=2,19 

11,88 

9,81 

DP=3,45 

10,39 

DP=2,86 

9,23 

DP=2,15 


Em relação aos estimadores, todos em base de dados primários 
indicam a possibilidade de ocorrência de outras espécies para a 
área, o que concorda com o observado nas curvas de rarefação. 


92 





















Com base em dados aleatorizados os valores se aproximam do 
observado, porém apresentando desvios-padrão mais amplos 
(exceção a Chao 2). 


Figura 14 - Curva de rarefação e estimadores de riqueza 
quadrática por campanha para répteis no monitoramento da 
recuperação ambiental na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do 
Pará, Brasil. 



Primeira Campanha Segunda Campanha 

Terceira Campanha Quarta Campanha 




Dados em Bases Primárias 

Dados Aleatorizados (Média) 

Campanha 

Obtida 

Chao 2 

Jackknife 

1 

Bootstrap 

Chao 2 

Jackknife 

1 

Bootstrap 

1 

15 

27 

DP=10,40 

23 

DP=2,19 

18,45 

15,44 

DP=5,49 

15,57 

DP=3,99 

13,55 

DP=2,82 

2 

14 

17,36 

DP=3,57 

19,6 

DP=2,04 

16,62 

14,04 

DP=4,34 

14,57 

DP=3,39 

12,96 

DP=2,51 

3 

28 

41,71 

DP=9,32 

40,8 

DP=3,44 

33,74 

30,41 

DP=12,14 

29,03 

DP=6,71 

25,57 

DP=4,85 

4 

17 

24,2 

DP=6,21 

25 

DP=2,83 

20,59 

17,73 

DP=6,23 

17,53 

DP=4,35 

15,41 

DP=3,13 


Composição, Riqueza, Abundância e Diversidade de 
Espécies por Piatô 

Em relação aos cinco platôs avaliados, considerando os 
dois anos de monitoramento em conjunto, a riqueza de anfíbios 
variou entre 11 (piatô Almeidas) e 18 espécies (piatô Periquito) 
(amplitude = 7; média = 14,4). Já em relação à abundância, a 
mesma variou entre 103 (piatô Aviso) e 208 indivíduos (piatô 
Periquito) (amplitude = 105; média = 161,2) (Figura 15). 

Para répteis, a riqueza variou entre 11 (piatô Aviso) e 22 
espécies (piatô Papagaio) (amplitude = 11; média = 17,2), 
enquanto a abundância variou entre 233 (Almeidas) e 357 
indivíduos (Aviso) (amplitude = 124; média = 298) (Figura 16). 


93 





















Figura 15 - Riqueza e abundância de anfíbios por platô em 
relação aos dois anos de monitoramento da recuperação 
ambiental na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 


Anfíbios - Riqueza por Platô 


18 

w 16 
•5 14 
•S 


a> 6 

3 

4 

CC 

2 
0 

ALM AVS PAP PER SAC 

Platõs 


Anfíbios - Abundância por Platô 



Platõs 


Legenda: ALM - Almeidas; AVS - Aviso; PAP - Papagaio; PER - Periquito; SAC - Saracá. 



Em relação à riqueza, o platô Papagaio apresentou o 
maior número de espécies, ao passo em que o platô Aviso 
apresentou o menor. Já quanto à abundância, o Aviso foi o que 
contemplou o maior número de indivíduos, em grande parte 
decorrente do elevado número de registros dos lagartos do 
gênero Cnemidophorus, bastante frequentes nas áreas abertas, 
ainda em estágios iniciais de recuperação. Por sua vez, o platô 
Saracá contabilizou o segundo maior número de registro de 
répteis, nos quais o lagarto Gonatodes humeratis foi 
preponderante. Esta espécie mostra-se como a mais abundante 


94 









dentre todos os répteis da FLONA como um todo, e seu elevado 
número de registros no Saracá pode indicar que o mesmo 
encontra-se em processo adequado de recuperação. Entretanto, 
no Saracá foram registrados valores ainda elevados dos lagartos 
heliófilos Ameiva ameiva e Cnemidophorus lemniscatus. 


Figura 16 - Riqueza e abundância de répteis por platô em relação 
aos dois anos de monitoramento da recuperação ambiental na 
FLONA de Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 


Répteis - Riqueza por Platô 



ALM AVS PAP PER SAC 

Platôs 


Répteis - Abundância por Platô 



ALM AVS PAP PER SAC 

Platôs 


Legenda: ALM - Almeidas; AVS - Aviso; PAP - Papagaio; PER - Periquito; SAC - Saracá. 


Os dados de riqueza e abundância de anfíbios e répteis 
por platô e totais são apresentados nas Tabelas 2 e 3. 


95 








Tabela 2 - Riqueza, abundância, diversidade (H) e equitabilidade 
(J) de anfíbios em relação aos dois anos de monitoramento da 
recuperação ambiental na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do 
Pará, Brasil. 


TAVOIU 



PLATÔ 



THT A 1 

1 AXUIN 

ALM 

AVS 

PAP 

PER 

SAC 

1 U 1 AL 

AMPHIBiA 







ANURA 







Aromobatidae 







Allobates femoralis 

0 

0 

1 

11 

3 

15 

Anomaloglossus baeobatrachus 

0 

0 

0 

0 

6 

6 

Bufonidae 

Rhinella castaneotica 

0 

1 

0 

3 

0 

4 

Rhinella margaritifera 

3 

2 

3 

9 

1 

18 

Rhinella nnarina 

31 

34 

36 

7 

21 

129 

Rhinella mirandaribeiroi 

0 

0 

0 

0 

1 

1 

Hylidae 

Dendropsophus minutus 

0 

3 

10 

23 

1 

37 

Hypsiboas boans 

0 

0 

0 

0 

3 

3 

Osteocephalus oophagus 

10 

2 

51 

81 

69 

213 

Scinax ruber 

20 

6 

20 

6 

11 

63 

Phyllomedusidae 

Phyllomedusa bicolor 

0 

0 

1 

1 

0 

2 

Leptodactylidae 

Adenomera andreae 

9 

7 

15 

5 

4 

40 

Adenomera hylaedactyla 

2 

7 

0 

0 

3 

12 

Leptodactylus knudseni 

6 

1 

5 

5 

11 

28 

Leptodactylus mystaceus 

3 

0 

8 

9 

6 

26 

Leptodactylus pentadactylus 

5 

5 

16 

14 

6 

46 

Leptodactylus rhodomystax 

0 

5 

4 

7 

1 

17 

Leptodactylus fuscus 

59 

30 

13 

18 

9 

129 

Leptodactylus stenodema 

0 

0 

0 

1 

0 

1 

Leptodacylus sp. 

0 

0 

0 

1 

2 

3 

Strabomantidae 

Pristimantis sp. 

0 

0 

5 

6 

0 

11 

Pristimantis zimmermannae 

1 

0 

0 

1 

0 

2 

RIQUEZA TOTAL 

11 

12 

14 

18 

17 

22 

ABUNDÂNCIA TOTAL 

149 

103 

188 

208 

158 

806 

DIVERSIDADE (H) 

1,806 

1,896 

2,192 

2,207 

2,039 

2,331 

EQUABILIDADE (J) 

0,7531 

0,763 

0,8306 

0,7637 

0,7198 

0,7542 

Legenda: ALM - Almeidas; AVS - 

- Aviso; PAP 

- Papagaio 

; PER - 

Periquito; SAC - Saracá. 


Tabela 3 - Riqueza, abundância, diversidade (H) e equitabilidade 
(J) de répteis em relação aos dois anos de monitoramento da 
recuperação ambiental na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do 
Pará, Brasil. 



96 









PLATÔ 





ALM 

AVS 

PAP 

PER 

SAC 


CROCODYLIA 







Alligatoridae 







Paleosuchus trigonatus 

2 

0 

0 

0 

0 

2 

SQUAMATA 







LAGARTOS 







Dactyloidae 







Dactyloa punctata 

0 

0 

1 

0 

0 

1 

Norops fuscoauratus 

5 

1 

4 

2 

7 

19 

Norops chrysolepis 

0 

0 

0 

1 

0 

1 

Norops ortonii 

1 

1 

2 

1 

0 

5 

Tropiduridae 

Plica plica 

1 

0 

0 

5 

0 

6 

Plica umbra 

0 

0 

1 

2 

2 

5 

Uranoscodon superciliosus 

0 

0 

1 

0 

1 

2 

Gymnophthalmidae 

Cercosaura ocellata 

2 

0 

2 

0 

0 

4 

Leposoma guianense 

0 

0 

4 

2 

1 

7 

Mabuyidae 

Copeoglossum nigropunctatum 

0 

0 

0 

2 

3 

5 

Phyllodactylidae 

Thecadactylus rapicauda 

0 

0 

1 

0 

5 

6 

Sphaerodactylidae 

Gonatodes humeralis 

51 

17 

148 

239 

216 

671 

Teiidae 

Am ei va ameiva 

2 

13 

12 

6 

22 

55 

Cnemidophorus cryptus 

148 

238 

48 

35 

39 

508 

Cnemidophorus lemniscatus 

13 

81 

17 

2 

21 

134 

Kentropyx calca rata 

1 

0 

1 

1 

7 

10 

Tupinambis teguxin 

0 

2 

0 

0 

3 

5 

SERPENTES 







Anyliidae 







Anylius scytale 

0 

0 

0 

1 

0 

1 

Typhlopidae 

Amerotyphlops reticulatus 

0 

0 

1 

1 

0 

2 

Boidae 

Boa constrictor 

2 

0 

0 

1 

0 

3 

Corallus caninus 

0 

0 

0 

1 

0 

1 

Corallus hortulanus 

0 

1 

2 

0 

0 

3 

Colubridae 

Chironius fuscus 

0 

0 

1 

0 

0 

1 

Drymoluber dichorus 

0 

0 

0 

1 

0 

1 

Leptophis ahaetulla 

0 

0 

0 

1 

0 

1 

Mastigodryas boddaertii 

0 

1 

4 

0 

2 

7 

Oxybelis aeneus 

0 

0 

0 

1 

1 

2 

Oxybelis fuigidus 

1 

1 

0 

0 

0 

2 

Dipsadidae 

Atractus schach 

0 

0 

1 

0 

0 

1 

Clelia delia 

0 

0 

1 

0 

0 

1 

Drepanoides anomalus 

0 

0 

2 

0 

0 

2 

Imantodes cenchoa 

0 

0 

0 

0 

2 

2 

Oxyrhopus occipitalis 

0 

0 

0 

0 

1 

1 

Pseudoboa coronata 

1 

0 

0 

0 

0 

1 

Pseudoboa neuwiedii 

2 

0 

0 

0 

0 

2 

Viperidae 

Bothrops atrox 

1 

0 

0 

0 

1 

2 

RIQUEZA TOTAL 

15 

11 

22 

20 

18 

40 

ABUNDÂNCIA TOTAL 

233 

357 

257 

307 

336 

1490 

DIVERSIDADE (H) 

1,209 

1 

1,553 

0,9698 

1,403 

1,533 

EQUABILIDADE (J) 

0,4464 

0,4172 

0,5025 

0,3237 

0,4852 

0,4156 

Legenda: ALM - Almeidas; AVS 

- Aviso; PAP 

- Papagaio; 

PER - Periquito; SAC 

- Saracá. 



97 





Em relação à riqueza, evidencia-se correspondência entre 
platôs com estágios similares de recuperação, com menores 
valores verificados naqueles com plantios mais recentes 
(Almeidas e Aviso) e maiores valores para platôs em condições 
intermediárias (Papagaio e Periquito, acrescidos ainda do platô 
Saracá no tocante a anfíbios). No caso deste último platô, 
embora o mesmo contemple as áreas mais antigas de 
recuperação e cobertura arbórea mais densa, sua riqueza ainda 
não revela valores elevados e condizentes com os observados 
nas áreas primitivas do topo dos platôs (ver Capítulo 3). 

Comparando-se os resultados obtidos para anfíbios entre 
os dois anos de estudo (Figura 17), verifica-se que, para três 
dois cinco platôs, os dois anos apresentaram valores similares de 
riqueza. As duas exceções referem-se aos platôs Aviso, que 
apresentou incremento de cinco espécies, e o platô Papagaio, 
que apresentou redução em 7 espécies. Já em relação à 
abundância, incrementos entre os dois anos foram verificados 
apenas nos platôs Almeidas e Aviso, enquanto reduções no 
número de registros foram verificadas no Papagaio e no 
Periquito. Os motivos para tais variações podem deter relação 
com eventos climáticos ocorrentes nos dias de coleta (tais como 
chuvas e formação de poças temporárias ou, por outro lado, de 
dias com forte insolação), fenômenos estes que sabidamente 
interferem na frequência de registros de anfíbios, especialmente 
em áreas mais abertas {e.g., Vasconcelos & Rossa-Feres, 2005). 
Quanto ao platô Saracá, onde a cobertura vegetal das áreas em 
recuperação é mais densa e arbórea, os números de registros de 
anfíbios entre os dois anos foi bastante similar. 

Em relação aos répteis, em todos os platôs foram 
observados incrementos da riqueza e da abundância no segundo 
ano em relação ao primeiro. A única exceção refere-se ao platô 
Aviso, cuja riqueza foi similar entre os dois anos (Figura 18). 

O incremento no número de registros de espécies e de 
indivíduos de répteis ao longo dos dois anos não deve ser 
atribuído à evolução do ambiente aberto para florestal, uma vez 
que intervalo entre o desenvolvimento dos estudos em campo foi 
pequeno. A alta taxa de registros de lagartos heliófilos dos 
gêneros Cnemidophorus e Ameiva nos platôs indica, por 
exemplo, que as áreas ainda se encontram desprovidas de 
florestas densas, que consistem nos ambientes originais locais e 
que limitariam a ocorrência abundante dessas espécies, que 


98 



podem ser consideradas indicadoras de áreas abertas ( e.g ., Vitt 
& Colli, 1994). Por outro lado, observou-se ao longo dos dois 
anos um incremento no número de registros desses mesmos 
lagartos e de Gonatodes humeralis, o que sugere um aumento da 
densidade da entomofauna das áreas (elemento básico da dieta 
dessas espécies). Nessa perspectiva, pode-se inferir alguma 
melhoria na qualidade ambiental dos platôs ao longo da 
recuperação. 


Figura 17 - Riqueza e abundância de anfíbios por platô por ano de 
monitoramento da recuperação ambiental na FLONA de Saracá- 
Taquera, Estado do Pará, Brasil. 



Legenda: ALM - Almeidas; AVS - Aviso; PAP - Papagaio; PER - Periquito; SAC - Saracá. 


99 









Figura 18 - Riqueza e abundância de répteis por platô por ano de 
monitoramento da recuperação ambiental na FLONA de Saracá- 
Taquera, Estado do Pará, Brasil. 



Legenda: ALM - Almeidas; AVS - Aviso; PAP - Papagaio; PER - Periquito; SAC - Saracá. 


Estimativas de Riqueza por Platô 

As estimativas de riquezas de anfíbios e répteis para cada 
um dos platôs mediante curvas de rarefação e estimadores não 
paramétricos, considerando os dados consolidados dos dois anos 
de estudos, encontram-se expressas nas Figuras 19 e 20. 


100 








Figura 19 - Curva de rarefação e estimadores de riqueza 
quadrática para anfíbios por platô no monitoramento da 
recuperação ambiental na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do 
Pará, Brasil. 


Anfíbios - Análise por Platô 



Papagaio 

— Periquito 
Saracá 

— Almeidas 
Aviso 


Dados em Bases Primárias Dados Aleatorizados (Média) 


Obtida Chao 2 Jackknife Bootstrap Chao 2 Jackknife Bootstrap 


Almeidas 

11 

12,12 

DP=1,76 

14 

DP=1,73 

12,46 

o 

o 

O II 

i-l Q. 

O 

11,50 

DP=2,36 

10,53 

DP=1,79 

Aviso 

12 

15,94 

DP=4,15 

17,25 

DP=4,31 

14,41 

14,67 

DP=9,20 

12,54 

DP=4,78 

11,08 

DP=3,73 

Papagaio 

14 

17,94 

DP=4,15 

19,25 

DP=4,31 

16,41 

17,07 

DP=10,72 

14,34 

DP=4,98 

12,90 

DP=3,87 

Periquito 

18 

21,5 

DP=3,50 

24 

DP=2,45 

20,86 

19,18 

DP=6,93 

18,74 

DP=4,35 

16,95 

DP=3,33 

Saracá 

17 

22,4 

DP=4,97 

23,75 

DP=2,56 

20,11 

17,37 

DP=5,76 

17,63 

DP=4,38 

15,78 

DP=3,26 


Para anfíbios, verifica-se que as curvas de rarefação 
encontram-se ainda em elevação para todos os platôs, indicando 
que outras espécies são esperadas nos mesmos. Entretanto, 
evidencia-se que nos platôs em estágios mais avançados de 
recuperação (Papagaio, Periquito e Saracá, com destaque a estes 
dois últimos) há uma riqueza maior de espécies inferida, o que 
concorda com os dados observados. Já quanto aos estimadores, 
a maioria indica que, para os platôs em estágios iniciais de 
recuperação (Almeidas e Aviso), as amostragens permitiram 
registrar a quase totalidade das espécies, enquanto os platôs em 
estágios mais avançados de recuperação (Almeidas, Papagaio e 
Periquito) tenderiam a apresentar riquezas superiores. Estas 
condições são evidenciadas especialmente pelo estimador 
Jackknife 1 com base em dados primários (não aleatorizados). 


101 






















Figura 20 - Curva de rarefação e estimadores de riqueza 
quadrática para répteis por platô no monitoramento da 
recuperação ambiental na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do 
Pará, Brasil. 


Répteis - Análise por Platô 





Dados em Bases Primárias 

Dados Aleatorizados (Média) 

Platô 

Obtida 

Chao 2 

Jackknife 

1 

Bootstrap 

Chao 2 

Jackknife 

1 

Bootstrap 

Almeidas 

15 

20,4 

DP=4,97 

21,75 

DP=1,89 

18,10 

14,76 

DP=3,92 

15,50 

DP=3,98 

13,63 

DP=2,90 

Aviso 

11 

18,88 

DP=8,06 

16,25 

DP=1,89 

13,29 

11,37 

DP=4,07 

11,34 

DP=3,02 

10,00 

2,18 

Papagaio 

22 

31,75 

DP=7,12 

32,5 

DP=2,87 

26,81 

23,71 

DP=8,21 

22,76 

DP=6,17 

19,86 

DP=4,52 

Periquito 

20 

31,38 

DP=8,32 

30,5 

DP=3,77 

24,74 

23,52 

DP=11,48 

20,64 

DP=6,39 

17,82 

DP=4,68 

Saracá 

18 

21,86 

DP=3,63 

24,75 

DP=4,80 

21,23 

20,54 

DP=11,82 

19,25 

DP=5,73 

17,10 

DP=4,40 


Em relação aos répteis, as curvas para todos os platôs 
encontram-se também em elevação, indicando a possibilidade de 
ocorrência de outras espécies. Assim como para anfíbios, 
evidencia-se um menor número estimado de espécies nos platôs 
Almeidas e Aviso. Entretanto, contrariamente ao esperado, a 
curva do platô Saracá indica uma riqueza inferior aos platôs 
Papagaio e Periquito. Esta condição deverá ser avaliada com a 
continuidade do monitoramento, considerando-se que o platô 
Saracá apresenta cobertura florestal mais densa e, 
consequentemente, hábitats mais adequados à maior parcela de 
répteis da região. 

Em relação às análises mediante estimadores, verifica-se 
que todos indicam a possibilidade de ocorrência de outras 
espécies em cada um dos platôs analisados. As tendências são as 
mesmas obtidas mediante as curvas de rarefação, i.e., com 
maior número esperado de espécies nos platôs Periquito e 


102 






















Papagaio. Os elevados desvios obtidos, inclusive nos estimadores 
com dados aleatorizados, indicam a necessidade de continuidade 
dos estudos. 

Similaridades entre Ptatôs 

Quanto às similaridades de anfíbios e répteis entre os 
platôs, avaliadas mediante índice de Jaccard, as mesmas são 
expressas nas Tabelas 4 e 5 e nas Figuras 21 e 22, 
respectivamente. 

Tabela 4 - Similaridade de Jaccard considerando a riqueza de 
anfíbios por platô no monitoramento da recuperação ambiental na 
FLONA de Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 



Tabela 5 - Similaridade de Jaccard considerando a riqueza de 
répteis por platô no monitoramento da recuperação ambiental na 
FLONA de Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 



103 












Figura 21 - Análise de Cluster considerando a riqueza de anfíbios 
por platô no monitoramento da recuperação ambiental na FLONA 
de Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 



Legenda: ALM - Almeidas; AVS - Aviso; PAP - Papagaio; PER - 
Periquito; SAC - Saracá. 


Figura 22 - Análise de Cluster considerando a riqueza de répteis 
por platô no monitoramento da recuperação ambiental na FLONA 
de Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 



Legenda: ALM - Almeidas; AVS - Aviso; PAP - Papagaio; PER - 
Periquito; SAC - Saracá. 


104 


























Em relação a anfíbios, a análise do Cluster indica uma 
condição coerente entre os platôs em estágios similares de 
recuperação, com a formação de pares entre Almeidas e Aviso e 
entre Papagaio e Periquito. O platô Saracá mostra-se como em 
condição intermediária entre os dois conjuntos, sendo entretanto 
mais similar ao segundo par. 

Considerando-se que, no geral, os grupos de platôs 
apresentam similaridades superiores a 50%, infere-se que, não 
obstante ocorram algumas diferenças nas composições, todo o 
conjunto apresenta-se em uma condição similar de recuperação 
para a anurofauna, que pode ser definida como ainda em 
situação preliminar de recuperação. 

Em relação aos répteis, as similaridades obtidas agrupam 
os platôs Aviso e Papagaio em um ramo do cladograma, sendo 
este ainda agregado ao platô Almeidas, e os platôs Saracá e 
Periquito em outro ramo. As similaridades, entretanto, são 
fracas, em geral inferiores a 45%. Tal condição decorre da 
ocorrência de diversas espécies com baixa amostragem nos 
platôs, especialmente serpentes, condição esta evidenciada pelas 
curvas de rarefação ainda em elevação e pelas estimativas 
elevadas de riqueza de espécies. Desta forma, a presente análise 
de similaridade deve ser considerada como preliminar, 
demandando a continuidade dos estudos. 

Espécies Indicadoras 

Diversos estudos conduzidos no Brasil e no mundo têm 
sugerido que a herpetofauna consiste em uma boa indicadora 
ambiental, dada a relativa facilidade de encontro em campo e 
alta resposta a variações ambientais de grupos como anfíbios 
(Heyer et ai, 1994; Watling & Donnelly, 2002) e lagartos 
(Pianka, 1986; Vitt & Pianka, 1994). Mesmo serpentes, embora 
consistam em um grupo de difícil registro em campo, podem ser 
evocadas como boas indicadoras no caso do encontro de formas 
especialistas e/ou de registro de espécies de diferentes hábitos 
(e.g., arborícolas e fossoriais) e guildas (e.g., anurófagas, 
malacófagas, piscívoras, etc.) (Moura-Leite et ai., 1993; Morato, 
2014). 

No caso do presente estudo, como espécies 
herpetofaunísticas indicadoras para as áreas em recuperação 
foram eleitas aquelas associadas à serapilheira de florestas, uma 
vez que estes animais apresentam forte fidelidade a este tipo de 


105 



ambiente quanto por apresentarem capacidade de dispersão 
limitada. Tais espécies necessitam de condições especiais, como 
temperatura, umidade e incidência moderada de luz, dependendo 
diretamente da cobertura do solo para aquisição de alimento, 
reprodução e abrigo (Watling & Donnelly, 2002; Morato, 2014). 
As espécies com essas características consistem nos anfíbios 
Attobates femoralis e Anomaloglossus baeobatrachus 
(Aromobatidae), Rhinella margaritifera e Rhinella castaneotica 
(Bufonidae), Pristimantis spp. (Strabomantidae) e Adenomera 
spp. (Leptodactylidae), no lagarto Leposoma guianense 
(Gymnophthalmidae) e nas serpentes Atractus schach, 
Drepanoides anomatus, Oxyrhopus occipitalis e Pseudoboa spp. 
(Dipsadidae), todas dependentes de boa cobertura do solo. 

Além de espécies de solo, formas arborícolas estritas ou 
com estratégias de camuflagem também podem ser eleitas como 
boas indicadoras de ambientes florestais íntegros (e.g., 
Zimmerman & Rodrigues, 1990). Na área de estudo, tais 
espécies consistem na serpente Corattus caninus (Boidae) e nos 
lagartos Plica plica, Plica umbra, Uranoscodon superciliosus 
(Tropiduridae), Norops spp., Dactyloa punctata (Dactyloidae) e 
Thecadactylus rapicauda (Phyllodactylidae) dentre os répteis e 
Osteocephatus oophagus (Hylidae) e Phyllomedusa bicolor 
(Phyllomedusidae) dentre os anfíbios. 

Por fim, espécies endêmicas da região Amazônica foram 
consideradas como indicadoras, na medida em que dependem de 
condições específicas de hábitats. Além das espécies acima 
listadas, destaca-se ainda nesse sentido o crocodiliano 
Pateosuchus trigonatus, espécie aquática que utiliza as lagoas 
temporárias dos topos de platôs como áreas de alimentação e 
abrigo durante períodos chuvosos (Morato et ai., 2011), e o 
jabuti Cheionoidis denticuiatus. 

No total, os anfíbios e répteis considerados como 
indicadores de ambientes em bom estado e presentes nas áreas 
em recuperação ambiental perfazem 27 espécies, o que equivale 
a 43,55% da riqueza obtida para todos os platôs em conjunto. A 
Tabela 6 relaciona as espécies que podem ser definidas como 
indicadoras, seguidas dos critérios de inserção nesta condição e 
dos platôs em que cada uma foi registrada a partir dos dois anos 
de amostragem. Já as Figuras 23 e 24 apresentam o número 
total e percentuais de espécies consideradas como indicadoras 
registradas em cada platô. 


106 



Tabela 6 - Espécies de anfíbios e répteis indicadores registrados 
por platô no monitoramento da recuperação ambiental na FLONA 
de Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 






PLATÔ 





ALM 

AVS 

PAP 

PER 

SAC 

AMPHIBIA 







ANURA 







Aromobatidae 







Allobates femoralis 

End, So 



X 

X 

X 

Anomaloglossus cf. baeobatrachus 

End, So 





X 

Bufonidae 

Rhinella castaneotica 

End, So 


X 


X 


Rhinella margaritifera 

End, So 

X 

X 

X 

X 

X 

Hylidae 

Osteocephalus oophagus 

End, Arb 

X 

X 

X 

X 

X 

Phyllomedusidae 

Phyllomedusa bicolor 

End, Arb 



X 

X 


Leptodactylidae 

Adenomera andreae 

End, So 

X 

X 

X 

X 

X 

Adenomera hylaedactyla 

So 

X 

X 



X 

Strabomantidae 

Pristimantis sp. 

End, So 



X 

X 


Pristimantis zimmermannae 

End, So 

X 



X 


RÉPTILIA 







TESTUDINES 







Testudinidae 







Chelonoidis denticulatus 

End 


X 

X 



CROCODYLIA 







Alligatoridae 







Paleosuchus trigonatus 

End, Aq 

X 





SQUAMATA - LAGARTOS 







Dactyloidae 







Dactyloa punctata 

End, Arb 



X 



Norops fuscoauratus 

End, Arb 

X 

X 

X 

X 

X 

Norops chrysolepis 

End, Arb 




X 


Norops ortonii 

End, Arb 

X 

X 

X 

X 


Tropiduridae 

Plica plica 

End, Arb 

X 



X 


Plica umbra 

End, Arb 



X 

X 

X 

Uranoscodon superciliosus 

End, Arb 



X 


X 

Gymnophthalmidae 

Leposoma guianense 

End, So 



X 

X 

X 

Phyllodactylidae 

Thecadactylus rapicauda 

End, Arb 



X 


X 

SQUAMATA - SERPENTES 







Boidae 







Corallus caninus 

End, Arb 




X 


Dipsadidae 

Atractus schach 

End, So 



X 



Drepanoides anomalus 

End, So 



X 



Oxyrhopus occipitalis 

End, So 





X 

Pseudoboa coronata 

End, So 

X 





Pseudoboa neuwiedi 

End, So 

X 





Total 


11 

8 

16 

15 

12 

Percentual por platô 


42,3 

34,8 

44,4 

39,5 

34,3 


Legenda: Critério: End: Espécie endêmica da Amazônia; So: Espécie associada à serapilheira; 
Arb: Espécie arborícola; Aq: Espécie aquática; Platô: ALM - Almeidas; AVS - Aviso; PAP - 
Papagaio; PER - Periquito; SAC - Saracá. 


107 





Figura 23 - Total de espécies indicadoras registradas por platô no 
monitoramento da recuperação ambiental na FLONA de Saracá- 
Taquera, Estado do Pará, Brasil. 



Legenda: ALM - Almeidas; AVS - Aviso; PAP - Papagaio; PER - Periquito; SAC - Saracá. 


As 27 espécies consideradas como indicadoras de 
ambientes em bom estado de conservação e presentes em 
conjunto entre todos os platôs perfazem 43,55% da riqueza total 
obtida ao longo dos dois anos de estudos. Dentre todos os 
platôs, o único que apresentou uma riqueza de espécies superior 
à média (considerando a relação de espécies indicadoras / total 
de espécies registradas em cada platô) foi o Papagaio, com 
44,4% das espécies nesta condição. Tal condição sugere 
condições ambientais relevantes na área. 

Quanto aos demais platôs, seria esperada uma riqueza 
maior de espécies indicadoras naqueles com condições 
ambientais mais avançadas. Entretanto, tal condição não foi a 
observada. O platô Saracá, que apresenta maior cobertura 
florestal, apresentou o menor percentual de espécies indicadoras, 
não obstante sua riqueza total intermediária. Por sua vez, o platô 
Periquito, que apresentou a maior riqueza específica em geral, 
contemplou um valor inferior de espécies indicadoras ao platô 
Almeidas, cuja recuperação encontra-se em estágio inicial. 

Desta forma, a recolonização do ambiente por espécies 
mais sensíveis parece deter correlação com a evolução do 
processo de recuperação. Os platôs com projetos mais recentes 
(Almeidas e Aviso) foram submetidos a técnicas mais 
aprimoradas de manejo do solo e de plantio (como a 
recomposição da camada superficial do solo e plantio de uma 
maior diversidade de espécies vegetais), condições que se 


108 









traduzem em avanços efetivos do processo de restauração 
ecológica. Por sua vez, as baixas taxas de espécies indicadoras 
nos platôs Aviso e Saracá podem ser decorrentes das atividades 
do processo de mineração que ainda são desenvolvidas nos 
mesmos, e que culminam em trânsito intenso de veículos e 
utilização de equipamentos. No platô Almeidas tais atividades 
foram concluídas. 


Figura 24 - Percentuais de espécies indicadoras registradas por 
platô no monitoramento da recuperação ambiental na FLONA de 
Saracá-Taquera, Estado do Pará, Brasil. 


Todasas Áreas 

Platô Almeidas 

56,45% 

mV 

"kV 



n Espécies Indicadoras ■ Demais Espécies 

o Espécies 1 nd icadoras ■ Demais Espécies 

Platô Aviso 

Platô Papagaio 

„„ 

55,56% L 

Av 



n Espécies 1 nd icadoras ■ Demais Espécies 

o Espécies Indicadoras ■ Demais Espécies 

Platô Periquito 

Platô Saracá 

60.53% 




Espécies 1 nd icadoras ■ Demais Espécies 

■ Espécies 1 nd icadoras ■ Demais Espécies 


109 






Conclusão 


A análise comparada dos dados de cada um dos platôs 
avaliados no presente estudo indica tendências a um aumento da 
riqueza de espécies de anfíbios e répteis com o desenvolvimento 
das áreas recuperadas. Entretanto, esta condição foi mais 
evidente nos platôs Papagaio e Periquito do que no Saracá, não 
obstante este último contemplar as áreas mais antigas de 
reflorestamento e as maiores dimensões dentre todos os platôs 
avaliados. Os fatores que determinam essa condição podem ser 
os seguintes: i) ao ainda contemplar atividades minerárias e alta 
incidência de tráfego de veículos, o platô Saracá gera o impacto 
de afugentamento de uma parcela da herpetofauna, em especial 
das espécies mais sensíveis (citadas como indicadoras); ii) os 
reflorestamentos do platô Saracá, desenvolvidos principalmente 
nas décadas de 80 e 90, não contemplaram o manejo adequado 
do solo (tais como a reintrodução da camada superficial), 
gerando pequena disponibilidade de recursos para a 
herpetofauna fossorial, dependente de uma maior densidade da 
serapilheira ou, inclusive, para aquela que se utiliza de poças 
temporárias para alimentação e reprodução (com destaque a 
anfíbios); e iii) ao contemplarem plantios de uma menor 
variedade de espécies vegetais em relação aos modelos mais 
recentes de recuperação, as áreas do platô Saracá possivelmente 
apresentem uma estrutura de hábitat pouco propícia ao 
aparecimento de espécies arborícolas, haja vista tanto a baixa 
disponibilidade de estratos da vegetação quanto de espécies de 
outros grupos animais que consistam em presas para répteis e 
anfíbios. Somente em função dessas características, recomenda- 
se que as áreas recuperadas do platô Saracá sejam enriquecidas. 

Quanto aos platôs Almeidas e Aviso, a herpetofauna 
presente nos mesmos apresenta composição esperada para áreas 
ainda em processo inicial de recuperação ambiental. A alta 
incidência de espécies indicadoras de áreas abertas, como os 
lagartos heliófilos Cnemidophorus spp. e Ameiva ameiva, 
sustentam esta condição. Por sua vez, o aparecimento de 
espécies indicadoras de ambientes florestais indicam que os 
processos de recuperação têm sido efetivos. Porém, a 
continuidade do monitoramento se faz necessária para o 
acompanhamento a longo prazo dessas condições. 

Por fim, os dados obtidos permitem concluir que, embora 
as áreas recuperadas ainda não apresentem cobertura florestal 
densa similar às condições primitivas, as mesmas parecem 


110 



cumprir um importante papel na estrutura da comunidade 
herpetofaunística regional, permitindo o reaparecimento de uma 
parcela significativa da diversidade do grupo aos platôs. Pode-se 
inferir que, embora ainda não se tenha obtido o retorno de toda 
a riqueza de anfíbios e répteis originais, há evidências de que o 
processo de recuperação esteja atingido seus objetivos de 
restauração das funções ecológicas, condição esta evidenciada 
tanto pela riqueza quanto pela presença das espécies indicadoras 
citadas. Obviamente, deve-se considerar que, mesmo no caso de 
ocorrer uma restauração completa da paisagem florestal, o 
ecossistema a ser formado deverá ser algo novo e distinto das 
condições originais. Nesse cenário, espera-se que, mesmo em 
face ao retorno da riqueza total originalmente ocorrente nas 
áreas, as densidades populacionais deverão ser diferentes, 
culminando em relações ecológicas distintas e novas, para as 
quais não é possível predição de seus efeitos futuros. 

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112 




Capítulo 5 


Avaliação Genética Comparada das Populações 
de Tartaruga da Amazônia, Podocnemis 
expansa (Schweigger, 1812), dos Rios 
Trombetas, Tapajós, Nhamundá e Amazonas 


Karina Lucas Silva-Brandão 
Sérgio Augusto Abrahão Morato 
Noemy Seraphim 
Aline Peruchi 
Luciano M. Verdade 


Resumo 

O presente estudo teve por objetivo a avaliação do possível impacto do 
tráfego fluvial de embarcações destinadas ao transporte da bauxita 
oriunda de atividades de mineração na FLONA de Saracá-Taquera no 
fluxo gênico de tartarugas-da-Amazônia (Podocnemis expansa ) na REBIO 
Trombetas, no estado do Pará, Amazônia brasileira. Para isto foram 
coletadas amostras de pele das membranas interdigitais das patas 
posteriores de indivíduos jovens desta espécie para análises genéticas 
baseadas em oito pares de locos microsstélites. As estatísticas básicas 
para cada loco indicam que a heterozigosidade observada foi, em geral, 
menor do que a heterozigosidade esperada. O F S t entre pares de 
populações indicou alta estruturação genética entre todas elas; o maior 
valor foi encontrado entre as populações de Juruti e tabuleiro Desengano 
e o menor valor entre o tabuleiro do Jacaré e o tabuleiro Monte Cristo. No 
entanto, a diversidade genica foi alta para todos os locos. Os resultados 
do presente estudo, portanto, evidenciam a diversidade genética 
relativamente alta das populações amostradas, o que descarta, em 
princípio, a hipótese da perda de alelos por deriva genética associada a 
populações pequenas, que pudesse colocar estas populações sob risco. A 
existência de uma estruturação genética típica da população da 
tartaruga-da-Amazônia no rio Trombetas e sua participação em um 
sistema metapopulacional com populações a jusante não implica na 
completa inexistência de impactos do tráfego de navios sobre a espécie 
(em especial na comunicação entre indivíduos), embora seja possível 
inferir pelos presentes resultados que eles sejam de pequena magnitude. 


114 



Abstract 

The present study aimed at the evaluation of the possible impact of ship 
traffic destined to transport bauxite from mining activities in Saracá- 
Taquera FLONA in the gene flow of the Giant Amazon turtles (Podocnemis 
expansa ) at REBIO Trombetas , in the State of Pará, Brazilian Amazon. 
For this purpose, skin samples were collected from interdigital 
membranes of the hind legs of individuais of this species for genetic 
analysis from eight pairs of primers for the characterization of 
microsatellites. The basic statistics for each locus indicate that the 
observed heterozygosity was generally smaller than the expected. FST 
among pairs of populations indicated high genetic structuring among all 
of them; the highest value was found between the populations of 
tabuleiros Juruti and Desengano and the lowest value between the 
tabuleiros of Jacaré and Monte Cristo. However, gene diversity was high 
for all loci. The results of the present study, therefore, show the relatively 
high genetic diversity of the sampled populations, which rule out, in 
principie, the hypothesis of loss of alleles due to genetic drift, which could 
put the populations at risk. The existence of a genetic structure typical of 
the Giant Amazon Turtle population in the Trombetas River and its role 
on a metapopulation system with downstream populations does not imply 
the complete absence of impacts of the ship traffic on the species 
(especially in the communication between individuais), although it may 
be inferred from the present results that such impacts are negligibie. 

Introdução 

A tartaruga da Amazônia, Podocnemis expansa 
(Schweigger, 1812), pertence à Família Pelomedusidae, Sub- 
Ordem Pleurodira, Ordem Testudines, e é o maior quelônio de 
água-doce encontrado na América do Sul, possuindo ampla 
distribuição na região amazônica e adjacências. No Brasil, a 
espécie alcança a região central do país através do rio Araguaia 
até cerca do paralelo 13°S (Cantarelli, 2006). 

A pressão contínua imposta às populações desses 
quelônios pelo comércio ilegal para manutenção dos mercados 
clandestinos da carne, gordura e ovos tem colocado todas as 
tartarugas do gênero Podocnemis no Anexo II da Convenção 
CITES. Embora atualmente não se encontrem necessariamente 
em perigo de extinção no Brasil, poderão chegar a esta situação, 
a menos que sejam melhoradas as tecnologias de criação das 
espécies mais valiosas, com o comércio de espécimes de tais 
espécies e com uma regulamentação rigorosa e passível de 
fiscalização. O agravante para conservação das espécies do 


115 



gênero em questão é a escassez de informações sobre o status 
populacional das mesmas, aliada à dificuldade de manutenção 
dos programas de manejo in situ (Vogt et al., 2015). 

O enfoque genético pode ser usado como importante 
ferramenta auxiliar para pesquisas em diferentes campos. 
Parâmetros ecológicos como, por exemplo, estudos 
comportamentais e de ecologia populacional têm sido estimados 
a partir da escolha criteriosa de marcadores moleculares, 
levando-se em consideração as diferentes taxas de 
diversidade e variabilidade. Baseado nesta característica, pode- 
se estudar desde problemas de avaliação de parentesco genético 
e sistemas de acasalamento a investigações de caráter 
filogeográfico e história demográfica (Hoelzel & Dover, 1991; 
Avise, 1994, 2000; Carvalho, 1998; Pearse et al., 2001; 
Allendorf, 2017). 

Uma variedade de marcadores moleculares têm sido 
amplamente empregados em estudos de conservação natural de 
espécies desde a década de 1960, com os estudos iniciais que 
empregavam alozimas para descrever a variação genética 
populacional (Allendorf, 2017). Questões de paternidade ou 
estrutura clonal podem ser bem avaliadas usando microssatélites 
com alta diversidade alélica, que podem caracterizar todos os 
indivíduos com um único genótipo {'Identification tag ) usando 
poucos locos (Queller et ai., 1993). Em estudos de estrutura 
populacional e migração, que empregam estimativas da 
frequência de alelos na população, a alta diversidade alélica dos 
marcadores microssatélites atua como uma réplica estatística 
para aprimorar nossa capacidade de distinguir populações 
(Kalinowski, 2002; Wilson & Rannala, 2003; Selkoe & Toonen, 
2006). 

Marcadores genéticos moleculares podem ser usados 
como um importante componente na conservação de espécies 
ameaçadas, pois permitem a identificação das linhagens 
genéticas, a fronteira entre as unidades evolutivas significantes 
(UES) e as unidades de manejo (UM), o problema central da 
genética de populações (Waples, 1995; Crandall et al., 2000; 
Frasier & Bernatchez, 2001; Pearman, 2001; Moritz, 2002; 
Pearse et al., 2006). Com o auxílio dos marcadores 
microssatélites, é possível, por exemplo, conhecer elementos da 
ecologia comportamental da espécie, como o sistema de 
acasalamento e o padrão de dispersão e, a partir daí, padrões 
tanto microgeográficos (Verdade et al., 2002) quanto 


116 



macrogeográficos (Villela et a!., 2008) da sua estrutura genética 
e movimento na paisagem. 

Sites et al. (1999) isolaram e caracterizaram seis 
marcadores microssatélites para estudar o fluxo gênico das 
tartarugas Podocnemis expansa nos rios da Amazônia. 
Posteriormente, Valenzuela (2000) utilizou cinco desses seis 
marcadores microssatélites e caracterizou mais três lócos para 
estudar a paternidade múltipla na espécie. Estes estudos 
genéticos usando microssatélites obtiveram resultados que 
indicam a paternidade múltipla na tartaruga-da-Amazônia, de 
forma que uma única fêmea tem os seus ovos fecundados por 
dois ou três machos (Valenzuela, 2000; Pearse et al., 2006). 

Os marcadores moleculares (nucleares e mitocondriais) 
dessa espécie, usados por Sites et al. (1999) em amostras 
coletadas de duas bacias fluviais (Tapajós e Araguaia), revelaram 
ainda um grande fluxo gênico intrabacia fluvial (até 275 km), 
porém, muito pouco entre bacias (2.400 km). Por sua vez, 
Pearse et al. (2006), em um estudo concentrado em 
praticamente toda a área de distribuição da espécie, e com 
suficiente esforço amostrai, mostraram que as populações de P. 
expansa não apresentam uma longa história de diferenciação 
genética, mas que cada grande tributário do rio Amazonas 
atualmente forma uma população parcialmente isolada 
reprodutivamente, parâmetro que deve ser considerado durante 
as tomadas de decisões para a conservação do patrimônio 
genético da espécie. 

O manejo dos quelônios da Amazônia, especialmente o 
da tartaruga, depende da subdivisão da espécie em uma ou 
várias populações. No primeiro caso, os animais podem ser 
reintroduzidos ou transferidos sem se questionar sua 
procedência. No segundo isto não seria recomendável devido às 
características genéticas próprias de cada "unidade de manejo da 
espécie" (Teixeira et al., 1996). 

Dadas as possibilidades de ocorrência de impactos sobre 
as populações de Podocnemis expansa, decorrentes do trânsito 
de navios no rio Trombetas destinados ao transporte de bauxita 
oriunda das atividades de mineração na FLONA de Saracá- 
Taquera (Figura 1), coube à MRN a realização de um projeto de 
monitoramento de tais impactos, em especial no que tange à 
interrupção dos processos de migração da espécie ao longo do rio 
e, consequentemente, do fluxo gênico entre as populações 


117 



ocorrentes nos tabuleiros localizados na REBIO Trombetas 
(Figura 2) com aquelas estabelecidas no rio Amazonas a jusante. 

O presente estudo apresenta os resultados do 
monitoramento de tais impactos, tendo como base a avaliação da 
estrutura genética populacional e da ocorrência de fluxos gênicos 
da espécie. Seu objetivo consistiu em verificar se as populações 
do rio Trombetas detêm contato gênico recente com aquelas 
localizadas nas regiões da foz do rio Tapajós e de Juruti ou se as 
mesmas se encontram naturalmente isoladas. O tempo de 
isolamento, por sua vez, pode significar a ocorrência ou não de 
impactos de natureza antropogênica, requerendo ou não 
intervenções com vistas à conservação da espécie na região. 

Material e Métodos 

O presente estudo foi precedido pela realização de 
atividades de reconhecimento de campo, com vistas à 
demarcação das áreas de ocorrência da tartaruga-da-Amazônia 
no rio Trombetas e em três localidades a jusante de sua foz no 
Estado do Pará, a saber, Tabuleiro Desengano, rio Nhamundá, 
Terra Santa; Tabuleiro de Monte Cristo, rio Tapajós, Itaituba; e 
Praia Santana, rio Amazonas, Juruti (Figura 3), entrevistas com 
moradores ribeirinhos do baixo rio Trombetas (de forma a se ter 
uma perspectiva da ocorrência da espécie no trecho do rio onde 
ocorre o tráfego de navios), coletas de material genético no 
Tabuleiro do Jacaré (REBIO Trombetas) e nas demais localidades 
e análises laboratoriais. 

O reconhecimento de campo visou à identificação dos 
locais de reprodução e dos períodos reprodutivos mais prováveis 
da tartaruga-da-Amazônia nas regiões do Tabuleiro do Jacaré (na 
REBIO Trombetas), e à realização de entrevistas com as 
populações ribeirinhas presentes no baixo rio Trombetas, de 
forma a verificar a ocorrência da espécie e de locais de sua 
reprodução também naquele trecho do rio. Os trabalhos de 
campo para a coleta de material genético, por sua vez, foram 
desenvolvidos no dia 8 de dezembro de 2014 (quando ocorreu a 
coleta de material na REBIO Trombetas) e entre os dias 29 de 
janeiro e 1 de fevereiro de 2015, quando a coleta ocorreu nas 
demais localidades. As coletas foram amparadas pelas 
Autorizações de Captura, Coleta e Transporte de Material 
Biológico (ACCTMB) n° 375/2013 do IBAMA. 


118 



Figura 1 - Navio destinado ao transporte de bauxita oriunda da 
FLONA de Saracá-Taquera. 


t 



Foto: SAA Morato 


Figura 2 - Aspecto geral das praias do Tabuleiro do Jacaré, REBIO 
Trombetas. 



Foto: SAA Morato 


119 











Figura 3 - Localidades de coleta de material genético da 
tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa ). 



As localidades de coleta com suas coordenadas e os 
números de indivíduos amostrados (adultos e filhotes) 
encontram-se apresentados na Tabela 1. As distâncias entre as 
localidades (medidas ao longo dos sistemas fluviais) encontram- 
se na Tabela 2. 


120 












Tabela 1 - Dados das localidades e das coletas de material 
genético de Podocnemis expansa. N = número de indivíduos 
coletados. 


Localidade 

Coordenadas 

Fase de 

desenvolvimento 

Código 

N 

Tabuleiro do Jacaré, 

102239" S 

Filhotes 

TR-F 

31 

REBIO Trombetas, Pará 

56°51'15" W 

Adultos 

TR-A 

13 

Praia Santana, Rio 
Amazonas, Juruti, Pará 

2°04'43" S 
56°02'52" W 

Filhotes 

SA-F 

39 

Tabuleiro Monte Cristo, 
Rio Tapajós, Pará 

4°01'09" S 
55°38'25" W 

Filhotes 

TA-F 

43 

Tabuleiro Desengano, 
Terra Santa, Pará 

2°00'08" S 
56°21'58" W 

Filhotes 

TS-F 

41 


Tabela 2 - Distâncias fluviais entre as localidades de coleta de 
material genético de Podocnemis expansa. _ 



Tabuleiro do 
Jacaré, REBIO 
Trombetas 

Tabuleiro 
Desengano, 
Terra Santa 

Praia 

Santana, 

Juriti 

Tabuleiro 
Monte Cristo, 

Rio Tapajós 

Tabuleiro do 
Jacaré, REBIO 
Trombetas 

— 

269 km 

227 km 

523 km 

Tabuleiro 

Desengano, 

Terra Santa 

269 km 

— 

42 km 

451 km 

Praia Santana, 

Rio Amazonas, 
Juruti 

227 km 

42 km 

— 

409 km 

Tabuleiro 

Monte Cristo, 

Rio Tapajós 

523 km 

451 km 

409 km 

— 


A coleta de material foi realizada obtendo-se amostras de 
pele das membranas interdigitais das patas posteriores de cada 
indivíduo. Previamente à incisão, o material cirúrgico (tesoura e 
bisturi) foi esterilizado a quente e a pele do animal higienizada 
com álcool 70% para impedir a contaminação das amostras. 
Duas amostras foram obtidas por indivíduo. O material foi 
acondicionado em tubos eppendorfs identificados 
individualmente, contendo álcool absoluto. Tais técnicas 
baseiam-se em premissas técnicas não invasivas, não gerando 
danos ou injúrias aos animais por obterem apenas tecido epiteliar 
superficial (Dutton & Balazs, 1995; Bowen & Witzell, 1996). 

Análise Genética 

Todo o material genético coletado foi encaminhado para 
processamento no laboratório de Melhoramento de Plantas do 
Centro de Energia Nuclear na Agricultura, no campus da 


121 

























Universidade de São Paulo em Piracicaba, São Paulo. O DNA total 
das amostras coletadas foi extraído usando o Dneasy Blood and 
Tissue kit (Qiagen). A quantificação da concentração de DNA e a 
inferência da qualidade das extrações foram feitas em um 
espectrofotômetro NanoDrop (Thermo Scientific). 

Foram utilizados oito pares de iniciadores disponíveis na 
literatura (Sites et al., 1999; Valenzuela, 2000) para a 
caracterização de dos lócos microssatélites (Tabela 3). Os lócos 
foram inferidos por marcação com fluoróforos, como descrito por 
Schuelke (2000). Por esse método, sequências de nucleotídeos 
não específicos ao genoma estudado são acopladas à 
extremidade 5' do iniciador direto de cada loco. Na reação de 
amplificação, as sequências complementares são sintetizadas 
juntamente com o iniciador que pareou com a fita de DNA. Deste 
modo, a partir do terceiro ciclo, a sequência marcada com 
fluoróforos complementar à cadeia sintetizada pode também ser 
sintetizada, marcando com fluoróforos toda a cadeia reversa do 
loco microssatélite (Schuelke, 2000). Deste modo, os lócos 
microssatélites foram marcados com fluorescências específicas 
do 6-FAM, VIC, NED e PET, permitindo que a genotipagem fosse 
feita de forma multiplex (Missiaglia & Grattapaglia, 2006) em 
sequenciador automático, ou seja, quatro locos diferentes podem 
ser genotipados em uma mesma corrida de sequenciamento. 

As condições da PCR por reação foram inicialmente 
padronizadas para todos os marcadores como sendo: volume 
total de 15 pL, contendo 7,5 ng do DNA (1,5 pL na concentração 
5 ng/pL); 1,0-1,5 mM de fluoróforo (6-FAM, VIC, NED ou PET) 
(0,1-0,15 pL na concentração 10 mM); 40,0 pM de dNTP (0,3 
pL); 1,0 mg de BSA, tampão para Taq polimerase IX; 2,0 mM de 
MgCI 2 (25 mM); água Milli-Q; 0,12 pL de Taq polimerase 
(Promega); 3,0 mM de cada iniciador (direto e reverso) (0,3 pL 
na concentração 10 mM). As reações foram incubadas em um 
termociclador programado para realizar uma desnaturação inicial 
a 94° por 5 min, 30 ciclos compostos por 30 s de desnaturação a 
94°C, 45 s com temperatura de anelamento variando para cada 
iniciador, 45 s a 72° C para extensão, seguido de 8 ciclos 
compostos por 30 s de desnaturação a 94°C, 45 s com 
temperatura de anelamento para os fluoróforos e 45 s a 72° C 
para extensão, finalizando com 10 min para extensão a 72°C 
(Schuelke, 2000). As reações de PCR foram avaliadas em gel de 
agarose 1,5% corado com SYBR Gold (Life Technologies), 


122 



posteriormente fotografado em UV para visualização das bandas 
dos fragmentos amplificados. 

A genotipagem foi realizada no sequenciador automático 
ABI 3730 Genetic Analyzer (Applied Biosystems). Os picos foram 
editados no programa Geneious 7.0 (Biomatters Limited). 

Metodologia analítica 

Indivíduos de cada localidade de coleta foram 
considerados como parte de uma única população para as 
análises dos dados. Primeiramente a matriz de genotipagem foi 
analizada no programa MicroChecker (van Oosterhout et al., 

2004) para verificar e corrigir possíveis fontes de erro como 

alelos nulos, erros de genotipagem e perda de alelos de tamanho 
grande, além de calcular a frequência de alelos nulos por 
população por loco. Foram estimados os parâmetros mais 

utilizados para descrever a variabilidade e a estruturação 

genética de uma população com dados de marcadores 
microssatélites: a riqueza alélica por loco por população, a 

heterozigosidade observada (HO) e esperada (HE) por loco e por 
população. As estatísticas F (F IS , F ST e F IT ) gerais foram 

estimadas no pacote R (R Core Team 2014) hierFSTAT (Goudet 

2005) . O teste de desequilíbrio de ligação, o desvio do equilíbrio 
de Hardy-Weinberg (EHW) para cada loco e para cada população 
(parâmetros do programa) e os valores de F S t par a par (F/(l-F)) 
foram estimados no programa Genepop v. 4.2 (Raymond & 
Rousset, 1995, Rousset, 2008). 

Os indivíduos amostrados de diferentes localidades foram 
designados probabilisticamente por meio de inferência Bayesiana 
a uma ou mais populações por meio do programa Structure 
(Pritchard et al., 2000), utilizando o teste de atribuição. Nesse 
modelo são assumidas K populações (sendo que o valor de K é 
desconhecido), cada uma delas caracterizada por um conjunto de 
frequências alélicas em cada loco. Cada valor de K (1-10) foi 
estimado 15 vezes independentemente a partir de 1.000.000 
repetições e burn-in de 100.000 iterações, usando o modelo 
"admixture" e frequências de alelos não-correlacionadas. Estes 
resultados foram posteriormente analisados no aplicativo 
Structure Harvester (Earl & Vonholdt, 2012) usando o delta K 
máximo (Evanno et al., 2005). Os resultados foram ordenados 
usando o programa CLUMPP (Jakobsson & Rosenberg, 2007), e o 
gráfico foi desenhado com o programa DISTRUCT (Rosenberg, 
2004). 


123 



Tabela 3 - Características dos iniciadores desenvolvidos para Podocnemis expansa, com posterior 
padronização das temperaturas de anelamento (adaptado de *Sites-Jr. et a!., 1999 e # Valenzuela, 2000) 



124 





Uma análise discriminante de componentes principais 
(DAPC) foi implementada usando o pacote R adegenet (Jombart, 
2008). Embora o uso do programa Structure seja encontrado na 
literatura, a análise DAPC pode ser mais sensível para a proposta 
de atribuir grupos (Jombart et ai, 2010). A proposta da análise 
também envolve a produção gráfica relacionando as populações 
amostradas com grupamentos genéticos. 

O programa BayesAss (Wilson & Rannala, 2003) foi 
aplicado para obter uma matriz de migração entre as localidades 
amostradas. A matriz de migração mostra informações 
importantes sobre a taxa de migração esperada entre locais de 
coletas dado o padrão de distribuição de variabilidade, além de 
estimar também a taxa de permanência de indivíduos dentro de 
cada localidade. Para estabilizar as cadeias MCMC (Markov Chain 
Monte Cario) usadas no programa, foram feitas três corridas 
independentes no BayesAss por 10 milhões de gerações e um 
burn-in de 1 milhão; o valor de a (frequência alélica) foi definido 
como 0,4, m (taxa de migração) como 0,2, e f (coeficiente de 
endogamia) como 0,4. As três corridas foram checadas para 
convergência e amostragem adequada (com ESS>200; 
estimated sample size) usando o software Tracer v. 1.6 
(Rambaut et al., 2014) e compiladas posteriormente usando o 
pacote R CODA (Plummer et al., 2006). 

Resultados 

Mediante os procedimentos realizados durante as 
campanhas de campo descritas, obteve-se um total de 167 
amostras de material genético, conforme seguem: 

• Tabuleiro do Jacaré, REBIO Trombetas, Município de 
Oriximiná, Pará: 13 amostras de indivíduos adultos e 31 
amostras de indivíduos juvenis (filhotes); 

• Tabuleiro Desengano, Rio Nhamundá, Município de Terra 
Santa, Pará: 41 amostras de indivíduos juvenis (filhotes); 

• Tabuleiro na Praia Santana, Rio Amazonas, Município de 
Juruti, Pará: 39 amostras de indivíduos juvenis (filhotes); 

• Tabuleiro Monte Cristo, Rio Tapajós, Município de 
Itaituba, Pará: 43 amostras de indivíduos juvenis 
(filhotes). 

Dos 167 exemplares provenientes das quatro localidades, 
foram genotipados oito locos microssatélites. Setenta e três 
alelos foram encontrados nos oito locos, sendo que o loco Podl 


125 



foi o que apresentou maior riqueza de alelos nas quatro 
populações (Tabela 4). O loco com menor riqueza foi o PE1075, 
com dois alelos para todas as populações. Entre as localidades 
amostradas, a população do Tabuleiro do Jacaré (REBIO 
Trombetas) foi a que apresentou o maior número de alelos para 
o loco Podl, seguida pela população de Juruti (vide Tabela). No 
geral, a população do Tabuleiro do Jacaré apresentou maior 
riqueza de alelos para todos os locos, seguida pela população do 
Tabuleiro Monte Cristo. A população do Tabuleiro Desengano, em 
Terra Santa, foi a que apresentou menor riqueza de alelos para o 
somatório de todos os locos. 


Tabela 5 - Estatísticas básicas para cada loco obtido nas análises 
genéticas das quatro populações de Podocnemis expansa 
avaliadas. 



Legenda: HO = heterozigosidade observada; HE = heterozigosidade esperada; Ht = diversidade 
gênica geral; Dst = diversidade gênica entre amostras; FST = índice de fixação ou coeficiente de 
endogamia; FIS = diferença média entre as heterozigosidade observada e esperada sob HWE. 


Em geral, todos os pares de locos apresentaram 
desequilíbrio de ligação de acordo com o teste exato de Fisher, 
com exceção do loco PE1075 (Tabela 8). Este loco, por outro 
lado, foi o que apresentou a maior frequência de alelos nulos em 
todas as populações (Tabela 9). Dois dos oito locos apresentaram 
desequilíbrio de Hardy-Weinberg em todas as populações, de 
acordo com o teste exato de Fisher (Podl e Podl28) (Tabela 10). 
Vários fatores podem ser responsáveis por este desequilíbrio, 
entre eles tamanhos populacionais pequenos e endogamia. 


126 





Tabela 6 - Número de heterozigotos observado (ho) e esperado 
(he) para cada loco por população de Podocnemis expansa 
avaliada. 


Juruti Monte Cristo Jacaré Desengano 
(SA) (TA) (TR) (TS) 


Loco 

Ho 

H e 

Ho 

H e 

Ho 

H e 

Ho 

H e 

Podl 

34 

35,1 

24 

34,1 

28 

39,2 

35 

35,2 

Pod62 

39 

31,0 

38 

35,5 

39 

38,0 

36 

35,5 

Pod79 

32 

32,8 

29 

28,5 

36 

38,3 

33 

33,1 

Podl28 

31 

31,1 

20 

34,6 

25 

31,2 

22 

32,9 

Podl47 

21 

27,5 

10 

31,4 

17 

32,9 

14 

15,5 

PE344 

39 

31,8 

32 

35,7 

30 

33,4 

29 

32,6 

PE519 

14 

12,2 

21 

29,8 

24 

22,7 

29 

23,5 

PE1075 

16 

12,8 

16 

19,7 

21 

20,6 

19 

20,7 


Tabela 7 - Valores de FST par a par das quatro populações de 
Podocnemis expansa avaliadas. _ 



Juruti 

(SA) 

Monte Cristo 
(TA) 

Jacaré 

(TR) 

Desengano 

(TS) 

Juruti (SA) 

- 




Monte Cristo (TA) 

0,0767 

- 



Jacaré (TR) 

0,0521 

0,0195 

- 


Desengano (TS) 

0,0987 

0,0534 

0,0556 

- 


127 







Tabela 8 - Probabilidade de desequilíbrio de ligação entre locos 
das quatro populações de Podocnemis expansa avaliadas 
(significância = 0,05). 



Tabela 9 - Frequência de alelos nulos estimados por loco por 
população de Podocnemis expansa avaliada, quando significativo, 
usando a estimativa de Oosterhout (MicroChecker). 


Loco 

Juruti 

(SA) 

Monte Cristo 
(TA) 

Jacaré 

(TR) 

Desengano 

(TS) 

Podl 

* 

0,1597 

0,1415 

- 

Pod62 

- 

- 

- 

- 

Pod79 

* 

- 

- 

- 

Podl28 

- 

0,2095 

0,0867 

0,1583 

Podl47 

0,1039 

0,3196 

0,2264 

- 

PE344 

- 

- 

- 

- 

PE519 

* 

0,1315 


- 

PE1075 

- 

- 

- 

- 


128 






Tabela 10 - Probabilidade dos locos em cada população de 
Podocnemis expansa estarem em Equilíbrio de Hardy-Weinberg 
(E H w) (Significância = 0,05). 


Loco 

Juruti 

(SA) 

Monte Cristo 
(TA) 

Jacaré 

(TR) 

Desengano 

(TS) 

Podl 

<0,001 

<0,001 

<0,001 

0,0034 

Pod62 

<0,001 

0,0028 

0,4015 

0,0243 

Pod79 

<0,001 

0,5594 

0,0878 

0,0312 

Podl28 

<0,001 

<0,001 

0,0439 

<0,001 

Podl47 

<0,001 

<0,001 

<0,001 

0,2453 

PE344 

<0,001 

<0,001 

0,2019 

<0,001 

PE519 

1,0 

0,0013 

0,1002 

0,0283 

PE1075 

0,3131 

0,3069 

1,0 

0,7518 


A análise Bayesiana no programa Structure atribuiu todos 
os indivíduos amostrados a quatro grupos (K=4) (Figura 4). As 
populações do tabuleiro do Jacaré (rio Trombetas) e do tabuleiro 
Monte Cristo (rio Tapajós) apresentaram vários indivíduos 
pertencentes ao mesmo grupo genético. As populações do 
tabuleiro Desengano e de Juruti apresentaram padrões distintos 
entre si e em relação às outras duas populações. 


Figura 4 - Gráfico de atribuição dos indivíduos de cada localidade 
de coleta aos quatro grupos genéticos designados pelo Programa 
Structure. Mesma cor em cada localidade indica o mesmo grupo 
genético. 


11, 

r 

■ J. - „ 



Juruti 

Tabuleiro Monte Cristo 

Tabuleiro do Jacaré 

Tabuleiro Desengano 


129 






















O gráfico gerado na DAPC, construído com as quatro 
localidades, mostra um padrão de distribuição das populações no 
espaço bem semelhante ao encontrado pelo Structure, com 
grande sobreposição das populações do tabuleiro do Jacaré (TR) 
e do tabuleiro Monte Cristo (TA) (Figura 5). No entanto, a análise 
de atribuição em grupos genéticos ( clusters ) resultou em sete 
grupos genéticos, ou seja, maior subdivisão populacional, 
inclusive dentro da mesma localidade de coleta, diferente do 
programa Structure (Figura 6). É possível observar três 
conjuntos de clusters: o grupo mais isolado no eixo Y é o grupo 
1, composto principalmente por amostras do Tabuleiro do 
Desengano; os grupos 5 e 7 encontram-se juntos, isolados do 
resto em relação ao eixo X, e esses dois grupos são 
principalmente compostos por indivíduos da Praia Santana 
(Juruti). No outro lado do eixo X encotramos os demais grupos. 
Esses resultados sugerem que a Juruti é uma população bastante 
isolada geneticamente das outras localidades amostradas. 


Figura 5 - Gráfico da DAPC com quatro grupos populacionais de 
Podocnemis expansa avaliadas. 



Legenda: SA: Praia Santana, Juruti, Rio Amazonas; TA: Tabuleiro Monte Cristo, Rio Tapajós; TR: 
Tabuleiro Jacaré, Rio Trombetas; TS: Tabuleiro Desengano, Terra Santa. 


130 















Figura 6 - Gráfico da DAPC com sete grupos populacionais de 
Podocnemis expansa a partir das quatro localidades avaliadas 
(A); Frequência de indivíduos de cada localidade de coleta em 
cada grupo genético encontrado na DAPC (B). 




131 




















De acordo com as estimativas de taxa de migração calculadas no 
programa BayesAss, a maioria dos indivíduos dentro de cada 
localidade são residentes, isto é, não-migrantes (Tabela 11). A 
maior taxa de migração entre populações foi encontrada entre 
Tabuleiro Monte Cristo e Tabuleiro do Jacaré (19% dos indivíduos 
amostrados no Tabuleiro Monte Cristo são considerados 
migrantes do Tabuleiro Jacaré, e 17% dos indivíduos do 
Tabuleiro Jacaré são migrantes do Tabuleiro Monte Cristo). Como 
será discutido oportunamente, esta condição certamente se deve 
à introdução deliberada de indivíduos do Tabuleiro do Jacaré no 
rio Tapajós durante a década de 1970 (Alfinito et al., 1976). 

Tabela 11 - Matriz de migrantes, com porcentagem de migrantes 
entre pares de populações de Podocnemis expansa avaliadas. A 
ordem de migração é da primeira linha para as demais. 



Discussão 

O número de alelos encontrados nos locos microssatélites 
concorda com dados anteriores de literatura. Sites-Jr. et al. 
(1999), por exemplo, também encontraram 19 alelos para o loco 
Podl, embora tenham encontrado um maior número absoluto de 
alelos para os outros locos testados por eles. Valenzuela (2000), 
por sua vez, encontrou menos alelos nos três locos que propôs e 
que foram investigados aqui. Naquele estudo, entretanto, a 
autora encontrou quatro alelos para o loco PE1075, para o qual 
foram encontrados somente dois alelos para todas as populações 
estudadas aqui. 

Os resultados do presente estudo, portanto, evidenciam a 
diversidade genética relativamente alta das populações 
amostradas, o que descarta, em princípio, a hipótese da perda de 
alelos por deriva genética que pudesse colocar as populações sob 
risco. Em parte, esta elevada diversidade genética das 


132 





populações é mantida também pela migração, ainda que tênue, 
de indivíduos entre as diferentes regiões avaliadas. Nesse 
sentido, a estruturação genética das populações de Tartarugas- 
da-Amazônia parece estar relacionada claramente à estruturação 
geográfica das bacias de drenagem, tanto em escala espacial 
mais ampla, ligada aos grandes rios (Sites-Jr. et ai, 1999), 
quanto mais restrita, ligada a seus tributários (Valenzuela, 
2000). O presente estudo evidencia que uma certa estruturação 
genética ocorre na espécie mesmo em escala espacial ainda 
menor, de um único rio ou microbacia hidrográfica. Caso a 
densidade populacional da espécie fosse significativamente mais 
baixa, tal padrão poderia ser devido a um "efeito de ninhada" 
(Verdade, 2001, Murray et a/., 2013). No entanto, as densidades 
populacionais em questão parecem relativamente altas 
(Cantarelli et a!., 2014). Tal padrão pode então estar associado à 
possível estrutura metapopulacional, onde subpopulações 
distintas apresentam algum grau de isolamento geográfico ligado 
a processos ecológicos (e.g., uso de habitat, dieta), com 
consequências em sua estruturação genética (Stacey et ai, 
1996). Por sua vez, é a existência de sistemas metapopulacionais 
da espécie ao longo do território que pode possibilitar, como 
consequência, um aumento da variabilidade genética de cada 
subpopulação pela redução da taxa de consanguinidade e 
introdução de alelos. 

Os resultados tanto da atribuição do Structure quanto da 
análise discriminante de componentes principais (DAPC), bem 
como a estimativa de taxas de migração, indicam que processos 
migratórios ocorrem entre todas as subpopulações analisadas. Os 
valores apresentados na Tabela 11 indicam que as trocas gênicas 
de indivíduos entre o tabuleiro Jacaré (localizado no rio 
Trombetas e foco principal do estudo) com o tabuleiro Desengano 
(Terra Santa) e a Praia Santana (Juruti) são particularmente 
significativos, apresentando os seguintes índices quanto ao 
número de indivíduos migrantes: de Trombetas para Juruti: 
0.9% dos indivíduos são migrantes; de Juruti para Trombetas: 
8,1%; de Trombetas para Desengano: 3,3%; e de Desengano 
para Trombetas: 1,1%. Tais taxas de migração inter-bacias 
concordam com o preconizado pela literatura {e.g., Sites-Jr. et 
al., 1999; Valenzuela, 2000; Pearse et a!., 2006), que indicam 
que as populações da espécie apresentam certo isoladamento 
reprodutivo. No entanto, são sujeitas a trocas genéticas 
eventuais a partir da migração de alguns poucos indivíduos entre 
grandes bacias. 


133 



A maior conexão registrada no presente estudo refere-se 
às populações do tabuleiro do Jacaré (rio Trombetas) e o 
tabuleiro Monte Cristo (rio Tapajós), distantes 523 Km entre si. 
Este padrão deve-se, muito provavelmente, ao fato de vários 
exemplares de Tartarugas-da-Amazônia com capacidade 
reprodutiva estabelecida foram transportadas do Rio Trombetas 
para o Tabuleiro Monte Cristo na década de 1970, com o intuito 
de diminuir gradativamente a concentração delas no primeiro rio 
e concentrar o recrutamento da espécie no segundo (Alfinito et 
at., 1976). Desta forma, esta maior taxa deve ser atribuída a 
interferências antropogênicas, e não a condições naturais. 

Conclusões 

Pelos dados obtidos, portanto, verifica-se que a 
população de tartarugas do rio Trombetas, objeto do presente 
estudo, apresenta uma estrutura genética típica para a espécie, 
participando de um sistema metapopulacional no qual indivíduos 
originários da mesma população transmitem seus alelos para 
populações do rio Amazonas e, também, adquirem alelos a partir 
destas últimas. Esta resposta concorda com o padrão esperado 
dentre as seis hipóteses possíveis aventadas na concepção desta 
avaliação, qual seja, a de que "há isolamento parcial das 
populações, nas quais os estoques genéticos de uma população 
são verificados em baixas taxas nas demais", gerando a condição 
metapopulacional onde a região do baixo Trombetas funciona 
como ponte para a espécie. 

Sistemas metapopulacionais detêm grande relevância sob 
a ótica de conservação de patrimônios genéticos, uma vez que, 
ao contemplarem estoques gênicos particulares derivados de 
processos evolutivos específicos, indivíduos de uma 
subpopulação podem transmitir seus genes a outras 
subpopulações via reprodução em intervalos maiores do que os 
observados para a formação de novas gerações em cada 
população em particular (Begon et a!., 2007). Caso tais 
processos de permuta sejam favoráveis, estabelece-se uma nova 
possibilidade de aumento da variabilidade gênica que, em tese, 
aumenta a possibilidade de resiliência das populações frente a 
pressões decorrentes da dinâmica do meio. 

A existência de uma estruturação genética típica da 
população da Tartaruga-da-Amazônia no rio Trombetas e sua 
participação em um sistema metapopulacional com populações a 
jusante não implica na completa inexistência de impactos do 


134 



tráfego de navios sobre a espécie (em especial na comunicação 
entre indivíduos), embora seja possível inferir com os resultados 
desta avaliação que eles sejam de pequena magnitude, pois não 
se detectou um isolamento genético da população. 

Agradecimentos 

Este estudo foi parcialmente financiado pelo Programa 
Biota / FAPESP (Proc. No. 2006/60954-4). LMV tem uma bolsa de 
produtividade em pesquisa do Conselho Nacional de 

Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq, Proc. No. 
312049/2015-3). E por fim, agradecemos ao Prof. Dr. Antonio 
Figueira pela sua autorização para a utilização do Laboratório de 
Melhoramento de Plantas no CENA/USP durante o 

desenvolvimento desse estudo, que foi desenvolvido como parte 
do projeto Jovem Pesquisador Fapesp da bolsista KLSB (Proc. No. 
2012/16266-7). 

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138 






Capítulo 6 


Riqueza, Hábitats e Aspectos Ecológicos de 
Quelônios Aquáticos nos Igarapés da Área de 
Influência da Mineração do Platô Bacaba e Lago 
Sapucuá, FLONA de Saracá-Taquera, Pará, Brasil 


Fernanda Stender de Oliveira 
Guilherme Nunes Ferreira 
Raissa Fries Bressan 
Rafael Silveira Ribeiro 
Ivan França e Souza 
Sérgio Augusto Abrahão Morato 


Resumo 

A Amazônia brasileira abrange uma região com grande riqueza de 
quelônios de água doce, contemplando o registro de 17 espécies. 
Entretanto, o conhecimento sobre a sua história natural é ainda 
incipiente, condição que dificulta a análise de impactos sobre as 
populações em função da instalação de empreendimentos e atividades 
humanas. A FLONA de Saracá-Taquera, localizada no Estado do Pará, 
consiste em uma Unidade de Conservação na qual são desenvolvidas 
atividades de mineração de bauxita. Embora o minério seja retirado de 
platôs, que consistem em áreas elevadas e desprovidas de recursos 
hídricos, o entorno dos mesmos abrange uma rica rede de pequenos 
cursos d'água (denominados igarapés), os quais drenam para grandes 
rios e lagos regionais. Em função da necessidade de se avaliar os 
impactos da mineração de um desses platôs, denominado Bacaba, um 
monitoramento de quelônios aquáticos foi realizado ao longo de três anos 
nos igarapés marginais ao mesmo e em sua foz no lago Sapucuá, 
localizado nas proximidades do rio Amazonas. Neste estudo são 
apresentados os resultados desse monitoramento, o qual abrangeu a 
avaliação da riqueza, da distribuição por diferentes ambientes e outros 
aspectos ecológicos das espécies de quelônios aquáticos. O objetivou do 
estudo consistiu em acompanhar mudanças nesses aspectos em resposta 
a prováveis impactos decorrentes das atividades de implantação e 
operação do empreendimento minerário do platô Bacaba, de forma a 
fornecer diretrizes para o manejo e a recuperação ambiental das áreas e 
das espécies que viessem a ser eventualmente afetadas. 


140 



Abstract 


The Brazilian Amazon covers a region with great wealth of freshwater 
turtles, contemplating the registration of 17 species. However, the 
knowledge about the natural history of the species is still incipient, a 
condition that makes it difficult to analyze impacts on populations due to 
the installation of human activities and enterprises. The Saracá-Taquera 
National Forest, located in the northern State of Pará, consists of a 
Conservation Unit in which bauxite mining activities are developed. 
Although the ore is rermoved from plateaus, which consist of elevated and 
deprived areas of water resources, the surrounding area covers several 
small watercourses (called igarapés), which drain into large rivers and 
regional lakes. Due the need for evaluating the impacts of the mining of 
one of these plateaus, called Bacaba, an aquatic turtles monitoring was 
carried out over three years in the marginal igarapés and at its mouth in 
the Sapucuá lake, located in the vicinity of the Amazon river. The study 
shows the results of the monitoring, including the evaluation of the 
richness, the distribution by different environments and other ecological 
aspects of the aquatic turtles species. The objective of the study was to 
monitor changes in these aspects in response to probable impacts 
resulting from the activities of the Bacaba mining project implementation 
and operation, in order to provide guidelines for the environmental 
management and recovery of areas and species that could be affected. 


Introdução 

Os quelônios constituem répteis pertencentes à Ordem 
dos Testudines. Tiveram sua origem entre os Amniota do 
Carbonífero Superior e tornaram-se bem-sucedidos no final do 
período Triássico (Pritchard, 1967). 

Atualmente, os Testudines reúnem duas Subordens: os 
Cryptodira, que retraem a cabeça verticalmente dentro da 
carapaça, e os Pleurodira, animais que retraem o pescoço 
horizontalmente (Pritchard, 1967). Os Cryptodira são 
constituídos pelas famílias Carettochelyidae, Cheloniidae, 
Chelydridae, Dermatemydidae, Dermochelyidae, Geoemydidae, 
Kinosternidae, Platysternidae, Testudinidae, Trionychidae e 
Emydidae, enquanto os Pleurodira estão representados pelas 
Famílias Chelidae, Pelomedusidae e Podocnemididae (Fritz & 
Flavas, 2006). 

Cerca de 80% da fauna mundial de quelônios é formada 
por espécies da Subordem Cryptodira e apenas 20% pela 
Subordem Pleurodira (Martins & Molina, 2008). No Brasil, dois 
terços das espécies pertencem à Subordem Pleurodira e apenas 
um terço à subordem Cryptodira. Esses valores colocam o Brasil 


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em posição de destaque, sendo o país com maior biodiversidade 
de Pleurodira, juntamente com a Austrália (Martins & Molina, 
2008). 

Dentre as 317 espécies de quelônios do mundo, 53 
ocorrem na América do Sul, somando 16% de toda a diversidade 
do grupo (Souza, 2004; Catalogue of Life, 2012). No Brasil são 
conhecidas 36 espécies de quelônios (Costa & Bérnils, 2015), 
sendo cinco espécies marinhas, duas exclusivamente terrestres e 
29 de água doce. Embora a fauna brasileira de quelônios seja 
pouco diversa, se comparada à da América do Norte e outros 
continentes (v. Vogt, 2008), ela é expressiva quanto à 
representatividade de suas famílias com relação à fauna mundial, 
pois responde por 37% da família Chelidae e 62,5% da família 
Podocnemididae (Souza & Molina, 2007). 

A família Chelidae é a mais rica, com 23 espécies, das 
quais 20 ocorrem no Brasil (Souza, 2004; Costa & Bérnils, 2015). 
Os representantes dessa família consistem predominantemente 
em espécies aquáticas, geralmente saindo da água somente para 
assoalhar ou para depositar seus ovos (Souza, 2005). A família 
Podocnemididae é a segunda mais rica, representada por cinco 
espécies ocorrentes no Brasil, todas exclusivamente aquáticas e 
consideradas as maiores tartarugas da Amazônia (Bartlett & 
Bartlett, 2003). 

A Amazônia brasileira abriga pelo menos 17 das 26 
espécies de quelônios de água doce que ocorrem no Brasil (Avila- 
Pires et ai, 2007). Estas espécies estão distribuídas em cinco 
famílias: Emydidae ( Trachemys adiutrix); Podocnemididae 
(Podocnemis expansa, P. unifitis, P. sextubercutata, P. 
erythrocephala e Peltocephalus dumerilianus ); Chelidae ( Chelus 
fimbriatus, Platemys platycephala, Rhinemys rufipes, 
Mesoclemmys gibba, M. heliostemma; M, nasuta, M. raniceps, 
Phrynops tuberosus e P. geoffroanus), Kinosternidae 
( Kinosternon scorpioides ) e Geoemydidae ( Rhinoclemmys 
punctularia; Vogt, 2008; Costa & Bérnils, 2015). Para a bacia do 
médio rio Amazonas, não há o registro de três espécies: 
Trachemys adiutrix, Phrynops tuberosus e Mesoclemmys 
heliostemma (ver Vanzolini, 1995; McCord et al., 2001; Bour & 
Zaher, 2005; Leite, 2010). Assume-se, portanto, que para a 
região de estudo possam ocorrer 14 espécies de quelônios de 
água doce (Vogt, 2008). 


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O conhecimento sobre a história natural da maioria das 
espécies de quelônios amazônicos é ainda incipiente (Souza & 
Molina, 2007), o que dificulta abordagens mais amplas sobre 
vários aspectos ecológicos dessas espécies, que são primordiais 
em planos de manejo e conservação (Souza, 2004). A 
conservação de qualquer ecossistema requer o conhecimento 
básico sobre seus organismos, incluindo histórias de vida e 
variações no tamanho e densidade de suas populações 
(Vanzolini, 2003). Tais estudos sobre dinâmica de populações são 
particularmente relevantes para quelônios, pois a baixa 
capacidade de dispersão, longevidade, densidade e biomassa 
elevada para muitas espécies (Souza &Abe, 2000) permitem que 
suas populações sejam estruturadas em uma pequena escala do 
ambiente e também possibilitam o acompanhamento de 
oscilações no tamanho dessa população (número de indivíduos) 
ao longo do tempo (Souza et a/., 2002). 

Neste estudo são apresentados os resultados de três 
anos de monitoramento dos quelônios aquáticos nos igarapés da 
área de influência do Platô Bacaba e no Lago Sapucuá, localizado 
no município de Oriximiná, Pará, Brasil. Esse estudo objetivou 
acompanhar o comportamento das comunidades de quelônios 
aquáticos em resposta a prováveis impactos decorrentes das 
atividades de implantação e operação do empreendimento 
minerário do platô Bacaba, na FLONA de Saracá-Taquera, de 
forma a fornecer diretrizes para o manejo e a recuperação 
ambiental das áreas que viessem a ser eventualmente afetadas. 

Material e Métodos 

O monitoramento de quelônios da área de influência do 
platô Bacaba, situado na FLONA de Saracá-Taquera, Estado do 
Pará, foi realizado na região considerada susceptível a alterações 
decorrentes das atividades relacionadas à extração de bauxita no 
referido platô. Tal área abrange os igarapés com maior ordem 
hierárquica, Araticum e Saracá, e o Lago Sapucuá, que recebe as 
águas das microbacias que drenam do platô Bacaba (Figura 1). 

A bibliografia para obtenção de dados secundários 
relativos à fauna de quelônios da região de estudo é 
razoavelmente bem documentada. Dentre os levantamentos na 
região em apreço, destacam-se os seguintes: Alfinito et at., 
1976; Alho et al., 1979; Pádua, 1981; Pádua & Alho, 1982; 
Pádua et al., 1983; IBDF & FBCN, 1982; Eletronorte, 1989; 
Hoogmoed & Avila-Pires, 1990; Zwing & Young, 1990; Vogt et 


143 



a/., 1994; BRANDT, 2001; Haller, 2002; Galatti et al., 2003, 
2008; Rodrigues, 2003; Vanzolini, 2003; Bonach, 2004; MMA, 
2004; Moretti, 2004; Haller & Rodrigues, 2005; Haller & 
Rodrigues, 2006; IBAMA, 2006; Vogt, 2008; Avila-Pires, 2010. 
Tais referências foram consultadas para fins de padronização de 
métodos amostrais e predição das possibilidades de ocorrência 
de espécies. 

Figura 1 - Área de monitoramento de quelônios aquáticos na 
região dos igarapés circundantes ao Platô Bacaba e no Lago 
Sapucuá, Estado do Pará, Brasil. 



Os trabalhos de campo para a caracterização da fauna de 
quelônios foram realizados com esforço amostrai de dois 
pesquisadores e dois colaboradores ao longo de seis fases de 
campo entre os anos de 2010 e 2012. Cada fase foi desenvolvida 
ao longo de 10 dias de trabalho, e tiveram como principais 
finalidades o reconhecimento das principais áreas de ocorrência 


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das espécies e a identificação de seus nichos; a marcação dos 
indivíduos e sua posterior recaptura e a identificação das áreas 
de maior pressão e as prioritárias para conservação. 

Para o estudo, três sítios amostrais foram pre¬ 
estabelecidos, conforme seguem: 1. Azul, compreendendo os 
igarapés Saracá, Patauá e Araticum; 2. Marrom, compreendendo 
área de transição entre os igarapés e o lago Sapucuá (baías I e 
II); e 3. Vermelho, considerado como área controle e 
abrangendo as proximidades das comunidades São Pedro, 
Casinha e Ajará. Tais sítios foram subdivididos em 10 pontos 
amostrais segundo as condições mais específicas da paisagem e 
possibilidades de acesso (Tabela 1). No Sítio Azul localizaram-se 
os pontos amostrais Pl, P2, P3 e P4, no Sítio Marrom os pontos 
P5, P6, P7 e P8 e no Sítio Vermelho os pontos P9 PIO (Figura 2). 
Em cada ponto foram estabelecidas as amostragens de quelônios 
conforme métodos detalhados a seguir. 


Tabela 1 - Localização dos pontos amostrais de monitoramento 
de quelônios aquáticos nos igarapés da área de influência do 
platô Bacaba e lago Sapucuá, Estado do Pará, Brasil. _ 


Ponto 

Localidade 

Localização Central 

Descrição do 

(UTM; 21M) 

ambiente 

1 

Igarapé Araticum 

576842/9799768 

Igarapés e igapós 

2 

Igarapé Patauá 

578051/9804845 

Igarapés e igapós 

3 

Igarapé Saracá 

579921/9801511 

Igarapés e igapós 

4 

Foz do Igarapé 
Araticum 

579579/9798490 

Lago Sapucuá 

5 

Baía I 

585142/9797567 

Lago Sapucuá 

6 

Baía II 

587262/9798094 

Lago Sapucuá 

7 

Lago Sapucuá 

589938/9800577 

Lago Sapucuá 

8 

Comunidade Casinha 

589239/9803465 

Igarapé 

9 

Comunidade São 
Pedro 

596162/9806131 

Igarapé e lago 
Sapucuá 

10 

Comunidade Ajará 

603167/9803937 

Igarapé e lago 
Sapucuá 


Em cada ponto amostrai foi instalado, desde que 
houvesse condições para tal (especialmente dentro dos igarapés, 
pontos 1 e 2), um conjunto de armadilhas: uma "Hoop trap", 
uma "Fyke net" e duas malhadeiras. Este conjunto de armadilhas 


145 




(malhadeiras, "Fyke net" e "Hoop trap") foi disposto nos Sítios 
Azul, Marrom e Vermelho da área de estudo. 


Figura 2 - Sítios e pontos amostrais para monitoramento de 
quelônios aquáticos nos igarapés da área de influência do platô 



A "Hoop trap" é uma armadilha do tipo covo, com dois 
aros e duas câmaras, com 80 cm de diâmetro de abertura 
(Legler, 1960). Os covos foram armados em paralelo a uma das 
margens, com o funil direcionado contra a correnteza, 
procurando manter o aro de entrada totalmente assentado sobre 
o fundo e a extremidade oposta fora da água, para permitir que 
os animais capturados pudessem respirar (Figura 3A). Iscas 
apodrecidas de frango, peixe, sardinha, ração para gato e 
mandioca foram mantidas em um recipiente plástico com 
perfurações e preso na câmara oposta à entrada, para atrair os 
indivíduos. Na estação chuvosa, as iscas foram, na medida do 
possível, substituídas por uma mistura de frutos fermentados 
(Mauritia ftexuosa, buriti e Leopotdinia pulchra, jará). Já na 
estação seca optou-se por utilizar mais a mandioca, em virtude 
de não haver árvores próximas em período de frutificação. Essa 
armadilha era revisada duas vezes ao dia (às 8:00h e 18:00 h). 


146 













A "Fyke net" consiste em uma armadilha em formato de 
funil com entrada simples (ver Fachín-Terán & Vogt, 2004). Essa 
armadilha possui 10 m de comprimento e são compostas em 
cada extremidade por três aros de alumínio de 1,5 m de 
diâmetro, revestidos por redes que alcançam as margens dos 
igarapés e direcionam os animais para dentro do funil de onde 
não conseguem sair (Figura 3B). Iscas apodrecidas de frango, 
peixe, sardinha, ração para gato e mandioca foram mantidas em 
um recipiente plástico com perfurações e preso na câmara oposta 
à entrada, para atrair os indivíduos. Na estação chuvosa, as iscas 
foram, na medida do possível, substituídas por uma mistura de 
frutos fermentados (Mauritia flexuosa, buriti e Leopoldinia 
pulchra, jará). Já na estação seca optou-se também por utilizar 
mais a mandioca, em virtude de não haver árvores próximas em 
período de frutificação. Essa armadilha também era revisada 
duas vezes ao dia (às 8:00h e 18:00 h). 

As malhadeiras foram confeccionadas com malhas triplas 
e com 100m de comprimento cada, a fim de capturar tanto os 
indivíduos maiores como os menores (Figura 3C). Foram 
instaladas duas malhadeiras por ponto amostrai, as quais eram 
revisadas impreterivelmente a cada duas horas, a fim de evitar 
possíveis afogamentos dos animais. As malhadeiras foram 
instaladas às 7:00h e retiradas às 19:00h diariamente. O uso 
dessas armadilhas é o método aceito e regularmente utilizado 
para a captura de quelônios (v. Batistella; 2008; Chessman, 
1986; Florta, 2008; Iverson, 1989; Legler, 1960; Spencer, 2001; 
Tucker, 1994; Tucker & Moll, 1997). Nesses estudos de ecologia 
e conservação de quelônios, que utilizaram deste método, os 
autores não relataram danos aos animais. Na segunda e quarta 
campanhas (estação seca), as malhadeiras de 100 m dos pontos 
Pl, P2, P3 e P4 foram substituídas por malhadeiras de igapós, de 
20 m (Figura 3D), devido à impossibilidade de instalação das 
malhadeiras com 100 m. 

Além das armadilhas, também foram realizadas procuras 
ativas (PA), que correspondem a incursões nas margens dos 
igarapés amostrados, seguindo os métodos propostos por 
Vanzolini et at. (1980). Esse método consiste em caminhadas e 
incursões por barcos, durante as quais os ambientes são 
explorados visualmente, havendo inspeção de tocas, serapilheira, 
locais abrigados, troncos caídos e nos mais variados ambientes 
(Figura 3E). Durante a segunda, quarta e sexta campanhas, que 
contemplaram o início da temporada de desova de algumas 


147 



espécies (por ex.: Podocnemis unifilis), foram realizadas 
incursões noturnas pelas praias do lago Sapucuá para a 
visualização de rastros e eventuais posturas. 

Outros métodos utilizados e considerados registros 
válidos foram aqueles realizados visualmente; captura manual ou 
ainda através de evidências indiretas, como carapaças, cascas de 
ovos, ninhos, carcaças, ou qualquer outro indício que permitisse 
a identificação confiável do animal relacionado (Figura 3F). Outro 
recurso utilizado foi entrevistar os moradores locais, procurando 
fazer com que estes se manifestassem livremente sobre os 
quelônios que costumam ver e suas características diagnósticas 
(Figura 3G). Essas entrevistas com a comunidade e com pessoas 
conhecedoras da região fornecem informações valiosas sobre as 
áreas de maior concentração de animais ou da existência de 
espécies não obtidas pelos demais métodos aqui expostos. 
Também foram visitados alguns tanques, com quelônios criados 
em cativeiro, financiados pelo Programa da MRN - Pé de Pincha 
(Figura 3H). 

O procedimento adotado para o monitoramento foi o de 
"captura-marcação-recaptura". Após serem retirados 
manualmente das armadilhas (Figura 4A), os exemplares foram 
acondicionados em sacos de algodão e em caixas plásticas e 
molhados a cada meia hora. A seguir foram medidos, pesados, 
sexados e marcados individualmente (adaptado de Cagle, 1939; 
Layfield et a/., 1988; Rueda-Almonacid et a/., 2007). 

O sexo foi determinado por características do plastrão, 
pelo posicionamento da cloaca e pelo comprimento da cauda 
(Ernst & Barbour, 1989). Os indivíduos sem características 
sexuais secundárias foram considerados juvenis. A presença de 
ovos foi verificada pela apalpação da região inguinal entre o 
membro posterior e o casco do animal (Rueda-Almonacid et a/., 
2007). 

As medidas foram tomadas com trenas plásticas: altura, 
largura e comprimento retilíneo da carapaça; largura e 
comprimento reto do plastrão (Figuras 4B, 4C e 4D), de acordo 
com Souza (1995). A massa corporal foi medida com 
dinamômetros de precisão (Pesola®; Figura 4E) e marcados, de 
forma visível, com furos nos escudos marginais da carapaça 
(Figura 4F). 


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Figura 3 - Procedimentos adotados para captura de indivíduos 
durante os três anos de monitoramento de quelônios aquáticos 
nos igarapés da área de influência do platô Bacaba e lago 



Legenda: A) Armadilha "Hoop trap"; B) Armadilha "Fyke net"; C) Malhadeira tripla de 100 m; D) 
Malhadeira simples de igapó de 20 m; E) Procura ativa por exemplares termorregulando em 
troncos expostos na vegetação; F) Plastrão queimado de Podocnemis unifilis; G) Entrevista com 
moradores locais; H) Tanque de quelônios do Projeto Pé de Pincha da Comunidade de Ascensão 
(Fotos: F Stender de Oliveira). 


149 




A partir da segunda campanha todos os indivíduos foram 
marcados individualmente com anilhas de metal no 11° ou 12° 
escudo (Figura 4G). Os exemplares devidamente anilhados foram 
então acondicionados em tanques de 500 litros, sendo soltos no 
mesmo dia ou no dia seguinte, no mesmo local da captura. 

Marcas naturais, a exemplo de cicatrizes e marcações 
utilizadas na REBIO Trombetas e no Pé de Pincha, também foram 
anotadas e fotografadas de forma a facilitar o reconhecimento 
posterior dos espécimes, uma vez que as marcações poderão ser 
danificadas em função de tentativas de predação (e.g. Manzani 
et al., 1993). 

Todos os dados biométricos foram anotados em fichas 
individuais (v. Rueda-Almonacid et al., 2007), assim como as 
anotações gerais como local, coordenadas, datas, horário, habitat 
ocupado, substrato, indícios de reprodução (ovos, casais, ninhos, 
juvenis, etc.) e comportamento (assoalhando ou não). A 
nomenclatura científica utilizada seguiu aquela utilizada pela 
Sociedade Brasileira de Herpetologia (Costa & Bérnils, 2015). 

Na análise dos dados obtidos em campo, os seguintes 
parâmetros foram avaliados: 

Curva do Coletor 

As curvas de acumulação de espécies ou curvas do 
coletor são um excelente procedimento para avaliar o quanto um 
inventário se aproxima de capturar todas as espécies da área de 
estudo. A curva formada exibe o seguinte padrão: uma curva 
inicial ascendente de crescimento acelerado, que prossegue cada 
vez mais devagar de acordo com o aumento do esforço amostrai 
até formar um platô ou assintota (Martins & Santos, 1999). 
Quando a curva se estabiliza (ponto assintótico), 
aproximadamente a riqueza total da área foi amostrada (Santos, 
2004). 

Como a riqueza de espécies observada está diretamente 
relacionada ao tamanho da amostra (Lande et al., 2000) e tende 
a aumentar à medida que aumenta o tamanho da área (Ricklefs, 
2003, Tocher et al., 1997), a riqueza de quelônios encontrada 
nos igarapés e no lago Sapucuá foi objetivamente comparada 
com os estimadores de riqueza e pelo método de rarefação, que 
plota a riqueza de espécies versus o tamanho da amostra (Lande 
et al., 2000). O método de rarefação padroniza o tamanho das 
amostras pela construção de diversas curvas de riqueza por 


150 



adição aleatória das amostras, gerando curvas padrões para cada 
área. São então comparadas as assintotas destas curvas, com 
relação ao esforço amostrai necessário para a estabilização. Cada 
ponto amostrai na curva de rarefação é o resultado de 5.000 
aleatorizações na matriz observada, apresentado juntamente 
com os intervalos de confiança a 95%. Quando houver 
intersecção entre as curvas das diferentes áreas estudadas ou a 
curva de rarefação ocorrer dentro do intervalo de confiança de 
uma curva adjacente, a riqueza das áreas pode ser considerada 
como não significativamente diferente. As curvas de rarefação 
para as áreas foram construídas utilizando-se o programa 
EstimateS (Colwell, 2005), segundo o método de rarefação por 
interpolação baseada na amostra (Colwell et a!., 2003). 


Estimativa de Riqueza 

Os estimadores de riqueza, embora se baseiem no 
número de espécies raras na amostra para o cálculo do número 
de espécies, permitem também o cálculo de intervalos de 
confiança (Santos, 2003; Walther & Morand, 1998), fornecendo 
outro parâmetro para a comparação da riqueza entre habitats. 
Dos estimadores disponíveis na literatura, utilizou-se o JackKnife, 
descrito em Krebs (1999), pela seguinte fórmula: S = s + [(n - 
1) / n]k. Onde S é a estimativa Jackknife da riqueza das 
espécies; s corresponde ao número total de espécies encontradas 
em n dias; n, portanto é o número de dias amostrados e k é o 
número total de espécies únicas (ocorrem em somente um dia). 
Para a análise dos dados foi utilizado o programa EstimatesS 8.0 
(Colwell, 2005). 


índice de Diversidade de Shannon-Weiner 

A partir dos dados quantitativos foi feita uma média do 
número observado nos ambientes amostrados e assim calculado 
o índice de diversidade pelo método de Shannon-Wiener e de 
equitabilidade pela relação H/Hmax, ambos descritos em Krebs 
(1999). Para estes cálculos utilizou-se o programa Biodiversity 
Pro, disponível pela Internet. 


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Figura 4 - Procedimentos adotados para avaliação biométrica e 
marcação de indivíduos durante os três anos de monitoramento 
de quelônios aquáticos nos igarapés da área de influência do 
platô Bacaba e lago Sapucuá, Estado do Pará, Brasil. 



Legenda: A) Captura na malhadeira de um exemplar de Podocnemis erythrocephala ; B) Medida do 
comprimento da carapaça de Peltocephalus dumerilianus ; C) Medida da altura da carapaça de 
Podocnemis unifilis ; D) Medida do comprimento reto do plastrão de Podocnemis sextuberculata; 
E) Medição da massa corporal de Podocnemis unifilis; F) Exemplo de marcação número 29 de um 
exemplar de Podocnemis erythrocephala; G) Marcação individual com anilha de metal (Fotos: A- 
D, F-G: F Stender de Oliveira; E) SAA Morato). 


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Análise de Similaridade 

O índice de similaridade utilizado foi o coeficiente binário 
de similaridade de Jaccard, descrito por Magurran (1988), 
utilizando-se o programa Biodiversity PRO. Foi calculada para a 
fauna de quelônios a similaridade das fisionomias amostradas 
pela composição de espécies, utilizando a presença e a ausência 
de cada uma. Os índices foram agrupados ("clustering") em um 
dendrograma pelo método de média não ponderada UPGMA 
(Unweighted Pair Group Method using Arithmetic Averages; 
Krebs, 1999). 

Resultados e Discussão 

Riqueza e Composição de Espécies 

Toda a bacia amazônica abriga 17 espécies de quelônios 
de água doce (Rueda-Almonacid et ai., 2007), sendo que, para a 
região da FLONA de Saracá-Taquera, conta-se com a presença de 
pelo menos 11 (Morato et ai., 2014; ver também Capítulo 1). 

Ao longo de três anos de monitoramento, foram 
registradas oito espécies de quelônios aquáticos, ou seja, 72,7% 
das espécies ocorrentes na região de estudo. As oito espécies 
verificadas pertencem a três famílias: Geoemydidae 
(Rhinoclemmys punctularia), Chelidae ( Chelus fimbriatus e 
Mesoclemmys gibba) e Podocnemididae ( Peltocephalus 
dumeriiianus; Podocnemis erythrocephala; P. expansa; P. 
sextubercuiata e P. unifiiis (Figura 5). 

Todas as espécies registradas possuem ampla 
distribuição geográfica na Bacia Amazônica (Pritchard &Trebbau, 
1994), sendo que nenhuma das espécies é endêmica da região 
em apreço. 

Abundância 

Ao longo de todo o estudo, a espécie mais abundante foi 
Podocnemis unifiiis com 224 exemplares verificados, seguido por 
P. erythrocephala com 131 indivíduos. A espécie Peltocephalus 
dumeriiianus somou 24 exemplares, seguida por Podocnemis 
sextubercuiata com 12. A tartaruga-da-amazônia P. expansa 
contou com oito indivíduos e o matá-matá Chelus fimbriatus com 
quatro. A perema Rhinoclemmys punctularia e o cágado-das- 
poças-das-florestas Mesoclemmys gibba apresentaram somente 
um indivíduo cada (Figura 6). 


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Figura 5 - Espécies registradas durante os três anos de 
monitoramento de quelônios aquáticos nos igarapés da área de 
influência do platô Bacaba e lago Sapucuá, Estado do Pará, Brasil. 



Legenda: A) Rhinoclemmys punctularia; B) Mesoclemmys gibba ; C) Chelus fimbriatus ; D) 
Peltocephalus dumerilianus ; E) Podocnemis erythrocephala; F) Podocnemis expansa ; G) 
Podocnemis sextuberculata ; H) Podocnemis unifilis (Fotos: A,C,D,G,H - SAA Morato; B,E,F: F 
Stender de Oliveira). 


154 



Figura 6 - Riqueza e abundância das espécies registradas durante 
os três anos de monitoramento de quelônios aquáticos nos 
igarapés da área de influência do platô Bacaba e lago Sapucuá, 
Estado do Pará, Brasil. 



Com relação aos métodos empregados no 
monitoramento, as malhadeiras foram responsáveis pela captura 
de 316 exemplares. As armadilhas "Fyke net" somaram ao todo 
sete indivíduos e as "Hoop trap" não foram eficientes, pois não 
registraram exemplares durante todo o monitoramento. O 
método registro visual foi responsável pelo acréscimo de 72 
indivíduos; o método de captura manual e o método procura 
ativa registraram cinco espécimes cada (Figura 7). Ao todo, 
portanto, foram verificados (capturados ou registrados 
visualmente) um total de 405 exemplares durante os três anos 
de monitoramento. 


155 





Figura 7 - Eficiência dos métodos amostrais utilizados nos três 
anos de monitoramento de quelônios aquáticos nos igarapés da 
área de influência do platô Bacaba e lago Sapucuá, Estado do 
Pará, Brasil. 



Número de indivíduos verificados ao longo de três anos de monitoramento 


Aspectos Ecológicos 

O período da tarde foi o mais rico, registrando sete 
espécies, enquanto o noturno foi o menos diverso, com somente 
duas espécies verificadas. Contudo, cabe ressaltar que o período 
noturno (após às 20:00h) não foi o foco do estudo em questão 
por envolver diversos riscos, e sua coleta foi somente 
exporádica. 

Com relação à abundância, a maioria dos indivíduos 
(n = 233) foi verificada durante a tarde, que corresponde ao 
período das 12:01h às 17:00h. Este período foi seguido pelo 
matutino (7:00h às 12:00h) com 111 registros. O período 
vespertino, das 17:01 às 20:00, foi responsável pela captura de 
54 exemplares. O período noturno registrou cinco exemplares 
(Figura 8). 

Nos três anos de monitoramento, foram constatadas 
quatro fêmeas ovadas, demonstrando que o período de estudos 
não foi condizente com o ápice da reprodução. 


156 





Figura 8 - Riqueza e abundância das espécies em relação ao 
período do dia em que foram registrados durante os três anos de 
monitoramento de quelônios aquáticos nos igarapés da área de 
influência do platô Bacaba e lago Sapucuá, Estado do Pará, Brasil. 



As fêmeas de Podocnemis erythrocephala apresentaram o 
tamanho do comprimento retilíneo da carapaça maior que os 
machos. Esta diferença ao longo dos três anos de monitoramento 
foi significativa (t = 5.0234; g. I. = 64; p < 0.0001; Figura 9). 

As fêmeas de Podocnemis erythrocephala são mais 
robustas que os machos e esta diferença foi significativa ao longo 
dos três anos de monitoramento (t = 5.1015; g. I. = 73; p < 
0.0001; Figura 10). 


157 





Figura 9 - Comprimento retilíneo da carapaça (mm) em machos e 
fêmeas adultos de Podocnemis erythrocephala capturados 
durante os três anos de monitoramento de quelônios aquáticos 
nos igarapés da área de influência do platô Bacaba e lago 
Sapucuá, Estado do Pará, Brasil. 



Legenda: F = Fêmeas; M = Machos; Círculos vazios = Outliers. 


Em Podocnemis unifilis houve dimorfismo sexual com 
relação ao comprimento retilíneo da carapaça (t = 5.5882; g. I. = 
116; p < 0.0001), sendo as fêmeas maiores que os machos 
(Figura 11). As fêmeas apresentaram também diferenças 
significativas de robustez em relação aos machos, sendo 
estatisticamente mais pesadas (t = 5. 3113; g. I. = 97; p < 
0.0001; Figura 12). 

Portanto, o comprimento retilíneo da carapaça de P. 
erythrocephala e P. unifilis foi estatisticamente diferente entre os 
sexos, com as fêmeas maiores que os machos, padrão observado 
por diversos autores em diversas espécies (por ex. Fachín-Teran 
& Vogt, 2004 para P. unifilis). O dimorfismo sexual pode refletir 
em importante fator na interação social, diminuindo a 
competição. Em algumas espécies para as quais as fêmeas são 
maiores, a dieta pode ser diferente e o maior tamanho corpóreo 
das fêmeas pode aumentar seu sucesso reprodutivo, 
possibilitando maiores posturas (Ruane et ai., 2008). 


158 




Figura 10 - Robustez (g) em machos e fêmeas adultos de 
Podocnemis erythrocephala capturados durante os três anos de 
monitoramento de quelônios aquáticos nos igarapés da área de 



Figura 11 - Comprimento retilíneo da carapaça (mm) em machos 
e fêmeas adultos de Podocnemis unifilis capturados durante os 
três anos de monitoramento de quelônios aquáticos nos igarapés 
da área de influência do platô Bacaba e lago Sapucuá, Estado do 
Pará, Brasil. 



Legenda: F = Fêmeas; M = Machos; Círculos vazios = Outliers. 


159 










Figura 12 - Robustez (g) em machos e fêmeas adultos de 
Podocnemis unifilis capturados durante os três anos de 
monitoramento de quelônios aquáticos nos igarapés da área de 
influência do platô Bacaba e lago Sapucuá, Estado do Pará, Brasil. 



Legenda: F = Fêmeas; M = Machos; Círculos vazios = Outliers. 


Análise da Eficiência do Esforço Amostrai 

A curva de acumulação de espécies, ou do coletor, 
mostra leve tendência à estabilidade (Figura 13), com futura 
possibilidade de elevação na riqueza ao longo do tempo. A curva 
demonstra que o número de espécies observadas está chegando 
próximo ao que corresponderia ao total da riqueza esperada para 
a área de estudo, pois não houve mudanças na riqueza de 
espécies entre o segundo (n=8) e o terceiro (n=8) anos do 
estudo. Este fato é esperado, uma vez que trabalhos com a 
herpetofauna demandam sempre estudos em longo prazo para 
que se possa atingir o conhecimento pleno sobre a riqueza de 
espécies de uma dada região {e.g., Martins & Oliveira, 1998; 
Sawaya et ai., 2008). Na maioria dos estudos, principalmente em 
ecossistemas tropicais, as curvas de acumulação não se 
estabilizam (Santos, 2004) e, desta forma, espécies raras 
tendem a ser registradas somente com a continuidade do esforço 
de coleta. 


160 








Figura 13 - Número acumulativo de espécies registradas no 
monitoramento de quelônios aquáticos nos igarapés da área de 
influência do platô Bacaba e lago Sapucuá, Estado do Pará, Brasil. 



A estimativa de riqueza de espécies para o 
monitoramento de quelônios aquáticos nos igarapés da área 
deestudo, segundo o índice de Jackknife 1, foi de 9,96 espécies 
(Figura 14). De acordo com esse índice, a riqueza observada nos 
três anos foi próxima à esperada pelo estimador de riqueza. 

Figura 14 - Quantidade máxima de espécies esperadas (9,96 
espécies; Jackknife 1) a partir dos três anos de monitoramento de 
quelônios aquáticos nos igarapés da área de influência do platô 
Bacaba e lago Sapucuá, Estado do Pará, Brasil. 



161 







Distribuição das Espécies na Área de Estudo 

Os Sítios amostrais com a maior riqueza de espécies de 
quelônios coletados ou registrados visualmente durante o 
monitoramento foram os Sítios Azul e Marrom, ambos com cinco 
espécies. O Sítio Vermelho (tido como controle) apontou três 
espécies. 

O Sítio Marrom foi o mais abundante, registrando 218 
indivíduos, seguido pelo Azul, com 146. O Sítio Vermelho 
verificou 40 indivíduos ao longo do monitoramento (Figura 15). 

Com relação aos pontos amostrais, os pontos P8, P4, P2 
e PI apresentaram a maior riqueza, com quatro espécies, 
seguido dos pontos P3, P5, P6 e P9 com o registro de três 
espécies em cada um. O P7 somou duas espécies e o ponto 
amostrai com a menor riqueza de quelônios registrada foi o 
ponto PIO com apenas uma (Figura 16). 

Quanto à abundância, os pontos amostrais P6, P4 e P7 
foram os mais abundantes, seguidos pelos pontos P5, P3 e P2, de 
abundância intermediária. Por último os pontos P9, P8, PIO e PI 
apresentaram as menores abundâncias (Figura 17). 

Figura 15 - Abundância verificada nos sítios e pontos amostrais 
durante os três anos de monitoramento de quelônios aquáticos 
nos igarapés da área de influência do platô Bacaba e lago 
Sapucuá, Estado do Pará, Brasil. 



162 





Figura 16 - Riqueza e abundância de espécies durante os três 
anos de monitoramento de quelônios aquáticos nos igarapés da 
área de influência do platô Bacaba e lago Sapucuá, Estado do 
Pará, Brasil. 















Figura 17 - Riqueza e abundância das espécies registradas por 
ponto amostrai durante os três anos de monitoramento de 
quelônios aquáticos nos igarapés da área de influência do platô 
Bacaba e lago Sapucuá, Estado do Pará, Brasil. 



No que tange à diversidade encontrada nos diferentes 
sítios amostrados para o monitoramento de quelônios aquáticos, 
de acordo com o índice de Shannon-Wiener, o Sítio Azul 
apresentou a maior diversidade em relação aos demais. O Sítio 
com a menor diversidade foi o Vermelho (Tabela 2; Figura 18), 

164 













justamente a área controle, sugerida inclusive para a 
conservação das espécies já que a mesma se encontraria mais 
distante dos possíveis impactos advindos do platô Bacaba. 
Entretanto, a situação que se verifica é exatamente oposta, com 
o Sítio Vermelho apresentando uma menor diversidade 
possivelmente em decorrência da ocupação antrópica local. Há, 
também, que se considerar que o Sítio Azul encontra-se 
relacionado à área da FLONA, apresentando portanto pequena 
ocupação e maior proteção, mesmo em face aos processos 
minerários locais. 


Tabela 2 - índice de Diversidade de Shannon-Wiener Verificado 
durante os três anos de monitoramento de quelônios aquáticos 
nos igarapés da área de influência do platô Bacaba e lago 
Sapucuá, Estado do Pará, Brasil. _ 


INDEX 

SÍTIO 

AZUL 

SÍTIO 

MARROM 

SÍTIO 

VERMELHO 

Shannon H' Log Base 10 

0,464 

0,319 

0,292 

Shannon Hmax Log Base 10 

0,699 

0,699 

0,477 

Shannon J 1 

0,664 

0,457 

0,612 


Figura 18 - Comparação da diversidade de quelônios entre os três 
sítios amostrais, de acordo com o índice de Diversidade de 
Shannon-Wiener (eixo "y": Valores de Shannon-Wiener - H'). 


0.5-p 


Shannon Index Results 


Á 


A Azul 



T 


«t> - 1 - 1 - 1 - 1 - 1 - 1 

0.0 0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 3.0 

Sanple 


165 









Comparando-se os três sítios amostrados no 
monitoramento de quelônios, a partir do índice de similaridade de 
Jaccard, verifica-se que os Sítios Azul e Vermelho e Marrom e 
Vermelho foram os que apresentaram maior similaridade 
(33,3333%). Os Sítios que apresentaram menor similaridade 
foram Azul e Marrom com 25%. (Tabela 3; Figura 19). Este 
índice não apresentou qualquer mudança entre o segundo e o 
terceiro anos do monitoramento, ou seja, mesmo com um "n" 
maior, a similaridade entre os sítios se manteve. 

Tabela 11 - Matriz de Similaridade calculada com base na riqueza 
de espécies durante os três anos de monitoramento de quelônios 
aquáticos nos igarapés da área de influência do platô Bacaba e 
lago Sapucuá, Estado do Pará, Brasil. 



Figura 19 - Dendrograma ("Cluster Analysis") utilizando-se dados 
quantitativos obtidos durante os três anos de monitoramento de 
quelônios aquáticos nos igarapés da área de influência do platô 
Bacaba e lago Sapucuá, Estado do Pará, Brasil. 

Jaccard Cluster Analysis (Single Link) 


Azul 


0. % Similanty 50. 100 


166 













A distribuição espacial das espécies de quelônios pelos 
ambientes disponíveis está sujeita a uma série de fatores físicos 
(e.g. temperatura da água, profundidade, disponibilidade de 
locais para termorregulação) e biológicos (e.g. disponibilidade de 
alimento; Moll & Moll, 2004). Além disso, padrões distintos de 
utilização dos ambientes ocorrem entre diferentes espécies e 
entre diferentes sexos e classes de tamanho de indivíduos da 
mesma espécie (Fachín-Terán etat., 2006). 

Há poucos estudos na Amazônia com quelônios aquáticos 
voltados para distribuição, abundância e utilização do ambiente 
(Bernhard, 2010; Figueiredo, 2010; Leite, 2010). De acordo com 
Bodie & Semlitsch (2000), há aparente utilização de um maior 
número de ambientes durante o período em que há maior 
disponibilidade destes. Assim, quanto maior a heterogeneidade 
ambiental, maior a complexidade ecológica e maior a 
variabilidade espacial e temporal na distribuição das especies. 

Portanto, com relação à distribuição da comunidade de 
quelônios na área de estudo, foram observados dois grupos 
distintos de espécies: um grupo de espécies que ocorre em toda 
a extensão do lago Sapucuá e outro que habita os igarapés e 
igapós (florestas alagadas) da região. Embora simpátricos, estes 
dois grupos de espécies possuem nichos distintos (Figura 20). 


Figura 20 - Distribuição das espécies em relação ao hábitat 
verificada no monitoramento de quelônios aquáticos na área de 
influência do platô Bacaba, Estado do Pará, Brasil. 




P. unifilis 


1 

■ 

§. 

co P. sextuberculata 

to 

P. expansa 


5?" o? ^ P. erythrocephala 



1 

R. punctularia 


-(b P. dumerilianus 


$ 

1 

1 

to 

■S> 

M. gibba 

C. fimbriatus 

C 

) 50 100 150 200 250 

Número de indivíduos verificados ao longo de três anos de amonitoramento 


167 





A Figura 21 apresenta a distribuição das espécies ao 
longo da área de estudo. 

Figura 21 - Pontos de registro de espécies obtidos nos três anos 
de monitoramento de quelônios aquáticos nos igarapés da área de 
influência do platô Bacaba e lago Sapucuá, Estado do Pará, Brasil. 



Variações Sazonais nas Populações 

A maioria das espécies da herpetofauna possui padrões 
sazonais de ocorrência, sendo que algumas ocorrem em maior 
abundância durante a estação chuvosa, enquanto outras incidem 
preferencialmente na estação seca, havendo uma flutuação 
natural em suas populações. Esta flutuação também é observada 
ao longo dos anos. Os padrões de atividade dos quelônios, em 


168 












geral, estão intimamente associados às condições climáticas, 
sendo que o ritmo de comportamento das espécies é influenciado 
pelo índice de precipitação pluviométrica. Já que as chuvas 
delimitam os períodos sazonais, frequentemente observa-se que 
as espécies exibem diferentes picos de atividade ao longo do ano 
(Souza, 2004) 

Existem poucos estudos sobre a movimentação sazonal 
de quelônios de água doce (Magnusson et ai, 1997; Souza et a/., 
2008). Diversos estudos sugerem um padrão de movimentação 
sazonal dos quelônios podocnemidídeos em direção à floresta 
alagada (igapó) no período da cheia e em direção à calha 
principal dos rios e aos locais mais próximos das praias de 
nidificação no período de descida no nível da água (durante 
vazante e seca; Pritchard & Trebbau, 1984; Fachín-Terán et al, 
2006). Este fato foi observado ao longo dos três anos de 
monitoramento na área de estudo. Durante a estação chuvosa 
(cheia) houve o encontro de 122 indivíduos da Família 
Podocnemididae no Sítio Azul (igarapés, igapós e transição 
igarapés/lago Sapucuá) e apenas 19 indivíduos podocnemidídeos 
durante a seca (Figura 22). Tal fato demonstra que houve nítida 
movimentação sazonal entre as estações do ano. Esta migração 
aparentemente está relacionada à reprodução e desova, visto 
que o alimento não parece ser fator limitante na área de estudo 
(v. Vogt, 2001). Esse comportamento influencia na taxa de 
captura e, consequentemente, na estimativa de tamanho 
populacional em estudos que utilizam a abundância relativa 
(Fachín-Terán & Vogt, 2004). 

Durante todo o monitoramento houve o registro de 
quatro recapturas: dois exemplares de Podocnemis 

erythrocephala, um de P. unifilis e um de P. expansa. As duas P. 
erythrocephala foram recapturadas no Sítio Azul, no ponto 
amostrai P4, durante a estação chuvosa. Contudo, primariamente 
foram capturadas no Sitio Marrom, no ponto amostrai P5, 
durante a estação seca. A partir destas duas recapturas pode-se 
confirmar o que foi dito anteriormente, que os indivíduos de P. 
erythrocephala estão mesmo utilizando o ambiente 
diferentemente. Aparentemente, na estação chuvosa os 
indivíduos de P. erythrocehala são mais frequentemente 
encontrados na foz do igarapé Araticum e do igarapé Saracá 
(Sítio Azul) e na estação seca eles parecem migrar para águas 
mais profundas, como é o caso da Baía (pontos P5 e P6 do Sítio 
Marrom). 


169 



Figura 22 - Abundância verificada nas diferentes estações do ano 
nos pontos amostrais do Sítio Azul durante os três anos de 
monitoramento de quelônios aquáticos nos igarapés da área de 
influência do platô Bacaba e lago Sapucuá, Estado do Pará. 



O tracajá (P. unifilis ) foi recapturado no Sítio Azul, ponto 
amostrai P2, e sua captura foi um ano antes, no ponto amostrai 
P4, no mesmo Sítio. A tartaruga-da-amazônia foi recapturada no 
Sítio Marrom, ponto amostrai P6, exatamente no mesmo lugar de 
sua captura anterior, durante a estação seca do ano anterior. A 
partir dos dados obtidos com essas recapturas, reforça-se a ideia 
de que há nítida separação quanto ao uso do ambiente entre as 
espécies P. erythrocephala, que parece ocupar com mais 
frequência os igarapés e área de transição entre igarapés/lago 
Sapucuá, e P. expansa, que parece ocorrer somente no lago 
Sapucuá. 

O tracajá Podocnemis unifilis foi a única espécie presente 
em todas as seis fases de campo. Houve um pico de coleta na 
estação seca do ano de 2010, onde 123 exemplares foram 
verificados. Foi relatado, portanto, para esta espécie em 
particular, diferenças significativas na abundância entre as duas 
estações do ano (x 2 = 32.466; g. I. = 2; p < 0.0001), com um 
declínio na abundância nos anos subsequentes (Figura 23). 


170 





Ao longo de três anos de monitoramento, não houve 
diferenças significativas na abundância entre as duas estações do 
ano (x 2 = 7. 314; g. I. = 1; p = 0.0068) para Podocnemis 
erythrocephala. 

Figura 23 - Abundância das espécies entre as estações, 
verificadas durante os três anos de monitoramento de quelônios 
aquáticos nos igarapés da área de influência do platô Bacaba e 
lago Sapucuá, Estado do Pará. 


P. unifilis 

P. sextuberculata 

P. expansa 

w P. erythrocephala 

P. dumeriliana 

C. fimbriatus 

R. punctularia 

P. unifilis 

P. expansa 

8 

^ P. erythrocephala 

P. dumeriliana 

M. gibba 

C. fimbriatus 


■ -2012 

■ 2011 

1 -2010 

1 

I 

0 20 40 60 80 100 120 140 

Número de indivíduos verificados ao longo de três anos de monitoramento 


Na estação chuvosa, a maioria dos indivíduos foi 
encontrada no Sítio Azul (n = 124). Esta diferença na abundância 
entre os Sítios na estação chuvosa foi significativa (x 2 = 92.095; 
g. I. = 2; p < 0.0001). Já na estação seca, grande parte dos 
exemplares foi verificada no Sítio Marrom (n = 175). Esta 
diferença na abundância entre os Sítios na estação seca também 
foi significativa (x 2 = 223.60; g. I. = 2; p < 0.0001). Ao se 
comparar as estações seca e chuvosa, tem-se que não houve 
diferenças significativas na abundância dos indivíduos pelos Sítios 
amostrais entre as duas estações ao longo dos três anos de 
monitoramento (x 2 = 1.673; g. I. = 1; p < 0.1958). 

Os pontos P4, P2 e P3 foram os mais abundantes durante 
a estação chuvosa, ao passo que o P7, P6 e P5 foram os mais 
abundantes durante a estação seca. Já os menos abundantes da 
estação chuvosa e seca foram, respectivamente, os pontos Pl, 
P7 e P10 e P2, P10 e Pl (Figura 24). 


171 






Figura 24 - Abundância verificada entre as estações do ano nos 
sítios e pontos amostrais durante os três anos de monitoramento 
de quelônios aquáticos nos igarapés da área de influência do 
platô Bacaba e lago Sapucuá, Estado do Pará. 



Número de indivíduos verificados ao longo de três anos de monitoramento 


Ao se comparar as estações seca e chuvosa quanto à 
razão sexual, tem-se que não houve diferenças significativas na 
abundância dos machos ao longo dos três anos de 
monitoramento (x 2 = 20.596; g. I. = 1; p < 0.0001). Porém, as 
fêmeas foram mais abundantes durante a estação seca e esta 
diferença foi significativa (x 2 = 6.528; g. I. = 1; p = 0.0106, 
Figura 25). 

Em relação aos diferentes anos de monitoramento, 
verificou-se que o primeiro (2010) apresentou a maior 
abundância, contemplando 185 indivíduos de seis espécies. No 
ano de 2011 houve o registro de 89 indivíduos e o acréscimo de 
duas novas espécies: Podocnemis sextubercutata e Mesoctemmys 
gibba. Já no ano de 2012 obteve-se o registro de 81 indivíduos, 
porém sem incremento de novas espécies ao monitoramento, 
totalizando, portanto, as oito espécies registradas. Os valores de 
abundância não incluem os registros do projeto Pé-de-Pincha. 


172 











Figura 25 - Abundância de machos e fêmeas verificada entre as 
estações durante os três anos de monitoramento de quelônios 
aquáticos nos igarapés da área de influência do platô Bacaba e 
lago Sapucuá, Estado do Pará. 



As variações na abundância das espécies observadas ao 
longo dos três anos de monitoramento (Figura 26) podem ser em 
função de uma gama de fatores. O declínio significativo no 
número de indivíduos amostrados em 2011 e 2012 pode ser 
simplesmente devido a flutuações (variações) naturais na 
abundância das espécies (por predação ou parasitismo), falha 
amostrai, caça excessiva, variações no habitat (redução ou 
aumento das áreas de reprodução ou flutuação na abundância de 
frutos e sementes em função de variações na pluviosidade - ver, 
por exemplo, Capítulo 7 referente a crocodilianos). Não foi 
possível se fazer inferências quanto à razão ou razões do declínio 
observado no presente estudo, porém possivelmente não se deva 
a impactos derivados do empreendimento, uma vez que o sítio 
com maior proximidade do platô Bacaba (Sítio Azul) apresentou 
riqueza igual ou até mesmo superior no último ano de 
monitoramento em relação aos dois primeiros (ver Figura 15). 


173 







Figura 26 - Riqueza e abundância das espécies verificadas 
durante os três anos de monitoramento de quelônios aquáticos 
nos igarapés da área de influência do platô Bacaba e lago 
Sapucuá, Estado do Pará. 



Condições Registradas de Ameaça às Espécies 

As maiores causas de declínio em várias populações de 
quelônios de água doce são a sobre-exploração, seguida da 
perda de ambientes (Moll & Moll, 2004). Conhecer a história de 
vida desses animais é essencial para estabelecer estratégias de 
manejo e conservação das espécies. Estudos sobre história 
natural dos quelônios aquáticos brasileiros ainda são muito 
rudimentares e, além disso, a maioria é centrada em poucas 
espécies (Souza, 2004). 


174 



Atualmente, a maioria dos estudos e dos programas de 
conservação de quelônios é voltada para as espécies da família 
Podocnemididae (historicamente as mais exploradas), 
principalmente Podocnemis expansa (tartaruga-da-amazônia) e 
P. unifilis (tracajá) que têm ampla distribuição pela bacia 
amazônica (Fachín-Terán & Vogt, 2004; Fachín-Terán, 2005; 
Batistella & Vogt, 2008). Cerca de 160 espécies de quelônios de 
água doce (cerca de 60% do total) estão ameaçadas em algum 
nível (IUCN, 2017). A tartaruga-da-amazônia (P. expansa ) não é 
exceção, sendo extremamente dependente de conservação 
(Bour, 2008) por sofrer forte pressão antrópica em toda a sua 
área de ocorrência, uma vez que sua carne e ovos são apreciados 
por moradores tradicionais. O consumo da carne e ovos de 
quelônios pelo homem é uma prática comum na Amazônia 
brasileira e uma das principais ameaças às suas populações 
(Vogt, 2001). As outras espécies brasileiras da família 
Podocnemididae aparecem no Livro Vermelho da Fauna Brasileira 
Ameaçada de Extinção de 2008 na categoria Vulnerável (Martins 
& Molina, 2008). 

Por serem muito sensíveis às modificações do ambiente, 
os quelônios estão entre os primeiros vertebrados a 
desaparecerem quando um habitat é destruído. Nos rios, as 
principais perturbações que o ambiente pode sofrer são a perda 
das florestas e suas consequências: como a falta de 
sombreamento e de nutrientes, além da erosão da margem, 
assoreamento (que modifica radicalmente as margens dos rios e, 
por conseguinte, os sítios de nidificação) e poluição ou alteração 
da qualidade da água por diferentes componentes, como lixo, 
escoamento de produtos agrotóxicos e minerários (Rodrigues, 
2005). Outra ameaça é a crescente coleta para alimentação, 
propósitos médicos/religiosos e para o mercado de animais de 
estimação (pet). 

A interferência humana, principalmente a alteração do 
habitat e a poluição das águas, tem sido a principal causa de 
declínio das populações de quelônios aquáticos (Leary et ai, 
2008; Rhodin et al., 2008). Portanto, como houve alterações 
significativas nas porções florestadas do Platô Bacaba e dada a 
proximidade das cabeceiras dos igarapés Araticum e Saracá com 
esse Platô, era de se esperar que houvesse certo impacto sobre 
as populações de quelônios que ocupam esses nichos 
preferenciais (Sítio Azul). Entretanto, no período considerado não 
foram evidenciadas tais interferências, sendo que o sítio 


175 



apresentou riqueza e abundância elevadas ao final do terceiro 
ano de estudos. Com relação aos Sítios Marrom e Vermelho, há 
uma série de impactos sobre a fauna de quelônios (e.g. caça, 
pesca e predação de ovos), no entanto, nenhum relacionado ao 
empreendimento no platô Bacaba. 

Os locais apontados como os de maior pressão à fauna de 
quelônios aquáticos são decorrentes da população local e foram 
os pontos P9 e PIO do Sítio Vermelho. Durante a segunda e 
quarta campanhas, foram verificadas diversas pressões à fauna 
de quelônios da área de estudo, como por exemplo, a predação 
de ninhos na maioria das praias dos pontos P5, P6, P9 e PIO e de 
fêmeas ovadas de P. expansa e P. unifilis; também se observou a 
pesca de "boinha" no P6 (igarapé Marajá). A captura extrativista 
é considerada uma das principais causas de declínio das espécies 
de quelônios e responsável por levá-las à extinção (Pritchard, 
1967, Pritchard &Trebbau, 1984; Alho et al, 1979). 

Apesar de não terem sido evidenciados impactos 
decorrentes da mineração no platô Bacaba, no processo de 
gestão da FLONA especial atenção deve ser dada às espécies que 
utilizam as cabeceiras dos igarapés Saracá, Patauá e Araticum 
(e.g. Rhinoclemmys punctularia, Chelus fimbriatus, Mesoctemmys 
gibba, Pettocephatus dumerilianus e Podocnemis erythrocephata), 
pois estão mais vulneráveis aos impactos ambientais advindos da 
mineração na Unidade de Coservação. A manutenção dos 
sistemas florestais próximos aos igarapés e da qualidade das 
águas consistem nos principais fatores capazes de garantir a 
proteção local dessas espécies. Outros locais de bastante 
interesse para conservação também são os pontos P5 e P6, 
localizados no Sítio Marrom. Neste ponto foi observada grande 
densidade de P. unifilis e P. erythrocephata. Nesses pontos, a 
sensibilização das comunidades regionais quanto a problemas de 
saneamento e caça passam a ser as estratégias mais adequadas 
de conservação. 

Conclusões 

A movimentação, a atividade e o uso do ambiente podem 
variar de forma sexual e sazonal, além de influenciar e serem 
influenciados pela biologia das espécies, relações térmicas e 
hídricas com o ambiente, tamanho do corpo e condição 
reprodutiva, produtividade do ambiente, comportamento de 
migração e hibernação e ecologia alimentar. Portanto, em função 
de tantas variáveis é extremamente difícil inferir sobre a 


176 



utilização do ambiente por animais tão esquivos quanto os 
quelônios. No entanto, a partir dos dados obtidos neste estudo, 
verifica-se que há diferenças entre as proporções das espécies e 
a disponibilidade dos ambientes, indicando seletividade pelos 
distintos nichos. 

As espécies Pettocephatus dumeriiianus, Rhinoclemmys 
puctularia, Mesoctemmys gibba e Chetus fimbriatus parecem ter 
nichos preferenciais e ocupar somente os igarapés e igapós mais 
fechados, tanto na estação seca como na chuvosa. Já 
Podocnemis erythrocephala parece ocupar igarapés na estação 
chuvosa e áreas do Lago Sapucuá (Baia: Sítio Marrom) durante a 
seca. Aparentemente, Podocnemis unifiiis é a espécie menos 
especializada na utilização dos ambientes disponíveis na área de 
estudo, distribuindo-se por todos os Sítios. Podocnemis expansa 
e Podocnemis sextubercuiata parecem ocorrer em toda a 
extensão central do Lago Sapucuá e com nenhuma frequência 
dentro dos igarapés. 

Outros aspectos verificados ao longo destes três anos de 
monitoramento foram o aumento na riqueza e o declínio na 
abundância em 2011 e 2012. O primeiro é esperado e quase 
certo em estudos desta natureza. Já para o segundo é 
extremamente difícil inferir as possíveis causas, porém podem 
ser relacionadas a variações da dinâmica das águas locais. 

Conforme apontado nesse estudo, os indivíduos da 
espécie P. erythrocephala tiveram uma abundância equivalente 
ao longo dos anos do monitoramento. Os prováveis motivos para 
o seu aparente não declínio seriam pelo fato de não depositarem 
os ovos comunalmente em praias abertas em grandes 
agregações ao mesmo tempo; não desovarem em habitats 
diversos (somente desovam em campinas ou campinaranas); de 
desovarem dentro da floresta e distante da água. 

Todas as espécies verificadas apresentam ampla 
distribuição na Amazônia e eram esperadas para o local de 
estudo nas densidades e no uso de hábitats aqui verificados. A 
única variação observada consistiu na elevada abundância de 
indivíduos capturados da irapuca (P. erythrocephala). A alta 
densidade verificada no presente estudo é inédita e de extrema 
importância, visto que ela é pouco conhecida, considerada uma 
espécie vulnerável pela IUCN (2017) e está incluída no apêndice 
II da CITES. 


177 



Diante dos resultados obtidos com esse estudo, enfatiza- 
se a necessidade de conservação dos igarapés e igapós mais 
fechados do Sítio Azul, ambientes de importância crítica para os 
quelônios aquáticos na área de estudo. Os igapós fechados ficam 
mais próximos das cabeceiras dos igarapés Saracá e Araticum e 
são os ambientes onde há maior probabilidade de encontrar as 
maiores densidades de Rhinoclemmys punctularia, Chetus 
fimbriatus, Mesoctemmys gibba, Pettocephatus dumerilianus e 
outras espécies ainda não registradas porém esperadas, como 
Ptatemys platycephala, Kinosternon scorpioides, Mesoctemmys 
raniceps e Rhinemys rufipes, já que estas espécies demonstram 
estreita seletividade por este ambiente. 

Em conclusão, o monitoramento ambiental, conforme 
realizado, consistiu em um instrumento eficaz de avaliação dos 
fatores que influenciam no estado de conservação, preservação e 
recuperação dos quelônios da região de estudo. Durante os três 
anos do monitoramento, foram identificados e avaliados diversos 
tipos de pressões sobre a fauna de quelônios aquáticos da área 
de influência direta (Sítio Azul), sendo eles: caça, pesca e coleta 
de ovos, acúmulo de lixo e aumento no fluxo de pessoas e a 
presença de gado nas áreas de campinaranas (vitais para a 
postura de P. erythrocephala). Essas intervenções requerem 
ações de manejo e conservação. Entretanto, nenhuma dessas 
intervenções detém relação direta com o processo de mineração, 
sendo antes decorrentes da ocupação antrópica regional. 

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185 




Capítulo 7 


Distribuição, Abundância e Conservação de 
Crocodilianos do Lago Sapucuá, Amazônia 
Central, Estado do Pará, Brasil 


Sérgio Augusto Abrahão Morato 
Victor Botelho Graça Veras Batista 
Adriano Augusto Vilhena Martins 
Anderson Paz da Silva 
Lilian Freitas Bastos 
Davidson Clayton Azevedo Sodré 
Marcela Mainardes Tempo 
Daniel Sebastião Angelo Junior 


Resumo 

A Amazônia central conta com o registro de quatro espécies de 
crocodilianos ( Caiman crocodilus, Melanosuchus niger, Paleosuchus 
palpebrosus e P. trigonatus). Um estudo sobre a comunidade de 
crocodilianos do Lago Sapucuá, na porção ao sul da FLONA de Saracá- 
Taquera, foi conduzido mediante seis campanhas entre os anos de 2010 
a 2012. Foram verificadas diferenças na abundância e na utilização dos 
hábitats das espécies. C. crocodilus, a mais abundante, apresentou a 
maior diversificação na ocupação de ambientes, bem como variações 
sazonais na abundância em diferentes classes etárias. Pressões sobre as 
espécies são consideradas incipientes e de pequena magnitude, não 
chegando a gerar riscos sobre sua conservação. 

Abstract 

The Central Amazónia comprises the occurrence of four crocodilian 
species ( Caiman crocodilus, Melanosuchus niger, Paleosuchus 
palpebrosus e P. trigonatus). A study on the crocodilian community in the 
Sapucuá Lake, in the Southern region of Saracá-Taquera National Forest 
Reserve, was conducted by six field phases over 2010 to 2012, and 
revealed differences in abundance and use of habitat of the species. C. 
crocodilus, the most abundant species, showed the greatest 
diversification in the occupation of different habitats, as well as variations 
in the abundance of different age classes. Pressures on species are 
considered incipient and with small magnitude, not reaching risks to its 
conservation. 


187 



Introdução 

Os crocodilianos são grandes répteis adaptados à vida 
aquática que se distribuem pelas regiões tropicais e subtropicais 
do planeta (Brochu, 2003; Martin, 2008). Das 24 espécies 
viventes da ordem Crocodylia, doze são encontradas na região 
Neotropical (Martin, 2008) e, destas, seis representantes da 
família Alligatoridae são encontradas no Brasil (Medem, 1983; 
Thorbjarnarson, 1992). 

Um dos crocodilianos mais estudados em todo o mundo, 
o jacaretinga ( Caiman crocodiius), possui ampla distribuição 
geográfica e é considerado de médio porte, com poucos 
indivíduos alcançando mais de 2,5 metros (Ross, 1998; Da 
Silveira & Thorbjarnarson, 1999; Da Silveira, 2008). Águas 
abertas, quentes e sombreadas, assim como lamaçais com 
vegetação rasteira, são descritos como habitat típico da espécie 
(Magnusson, 1985). Já o jacaré-açu ( Melanosuchus niger ) é um 
crocodiliano comumente encontrado nas florestas de várzea da 
região Amazônica (Herron, 1994). A espécie, apontada como o 
maior Alligatoridae existente (Vasconcelos et al., 2008), pode 
ultrapassar 4m de comprimento total (Ross, 1998), e sua pele já 
teve alto valor comercial. A caça predatória, que visava os 
maiores indivíduos, levou o M. niger a apresentar baixas 
densidades na Amazônia Central durante a década de 1970 (Da 
Silveira & Thorbjarnarson, 1999). 

As duas espécies de jacarés acima citadas são 
simpátricas em grande parte da bacia amazônica (Marioni et ai., 
2008) e, apesar de haver segregação no uso de habitat, o 
jacaretinga costuma ocupar nichos vazios em regiões de caça do 
jacaré-açu (Magnusson, 1985; Rebelo & Lugli, 2001). 

Na família Alligatoridae, o outro gênero com 
representação na região Amazônica, Paleosuchus, é composto 
por duas das três espécies de crocodilianos menos estudadas do 
mundo (Magnusson, 1985). Além do pequeno porte, os jacarés 
do gênero Paleosuchus possuem rostro encurtado em relação ao 
comprimento cranial, assim como pálpebras e osteodermos 
fortemente ossificados e curtas caudas (Medem, 1983; 
Magnusson, 1992). O jacaré-coroa (P. trigonatus ) possui 
distribuição geográfica restrita à região amazônica (Medem, 
1967, 1971; Rebelo & Lugli, 2001) e pode alcançar até 2,3 
metros de comprimento total (Medem, 1983), sendo encontrado 
em corpos d'água de pequeno porte, com florestas ripárias 


188 



fechadas (Ross, 1998), além de possuir hábitos terrestres 
(Magnusson & Uma, 1991; Morato et at., 2011). Já o jacaré- 
paguá (Paleosuchus patpebrosus), um dos menores crocodilianos 
do mundo, pode alcançar 2,1 metros (Campos et at., 2010). Essa 
espécie apresenta ampla distribuição geográfica na América do 
Sul e costuma ser encontrada desde ambientes de alta vazão e 
florestas ripárias em pequenas drenagens até florestas alagadas 
e poças em pastagens (Medem, 1967, 1971; Magnusson et at., 
1985; Rebelo & Lugli, 2001; Botero-Arias, 2007). 

Este estudo teve como objetivo avaliar a comunidade de 
crocodilianos do lago Sapucuá e sua bacia de contribuição, na 
região localizada ao sul da Floresta Nacional de Saracá-Taquera. 
Tais informações buscaram avaliar a ocorrência de impactos 
ambientais decorrentes de atividades de mineração na FLONA 
que pudessem afetar as populações locais de crocodilianos, de 
forma a subsidiar a adoção de medidas de controle e 
minimização. 

Material e Métodos 

O estudo com crocodilianos foi realizado na região do 
lago Sapucuá, localizado ao sul da FLONA de Saracá-Taquera, 
abrangendo ainda os igarapés Araticum e Saracá, os quais 
drenam para o lago a partir da Unidade de Conservação (Figura 
1). Nessa região verificou-se a presença dos seguintes ambientes 
aquáticos: cabeceiras (baías formadas pelo encontro dos 
afluentes com o lago Sapucuá), corpos d'água de pequeno porte 
e alta vazão com no máximo 10 metros de largura, margeados 
por florestas ripárias (igarapés), e águas abertas do lago 
Sapucuá, margeadas ora por florestas aluviais, ora por sistemas 
arbustivos denominados pela população local como "chavascais". 
Os ambientes terrestres e de transição locais são compostos por 
florestas sazonalmente inundáveis (igapós), florestas de terra 
firme e áreas alteradas por pastagens e ocupação humana (vilas) 
às margens do lago. 

O estudo foi conduzido entre os anos de 2010 e 2012, 
perfazendo duas campanhas de campo por ano, sendo três 
desenvolvidas em períodos chuvosos (entre 25 de maio e 6 de 
junho de 2010, entre 11 e 20 de maio de 2011 e entre 30 de 
maio de 8 de junho de 2012) e três durante períodos de 
estiagem (entre 28 de setembro a 07 de outubro de 2010, entre 
22 de setembro e 01 de outubro de 2011 e 26 de agosto e 03 de 
setembro de 2012). O principal método adotado para a avaliação 


189 



das populações de crocodilianos consistiu na realização de 
contagens noturnas mediante a iluminação dos olhos dos animais 
(0'Brien, 1990; Cherkiss, 2006). Além disso, eventuais 
visualizações diurnas e capturas também foram desenvolvidas. 

Para a realização das contagens, foram utilizadas 
embarcações condizentes com os tipos de ambientes presentes 
na área de estudo. Em águas abertas, utilizou-se barco de 
alumínio de 5m com motor de popa de 15HP. Já em contagens 
nos igarapés se utilizou canoas de madeira com motores de 6HP, 
devido às restrições de acesso aos cursos d'água de pequeno 
porte da região. Durante as contagens, um observador se 
estabeleceu na proa da embarcação iluminando as margens e à 
frente, fazendo angulação de 180°, a fim de iluminar e contar o 
maior número de jacarés nas proximidades da embarcação, 
enquanto outro registrou os dados obtidos em planilhas 
específicas. 

Os indivíduos avistados foram identificados, quando 
possível, em nível específico. A identificação se deu a partir de 
características morfológicas de acordo com CITES (1995). Todos 
os pontos de visualização de jacarés (coordenadas x,y) foram 
registrados mediante o uso de GPS de navegação GARMIN CS 
60x. Posteriormente fez-se a sobreposição dessas informações 
com base de dados espaciais da região. 

Com vistas a se avaliar a estrutura das populações de 
crocodilianos, efetuou-se a estimativa do comprimento total dos 
animais avistados e/ou a tomada de dados biométricos dos 
capturados. A estimativa de tamanho foi realizada tendo-se por 
base o comprimento também estimado da cabeça. As categorias 
gerais entre tamanhos e classes etárias basearam-se no estudo 
de Rebelo (1982), conforme apresentado na Tabela 1. 

Parte dos espécimes avistados foi capturada com auxílio 
de laços e cambão. Os jacarés capturados foram imobilizados 
com fitas isolantes nas bocas, cordas e vendas nos olhos antes 
de serem submetidos a avaliações biométricas (Figura 2 a ). A 
biometria consistiu na tomadas das seguintes medidas: 
comprimento total, comprimento rostro-cloacal (Figura 2B), 
comprimento da cabeça (Figura 2C) e peso (Figura 2D). Cada 
indivíduo teve ainda o sexo determinado através do método de 
inspeção da cloaca (Da Silveira, 2003) (Figura 2E). 


190 



Figura 1 - Área de estudo com crocodilianos na região do lago 
Sapucuá, localizado ao sul da FLONA de Saracá-Taquera, Estado 
do Pará, Brasil. 



Jacarés capturados foram marcados e numerados a partir 
da remoção das escamas caudais (realizada nos dois primeiros 
anos de estudo) (Jennings et ai., 1991) e mediante o uso de 
anilhas numeradas (realizada a partir do terceiro ano de estudos 
- Figura 2F). A soltura de jacarés capturados foi feita no dia 
seguinte ao da tomada dos dados biométricos. 

Para fins de descrição das populações quanto às classes 
de tamanho e proporção entre machos e fêmeas, as análises 
foram conduzidas apenas com Caiman crocodilus, haja vista a 
baixa amostragem de indivíduos para as demais espécies (e.g., 
Da Silveira et a!., 1997). 


191 
















Tabela 1 - Classes etárias de crocodilianos segundo estimativas 
de comprimento. _ 


CLASSES ESTÁRIAS 

COMPRIMENTO 
TOTAL (M) 

COMPRIMENTO 
ESTIMADO DA 
CABEÇA (CM) 

Filhote (Classe 1) 
Jovem (Classe 2) 

Sub adulto (Classe 3) 
Adulto (Classe 4) 

Até 0,3m 

De 0,3m até l,0m 

De l,0m até l,5m 
Acima de l,5m 

Até 6cm 

De 6cm a 13cm 

De 13cm a 20cm 
Acima de 20 cm 



Figura 2 - Procedimentos adotados para estudos com 


Legenda: A) Captura com cambão e imobilização de indivíduo de Caiman crocodilus ; B) Coleta de 
dados biométricos (comprimento rostro-anal) em Caiman crocodilus ; C) Coleta de dados 
biométricos (comprimento da cabeça) em Melanosuchus niger, D) Pesagem de indivíduo de 
Caiman crocodilus ; E) Determinação do sexo de Melanosuchus niger através de inspeção da 
cloaca, evidenciando indivíduo macho pela exposição do pênis; F) Marcação de Caiman crocodilus 
mediante o uso de anilha metálica numerada (Fotos: A: AAV Martins; C-E: M Tempo; F: SAA 
Morato). 


192 







O impacto da presença humana foi avaliado mediante as 
diferenças na proporção de jacarés não identificados ("olhos") em 
relação ao número total de jacarés avistados. Muitas vezes, os 
animais exibem comportamento de fuga com a aproximação do 
pesquisador. Estes constituem o maior número de "olhos" 
registrados. Porém, outros registros considerados como "olhos" 
representam animais avistados pelo brilho dos olhos, mas aos 
quais não é possível a aproximação pelo fato destes se 
localizarem sob vegetação. Assim, nestas análises seguiu-se a 
sugestão metodológica de Ron et al. (1998), que declarou de um 
aumento na proporção de olhos refletidos em relação aos 
números de jacarés que permitem aproximação para 
identificação pode refletir em um aumento em wariness, 
representando uma resposta comportamental a distúrbios 
antrópicos (Webb & Messel, 1979). 

Resultados e Discussão 

Pelo estudo desenvolvido, foram obtidos registros das 
quatro espécies de jacarés ocorrentes na região da Amazônia 
central: Caiman crocodilus (jacaretinga; Figura 3A), 
Metanosuchus niger (jacaré-açu; Figura 3B), Paleosuchus 
palpebrosus (jacaré-paguá ou jacaré-pedra; Figura 3C) e 
Paleosuchus trigonatus (jacaré-coroa ou jacaré-pedra; Figura 
3D). 

Distribuição e Hábitats 

A distribuição das quatro espécies apresentou-se variável 
segundo os diferentes ambientes presentes na área de estudo. 
As duas espécies de Paleosuchus foram registradas 
exclusivamente nos igarapés Saracá e Araticum e nos igarapés 
da porção a montante das baías circundantes ao lago, sempre 
em sistemas de correnteza moderada a forte em áreas 
margeadas por florestas densas e/ou formando igapós estreitos. 
Já Caiman crocodilus apresentou a distribuição mais ampla 
dentre todas as espécies, ocorrendo em todos os ambientes, 
porém habitando, nos igarapés, apenas áreas de baixa 
correnteza nas proximidades de sua foz. Esta espécie ocorreu 
desde em ambientes abertos (praias e capinzais) até o interior 
dos igapós e chavascais inundados. Por fim, Metanosuchus niger 
foi encontrado apenas no corpo central do lago Sapucuá ou em 
igarapés mais largos ao sul deste, habitando exclusivamente 
ambientes lênticos de grande extensão (lagoas e cabeceiras) 


193 



margeados por capinzais e/ou por vegetação arbustiva inundada 
(chavascais), por vezes em conjunto com C. crocoditus. 

Os tipos de ambientes acima relacionados com as 
espécies correspondem ao padrão conhecido para os 
crocodilianos da região Amazônica (e.g., Da Silveira et a/., 1997; 
Rebelo & Lugli, 2001). As localidades de registro das espécies 
são apresentadas no mapa da Figura 4. 


Figura 3 - Espécies de jacarés registrados no lago Sapucuá, 
Estado do Pará, Brasil. 



Legenda: A) Caiman crocoditus ; B) Melanosuchus niger, c) Paleosuchus palpebrosus; D) 
Paleosuchus trigonatus (Fotos: SAA Morato). 


Densidade e Variações Entre os Anos de Amostragem 

Ao se considerar as seis campanhas de campo realizadas, 
foram ao todo obtidos 1920 registros das quatro espécies de 
jacarés para a região estudada. Caiman crocoditus foi a espécie 
mais frequente em todos os anos e períodos, apresentando 988 
registros (ou 51,46% do total). A espécie foi seguida por 
Paleosuchus palpebrosus (com 37 registros - 1,93%), 
Melanosuchus niger (22 registros - 1,14%) e, por fim, 

Paleosuchus trigonatus (21 registros - 1,09%). Porém, os 
valores entre essas três espécies alternaram-se entre os 
diferentes anos e períodos. Em 2010, P. palpebrosus mostrou-se 


194 


como a segunda espécie mais abundante, seguida por P. 
trigonatus e, por fim, por M. niger em ambas as fases. Já em 
2011, M. niger se mostrou como a espécie mais frequente em 
ambas as fases, sendo seguida por P. paipebrosus na estação 
chuvosa e por P. trigonatus na seca. Entretanto, o número de 
registros dessas duas espécies nesta última estação foi bastante 
próximo. Em 2012, por fim, M. niger e P. trigonatus foram 
igualmente frequentes na estação chuvosa, enquanto na estação 
seca o predomínio deu-se para P. paipebrosus, sendo seguida por 
M. niger; P. trigonatus não contou com registros nesta 
campanha. 



Figura 4 - Pontos de registro de crocodilianos na área de estudo. 


—T- 


• r* 


Q>Qq 


Legenda: 

Pontos de Monitoramento de Crocodilianos 
Espécie 

• Caiman crocodilus 

• Melanosuchus niger 
O Olhos 

o Paleosuchus paipebrosus 

• Paleosuchus trigonatus 


_ 


195 


















A baixa frequência de registros de jacarés do gênero 
Paleosuchus é uma condição esperada, haja vista os modos de 
vida crípticos desses animais (Magnusson, 1985). Além disso, as 
espécies desse gênero detêm, na região de estudo, estratégias 
de deslocamento por áreas florestais para ocupação de 
ambientes periodicamente alagados que se estabelecem sobre 
em áreas mais elevadas (platôs) (Morato et at., 2011), condição 
esta que pode impor uma redução ainda maior nas taxas de 
encontros de indivíduos nas calhas dos rios, especialmente em 
períodos chuvosos. Já os baixos índices de registros de M. niger 
sugerem certa pressão sobre a população local dessa espécie, a 
qual é exclusivamente associada a ambientes aquáticos 
permanentes e sabidamente abatida em várias regiões da 
Amazônia {e.g., Da Silveira & Thorbjarnarson, 1999). Entretanto, 
informações presentes nos estudos de Da Silveira et at. (1997) e 
Rebelo & Lugli (2001) indicam que a espécie apresenta baixas 
densidades nos afluentes do lado esquerdo do rio Amazonas e, 
portanto, os valores ora obtidos podem ser devidos a condições 
naturais. 

No que diz respeito a indivíduos não identificados 
("olhos"), os mesmos somaram 849 visualizações (ou os 
restantes 44,22%; wariness = 0,44) para o total de seis 
campanhas realizadas. Entretanto, a maioria absoluta desses 
registros deu-se na estação seca de 2011 (619 visualizações ou 
72,91% do total; wariness = 0,7). Os motivos para a divergência 
de resultados desta campanha em particular não são 
devidamente entendidos, porém podem deter relação direta com 
a elevada pluviosidade verificada no início do segundo trimestre 
daquele ano, a qual gerou uma mudança na dinâmica das cheias 
e secas típica da região. De fato, por ocasião da campanha de 
seca de 2011 observou-se ainda a formação de extensas áreas 
de igapós, nos quais os jacarés se mantiveram abrigados, 
dificultando sua identificação específica à distância (uma vez que 
a entrada de embarcações nos igapós é bastante difícil). Em 
acréscimo, também não se descarta a possibilidade da seca 
pronunciada do ano anterior (2010) ter induzido os animais a um 
aumento das taxas de recrutamento em 2011 (haja vista a 
intensificação da atividade reprodutiva que pode ocorrer durante 
agregações de jacarés em pequenas áreas, segundo Campos, 
1993). Apesar dos dados do segundo ano de estudo (2011) 
sugerirem uma baixa taxa de indivíduos juvenis naquele período, 
o número elevado de visualizações de animais não identificados 
pode ser decorrente de uma alta concentração de filhotes 


196 



abrigados no interior de igapós, especialmente de Caiman 
crocoditus. 

Para as demais campanhas, os valores de wariness foram 
proporcionalmente bastante reduzidos, variando entre 0,17 
(campanha de seca de 2012) a 0,36 (chuvosa de 2011), portanto 
dentro da normalidade para os padrões amazônicos (e.g., 
Pacheco, 1996; Ron et a/., 1998), indicando pequena pressão 
antrópica sobre as espécies da região. 

Na Tabela 2 e na Figura 5 apresentam-se os números de 
jacarés avistados (JA) e/ou capturados (JC) por espécie para 
cada uma das campanhas de campo realizadas, bem como o 
índice de Captura (IC) para todos os períodos de amostragem. 

A Figura 6 apresenta os dados pluviométricos relativos à 
região de estudo para os anos de 2010 e 2012. Como se pode 
verificar, os primeiros meses do ano de 2010 são marcados por 
uma pluviosidade inferior à média regional (salvo o mês de 
abril), fator este que gerou uma baixa pronunciada das águas na 
região do lago Sapucuá no período de seca daquele ano (obs. 
pess.). Por sua vez, no ano de 2011 observou-se uma 
pluviosidade elevada nos meses de janeiro a abril e julho, a qual 
manteve a formação dos igapós anteriormente citados em 
períodos não condizentes com sua ocorrência natural. No ano de 
2012, os dados relativos às taxas de encontro de jacarés se 
aproximam novamente do verificado para 2010, denotando uma 
tendência à redução nas populações. Entretanto, como será 
apresentado, em 2012 a taxa de encontros de juvenis de Caiman 
crocoditus (Classe 2, ou animais com aproximadamente 1 ano de 
idade) tendeu a ser o dobro de 2010, corroborando a hipótese de 
um recrutamento elevado em 2011. 

Conforme se observa na Tabela 2 e no gráfico da Figura 
5, variações nas taxas de encontro das espécies ocorreram entre 
os anos de amostragem e entre as fases. No geral, entretanto, 
houve uma tendência de um maior número de registros na época 
de estiagem em todos os anos. Esta é uma condição normal em 
estudos com crocodilianos amazônicos, uma vez que as espécies 
estão sujeitas a variações nas taxas de encontros em função dos 
regimes de inundação e seca (Ron et ai., 1998; Da Silveira et ai., 
1997, 2008; Rebelo & Lugli, 2001). 


197 



Tabela 2 - Indivíduos de crocodilianos amostrados o período de 
chuva e seca ao longo de seis fases de campo realizadas. 



ESTAÇÃO CHUVOSA 
2010 

ESTAÇÃO SECA 

2010 


JA 

JC 

IC 

JA 

JC 

IC 

C. crocodilus 

69 

11 

0.16 

233 

46 

0.20 

M. niger 

2 

0 

0 

2 

0 

0.00 

P. palpebrosus 

10 

10 

1 

16 

9 

0.56 

P. trigonatus 

4 

3 

0.75 

9 

8 

0.89 

Olhos 

31 

- 

- 

71 

- 

- 

Total 

116 

24 

0.21 

331 

63 

0.24 


ESTAÇÃO CHUVOSA 
2011 

ESTAÇÃO SECA 

2011 


JA 

JC 

IC 

JA 

JC 

IC 

C. crocodilus 

55 

9 

0.16 

235 

17 

0.07 

M. niger 

2 

0 

0 

11 

1 

0.09 

P. palpebrosus 

1 

0 

0 

5 

1 

0.20 

P. trigonatus 

0 

0 

0 

7 

2 

0.28 

Olhos 

34 

- 

- 

619 

- 

- 

Total 

92 

9 

0,09 

878 

21 

0,02 


ESTAÇÃO CHUVOSA 
2012 

ESTAÇÃO SECA 

2012 


JA 

JC 

IC 

JA 

JC 

IC 

C. crocodilus 

163 

36 

0.22 

233 

37 

0.16 

M. niger 

3 

0 

0 

2 

1 

0.50 

P. palpebrosus 

1 

0 

0 

4 

3 

0.75 

P. trigonatus 

3 

1 

0.33 

0 

0 

0 

Olhos 

44 

- 

- 

50 

- 

- 

Total 

214 

37 

0.17 

289 

41 

0.14 


Legenda: JA: Número de indivíduos avistados; JC: Número de indivíduos capturados; IC: índice 
de Captura por espécie. 


198 




Figura 5 - Indivíduos de jacarés visualizados nos períodos de 
chuva e seca ao longo de seis fases de campo realizadas na área 
de estudo. 



Ao se considerar o número de indivíduos capturados, 
houve variação também entre as seis campanhas (Figura 7). Ao 
todo, 157 jacarés das quatro espécies foram capturados ao longo 
do estudo (ver Tabela 3.09). Acompanhando a tendência do 
número de visualizações, as maiores taxas de capturas 
ocorreram também nas fases de seca, quando as condições de 
baixa das águas favoreceram a atividade. A maior taxa de 
capturas no período de estiagem de 2010 (três vezes maior do 
que no mesmo período do ano subsequente e 1,5 vezes superior 
a 2012) pode ser devida à intensa seca observada naquele ano, a 
qual gerou alta concentração de indivíduos em áreas rasas e 
pequenas. Por outro lado, a presença de igapós durante o 
período seco no ano de 2011 pode ser o fator responsável pela 
baixa taxa de capturas no mesmo (praticamente metade do ano 
de 2012). Desta forma, em conformidade com o apresentado por 
Da Silveira etat. (2008), observa-se uma relação inversa entre o 
nível das águas e as taxas de captura de jacarés na região de 
estudo. 


199 









Figura 6 - Dados pluviométricos da região de Porto Trombetas 
entre os anos de 2010 e 2012. 



200 






















Figura 7 - Números de jacarés capturados (dados totais e por 
espécie) por campanha de campo na área de estudo. 


70 



Legenda: Pt: Paleosuchus trigonatus; Pp: Paleosuchus palpebrosus; Mn: Melanosuchus niger; Cc: 
Cai ma n crocodilus. 


Variações Populacionais 

As análises quanto à estrutura e variação sazonal 
populacional foram conduzidas somente com Caiman crocodilus, 
haja vista a baixa taxa de encontros obtida com as demais 
espécies ( e.g., Da Silveira et ai., 1997). 

No que diz respeito à estrutura sexual da população da 
espécie, observou-se, para todos os períodos e independente das 
classes etárias, uma predominância de machos em relação a 
fêmeas e/ou a indivíduos não determinados (Figura 6). Na maior 
parte das campanhas os machos atingiram ou superaram o dobro 
do número de fêmeas. Entretanto, tal condição mostra-se como 
natural para populações desta espécie, não podendo ser 
relacionada com impactos de natureza antropogênica (e.g., 
Escobedo-Galván & González-Maya, 2006; Escobedo-Galván, 
2008). 

Em relação às classes de tamanho de C. crocodilus, 
observa-se a predominância de indivíduos juvenis (Classe 2) em 
todos os anos e períodos, situação esta também típica em 
populações dessa espécie (e.g., Rebelo & Lugli, 2001; Escobedo- 
Galván, 2008; Aguilera et ai., 2008) (Figura 9). 
Comparativamente em relação aos anos de amostragem, 
observa-se uma homogeneidade nos dados entre 2010 e 2011 


201 





para todas as fases de desenvolvimento, demonstrando uma 
população em estabilidade no período considerado. Já para o ano 
seguinte, observa-se um incremento nas Classes 1 e 2, 
corroborando a hipótese de alta taxa de recrutamento em 2011 e 
início de 2012. Já indivíduos das Classes 3 e 4 mantiveram-se em 
taxas similares, demonstrando também uma condição de 
estabilidade populacional ao longo do período de estudo. 


Figura 8 - Relações entre machos, fêmeas e indivíduos 

indeterminados de Caiman crocodilus por campanha. 



Figura 9 - Números de indivíduos de Caiman crocodilus de 
diferentes classes de tamanho registradas por campanha. 



202 







Uso do Hábitat 


Pelos dados obtidos no presente estudo, observa-se 
haver segregação parcial de habitats pelos crocodilianos da 
região do lago Sapucuá. Caiman crocoditus consiste na única 
espécie avistada ao longo de toda a área de estudo, 
apresentando, entretanto, relação exclusiva com os ambientes de 
menor energia e ocorrendo, nas áreas dos igarapés, apenas no 
baixo curso destes, nestes casos sempre em indivíduos com 
tamanhos relacionados apenas à Classe 2. Infere-se, portanto, 
que a presença da espécie nessas áreas deve-se a indivíduos que 
se encontram em processo de dispersão para fins de 
estabelecimento de seus territórios. Indivíduos de maior porte e 
ninhadas ocorreram exclusivamente nas áreas de grandes 
massas d'água do lago Sapucuá e em lagoas e cabeceiras 
marginais a este. É possível, inclusive, que a espécie nidifique 
nesses ambientes, fato este aventado pela alta incidência de 
indivíduos da Classe 1 e informado por moradores locais que 
confirmaram a presença da espécie e seus ninhos nos mesmos. 

O jacaré-açu, Metanosuchus niger, ocorreu em baixa 
densidade na região durante as épocas de amostragem. 
Conforme já citado, estudos na literatura indicam que é difícil 
encontrar essa espécie em altas densidades nos afluentes do lado 
esquerdo do rio Amazonas, podendo tal condição, portanto, ser 
considerada como natural, embora algumas ações de abate sobre 
a espécie (especialmente sobre indivíduos de grande porte) 
tenham sido verificadas durante o estudo. 

Quanto a indivíduos do gênero Paleosuchus, estes se 
mostraram associados exclusivamente aos ambientes de mata 
fechada, com água corrente e cristalina dos igarapés na área de 
estudo. A ausência do gênero em águas abertas é um indício 
dessa associação. 

A variação sazonal no nível da água possui implicações 
importantes sobre a dinâmica das espécies na região. A formação 
de igapós consiste possivelmente no principal fator determinante 
das menores taxas de encontro de espécimes no lago Sapucuá 
durante as fases de cheia, especialmente no tocante a Caiman 
crocoditus e, possivelmente em menor escala, a Metanosuchus 
niger. Já para as áreas dos igarapés, as fases chuvosas 
implicaram em uma menor taxa de encontro de indivíduos de 
Paleosuchus spp., possivelmente em função do hábito dessas 
espécies se deslocarem pelas matas em busca de lagoas e poças 


203 



temporárias como áreas de alimentação, chegando inclusive a 
ocupar os ambientes presentes sobre os platôs da FLONA 
(Morato et al., 2011). Poder-se-ia inferir que as reduções das 
taxas de encontro dessas espécies ao longo do período de estudo 
detenha relação com a perda temporária de hábitats nas áreas 
de platôs pelo processo de mineração. Seria esperado, nessa 
condição, um aumento das taxas de encontro de indivíduos 
restritos à calha dos igarapés, situação que não foi verificada e 
que induz à suposição da perda de indivíduos ao longo do tempo. 
Entretanto, a constatação, ao longo dos três anos, de indivíduos 
juvenis (classes 1 e 2) das duas espécies de Paleosuchus na 
região sugere recrutamento das mesmas durante o período de 
estudos, indicando que as reduções observadas possam consistir 
em situações naturais da biologia das espécies. Deve-se salientar 
também que indivíduos de Paleosuchus têm sido constatados nas 
áreas em recuperação ambiental estabelecidas sobre os platôs 
regionais (obs. pess.), indicando que o impacto da supressão 
vegetal pela mineração pode ser remediado através da adoção 
dessas medidas. 

Conservação das Espécies 

No geral, as espécies de crocodilianos da área de estudo 
são pouco suscetíveis a impactos de natureza antropogênica. As 
espécies do gênero Paleosuchus, enquanto associadas 
exclusivamente a igarapés, apresentariam mais susceptibilidade 
à perda de hábitats. Entretanto, as áreas de igarapés mostram- 
se íntegras na área em estudo, podendo ser inferida uma 
pequena interferência sobre tais espécies. Por outro lado, a 
supressão vegetal estabelecida sobre os platôs gera perda de 
hábitats para indivíduos juvenis durante os períodos chuvosos 
(ocasião em que os mesmos buscam poças temporárias como 
abrigos ou áreas de alimentação). Entretanto, conforme citado, 
registros da espécie em locais sob recuperação ambiental 
indicam que a espécie pode ser protegida mediante tais ações. 

Quanto a Caiman crocodilus, a espécie mostra-se 
abundante na região, apresentando inclusive elevado 
recrutamento (evidenciado pela alta densidade de indivíduos das 
Classes 1 e 2 durante o período de estudos). Indivíduos juvenis e 
alguns adultos foram frequentemente encontrados habitando as 
áreas de praias estabelecidas em frente a comunidades humanas 
regionais, demonstrando pouca interferência sobre a espécie. A 
própria taxa de wariness obtida mostra-se como baixa, indicando 
pequena perturbação sobre a espécie. 


204 



Quanto a Melanosuchus niger, por fim, os dados obtidos 
não permitem fazer afirmações quanto a possíveis ameaças 
significativas. Indivíduos juvenis foram registrados indicando o 
recrutamento da espécie, porém em taxas baixas. Segundo 
informes da população regional, indivíduos de grande porte são 
por vezes abatidos como estratégia de segurança (condição esta 
verificada por ocasião da segunda campanha de campo - Figura 
10). Entretanto, esta parece ser uma condição eventual na 
região. 



Figura 10 - Indivíduo de Melanosuchus niger encontrado abatido 
durante a segunda campanha de campo realizada na área de 


Foto: SAA Morato 


Conclusões 

Mediante o estudo realizado, observou-se que a 
comunidade de crocodilianos da região do lago Sapucuá é similar 
às de outras regiões de Amazônia setentrional. As taxas relativas 
de indivíduos das diferentes espécies, a ocupação de hábitats e 
as densidades de indivíduos de diferentes classes etárias de 
Caiman crocodilus são elementos que sustentam esta afirmativa. 

O estudo ora realizado permitiu avaliar a densidade, a 
ocupação de habitats pelas diferentes espécies e algumas das 
pressões incidentes sobre as mesmas na região de estudo. Os 


205 






resultados obtidos permitem afirmar que não existem impactos 
derivados da mineração na FLONA sobre os crocodilianos da 
região, salvo pequenas interferências sobre o hábitat de jacarés 
do gênero Paleosuchus durante períodos chuvosos, os quais 
ocupam as áreas de lagoas e poças temporárias que se 
estabelecem sobre os platôs durante seus processos de 
deslocamento, possivelmente com vistas a estabelecer seus 
territórios. Embora a supressão vegetal dos platôs imponha a 
perda momentânea desses ambientes, as atividades de 
recuperação ambiental têm funcionado como uma estratégia de 
conservação, na medida em que tem garantido o retorno dessas 
espécies ao seu hábito normal nessas áreas. Além disso, 
indivíduos juvenis das espécies desse gênero foram visualizados 
ao longo dos igarapés durante os três anos de estudo, indicando 
que o recrutamento tem sido mantido. 

Quanto às variações temporais, observou-se uma elevada 
taxa de recrutamento ao longo dos três anos de monitoramento 
para C. crocoditus. Embora esta espécie possa ser considerada 
como de pequena importância como indicadora (haja vista seus 
hábitos generalistas), o recrutamento observado sugere uma alta 
disponibilidade de recursos alimentares na região (especialmente 
peixes e invertebrados aquáticos), refutando a ocorrência de 
impactos derivados da mineração sobre a qualidade dos recursos 
hídricos do lago Sapucuá que pudessem afetar esta fauna. 

Por fim, durante o estudo avaliou-se os impactos 
derivados da ocupação antrópica regional sobre os crocodilianos. 
O uso das espécies como alimento, embora tenha sido 
informado, parece ser pouco significativo, sendo o abate mais 
direcionado a indivíduos adultos de grande porte de 
Metanosuchus niger em função de medidas de proteção contra 
ataques. Mesmo nesses casos, entretanto, o impacto não parece 
ser relevante, uma vez que essa espécie habita áreas mais 
isoladas do lago Sapucuá, onde a presença humana é menos 
intensa. 


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Paleosuchus trigonatus (Foto: SAA Morato) 


209 




Corallus hortulanus 

(Fotç: SAA Morato) 

f S a ' 








Este livro apresenta os resultados de mais de 
12 anos de estudos sobre a herpetofauna da 
Floresta Nacional de Saracá-Taquera, Pará, 
conduzidos pelas equipes de profissionais da 
Mineração Rio do Norte e da STCP Engenharia 
de Projetos em parceira com diversas 
instituições de pesquisa do Brasil, sempre com 
o respaldo e apoio do IBAMA e do ICMBio 
Trombetas. A expectativa dos editores e 
autores é que os resultados aqui apresentados 
contribuam com o processo de gestão da 
FLONA e sejam aplicáveis ao conhecimento e à 
conservação desse importante grupo faunístico 
no contexto da Amazônia.